Wednesday, 27 August 2014

O lago perdido

250_9789897261367_lago_perdidoLago perdido
Sarah Addison Allen
Quinta Essência
280 páginas
4star
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Uma história bela e arrebatadora sobre amores antigos e novos, e o poder das ligações que nos unem para sempre...
A primeira vez que Eby Pim viu Lago Perdido foi num postal. Apenas uma fotografia antiga e algumas palavras num pequeno quadrado de papel pesado, mas quando o viu soube que estava a olhar para o seu futuro.
Isso foi há metade de uma vida. Agora Lago Perdido está prestes a deslizar para o passado de Eby. O seu marido George faleceu há muito tempo. A maior parte da sua exigente família desapareceu. Tudo o que resta é uma velha estância de cabanas outrora encantadoras à beira do lago a sucumbirem ao calor e à humidade do Sul da Georgia, e um grupo de inadaptados fiéis atraídos para Lago Perdido ano após ano pelos seus próprios sonhos e desejos. É bastante, mas não o suficiente para impedir Eby de abrir mão de Lago Perdido e vendê-lo a um empreiteiro.
Este é por isso o seu último verão no lago… até que uma última oportunidade de reencontrar a família lhe bate à porta.


Livro recebido pela editora para review honesta
http://www.quintaessencia.com.pt/pt/ 

O Lago perdido é a viagem mais negra que Allen fez no seu percurso literário. Se os seus outros romances traduzidos carregavam um ambiente mágico, o Lago perdido é mais complexo, carregado de personagens e temáticas a elas associadas. O livro “fede” a morte: Kate e Eby são viúvas, Wes viu o seu pai e irmão morrer, Lisette sente-se culpada por um homem se ter suicidado por ela. São estes os pontos de partida que leva as personagens a mudar. Mas nem por isso o lago tem menos encanto. Se o início algo lento devido aos capítulos grandes pode demover um leitor mais habituado a uma história leve, por outro apela à reflexão de diversos temas através da personalidade e história das personagens. Ao mudar o foco constante de personagens, Allen deixa que o único protagonista, o lago, atraia e manipule os que o rodeiam. Tal como as suas personagens, o lago está perdido, escondido algures num lugar remoto.

Cada personagem está a aprender com os erros do passado e a tentar contorná-los no presente. Kate tenta ser uma mãe melhor, mesmo depois da perda do marido; Eby está dividida entre vender a propriedade após a morte de George, Wes luta contra a memória do seu falecido irmão, Lisette recusa os avanços amorosos de Jack, por sentimentos de culpa, mesmo estando apaixonada por ele. Todas estas personagens encarnam o tema universal da morte e de como se luta contra o sentimento de perda. Kate tem a filha e um antigo amor; Eby tem a propriedade tal como Wes e Lisette tem Eby como sua amiga.

Existe ainda um enorme paralelismo entre esta obra e o romance de Faulkner. Em ambas as histórias, a personagem principal é algo inanimado: o lago e o cadáver de Addie, o enredo revolve à sua volta no início ao fim mesmo que estas personagens não tenham direito a uma fala. A sua existência destabiliza tudo em seu redor.

No Lago perdido, Wes fala do seu falecido irmão que queria ser um crocodilo e Devin fala e vê um crocodilo no Lago Perdido. Na minha morte, Vandarmar, o filho mais novo quando vê o cadáver da mãe associa-a à imagem do seu peixe que morreu e diz: A minha mãe é um peixe.
Por ultimo, em ambas as obras as personagens fazem uma viagem grande para enterrarem o passado e começarem de novo, no Lago perdido ou depois de enterrarem Addie.

O Lago perdido pode ser lembrado como uma incursão negra nos romances de Allen, talvez devido à sua recente luta contra o cancro que coloca todo o nosso mundo mágico menos encantado. Contudo, a autora encontrou neste canto mais escuro algo que vale muito a pena ler. Porque quando arrancamos de nós personagens tão fieis e reais, combinamos temas intemporais e criamos uma obra lindíssima, é impossível não querer regressar a este mundo destruído de forma tão harmoniosa.

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