Monday, 28 April 2014

Morreu Vasco Graça Moura - comunicado Grupo Bertrand

Pessoalmente, conhecia apenas o seu trabalho como tradutor de Rilke, Dante e Shakespeare.

Vasco Graça Moura

1942-2014

images (5)Nasceu no Porto, em 1942, e morreu ao fim da manhã de  ontem Lisboa. Eram muitos e fortes os laços que  ligavam o poeta, tradutor, romancista e pensador ao Grupo BertrandCírculo. Presente na vida da Quetzal Editores em várias das suas fases, confiou a esta chancela a sua poesia. Recentemente, a Quetzal Editores reuniu-lhe os poemas em dois volumes e publicou um livro-homenagem de vários poetas (a vista desarmada, o tempo largo, de 2012, celebra os 50 anos de carreira literária do escritor). Vasco Graça Moura enriqueceu também o catálogo da Bertrand Editora com as suas exímias traduções de clássicos e entregou-nos
a publicação de romances. Integrava ainda o júri do Prémio Literário José Saramago, atribuído pela Fundação Círculo de Leitores, e viu muitas das suas obras publicadas pelo Círculo de Leitores.

Sobre ele, Francisco José Viegas, diretor da Quetzal Editores, disse na nota daquela chancela:


«O lugar de poeta não esconde, além disso, a sua figura de magnífico tradutor (o de Dante ou Shakespeare), de romancista, de ensaísta culto e exigente, de homem criativo e empenhado pelo seu país. Era um homem raro, com convicções fortes – e um espírito combativo.»

O Grupo Bertrand Círculo lamenta a partida de Vasco Graça Moura.

Nota biográfica

Personagem multifacetada da vida cultural portuguesa, nasceu no
Porto em 1942. Poeta, romancista, ensaísta, tradutor, foi membro
de dois Governos provisórios depois de 1974, desempenhou
funções directivas na RTP, na Imprensa Nacional, na Fundação
Casa de Mateus, no Serviço de Bibliotecas da Fundação
Gulbenkian, na Comissão para as Comemorações dos
Descobrimentos Portugueses – era atualmente, desde 2012,
presidente do CCB. Em 1999, foi eleito deputado ao Parlamento
Europeu, cargo que exerceu durante dez anos.
É autor de uma extensa obra poética (recentemente coligida em
Poesia Reunida, dois volumes, publicada pela Quetzal) de que se
salientam títulos como Modo Mudando (seu primeiro livro, de
1963) Sonetos Familiares, Uma Carta no Inverno, A Furiosa
Paixão pelo Tangível, ou Instrumentos para a Melancolia. Ao seu
primeiro romance, Quatro Últimas Canções (em 1987),
sucederam-se livros como Naufrágio de Sepúlveda, Partida de
Sofonista às Seis e Doze da Manhã, A Morte de Ninguém, Meu
Amor Era de Noite, A Morte no Retrovisor ou Enigma de Zulmira.
Traduziu William Shakespeare, Dante, Rilke, Ronsard, Racine,
Corneille e Molière, entre muitos outros autores – a que se junta
uma obra ensaística (parte dela dedicada a Camões, por
exemplo) e de intervenção cívica dispersa por vários títulos.
Recebeu o Prémio Pessoa em 1995 e a medalha de ouro da
Comuna de Florença em 1998, este último atribuído à sua
tradução da Divina Comédia de Dante. Além destes, contam-se
ainda a Coroa de Ouro do Festival Internacional de Struga, o Max
Jacob, o Premio Nazionale di Traduzione italiano, o Grande
Prémio de Romance e Novela da Associação Portuguesa de
Escritores, o Prémios Paulo Quintela, o Prémio Vergílio Ferreira
ou o Grande Prémio de Poesia da APE, entre muitas outras
distinções.

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