Wednesday, 7 May 2014

Um disclaimer para as editoras

Normalmente as pessoas ficam com ideia de que eu estou contra as editoras por muitas vezes apontar os erros que elas cometem. A verdade é que a minha função como blogger não é ajoelhar-me perante as editoras e prestar vassalagem em troca do meu trabalho como crítica. Sempre disse que as críticas seriam iguais sejam de livros que me oferecem, seja de livros que compro. O mesmo acontece com muitas políticas adoptadas pelas editoras. Nem tudo é mau no mundo editorial.


Claro que as editoras fazem asneiras quando metem livros a 25€ de forma a ser impossível o comum mortal tuga comprá-lo e as traduções cheias de erros feitas por “especialistas”, passando por séries publicadas com ordem trocada e abandono da publicação da mesma leva os leitores a puxarem os cabelos. É a crise… a crise já serve de desculpa há uns bons anos. Antes da crise era o papel que era caro, e depois do papel pelos vistos baixar de preço eram os tugas que não liam… Era sempre culpa do leitor e nunca das editoras… Não gosto dessa atitude. A Harlequin está com dificuldades económicas e nunca culpou os leitores nem nunca aumentou os preços dos livros. (quanto muito estão cada vez mais baratos).


Pergunto-me porque é que as editoras se queixam da falta de leitores e “aumentam para cobrir despesas”… Hum dá que pensar. Mas ainda assim nem tudo é mau no que vai na Tugalandia editorial:
• Existem packs onde os livros ficam a 8-9€ cada um – o que compensa bastante;
• Existem códigos de desconto em sites como a Wook que incentivam os leitores a comprar;
• A Saída de Emergência tem portes gratuitos e oferta de um livro na compra de dois;
• A LEYA tem livros a 3,5€ e alguns a 2€, para não falar dos livros de bolso a preços convidativos;
• A Presença tem boas traduções e livros pequenos com preços à medida;
• A Quinta Essência tem capas lindíssimas que fazem qualquer editora internacional envergonhar-se das capas deles e raramente deixam séries por publicar;
• A Marcador apostou forte em autores portugueses e fez-lhes publicidade – uma área bastante inexplorada m Portugal (tirando publicidade a um ou outro livro não se vê muitos booktrailers na televisão).
• A Harlequin Portugal tem ebooks a preços bastante convidativos (2-3€)


O que me aflige mais não é as editoras culparem a crise, mas sim muitas vezes a inércia. Culpam a crise e não mudam, não se adaptam, não evoluem. Sendo um negócio é sempre preciso olhar para vários ramos: eBooks, audiobooks, algo mais do que simplesmente ler manuscritos e publicar. Algo mais do que estar atento à moda, é importante “criar” modas, criar “nichos”, viciar os leitores, piscar-lhes os olhos… as editoras movimentam milhões por isso não têm falta de meios. Para quem segue dois mercados (e mais recentemente caiu de pára-quedas noutro) e sabe o quão difícil é começar uma editora com poucos recursos, a crise não serve de desculpa à inércia.


E ainda que as editoras tenham feito coisas boas em prole dos leitores, ainda falta caminhar um longo percurso ate chegarmos a um mercado sólido e diversificado. E para apontar os erros e as virtudes estarei sempre cá eu.

2 comments:

  1. Concordo com tudo o que disseste. Nem tudo é mau, mas há muita porcaria, as editoras não mudam e muitos dos leitores aceitam este tratamento, Não me importo de ficar rotulada como bitch, mas odeio investir €€€ e não estar satisfeita com o serviço

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  2. Também concordo com tudo! Apesar de ultimamente ser só desgostos, temos de tentar olhar para o lado positivo! ;) Eu tento sempre ajudar o mercado mas claro que já sei o que a casa gasta e só invisto quando sei que vou ficar satisfeita! :)

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