Tuesday, 25 March 2014

As Histórias de Terror da Entrada do Túnel

As Histórias de Terror da Entrada do Túnel 
Chris Priestley
Edição: 2013
Páginas: 208
Editora: Arte Plural Edições


As Histórias de Terror da Entrada do Túnel é a prova que a literatura portuguesa infanto-juvenil ainda está a milhas de distância da literatura anglo-saxónica.


Nomeado para um Edgar Allan Poe para melhor novela YA, Chris Priestley perpetua autores como Neil Gaiman e Tim Burton. Pejado de simbolismo e um hino ao conto, As histórias de terror não são feitas para assustar crianças, mas sim adultos. Com um imaginário sem limites para a maldade e uma excelente componente visual (graças às ilustrações de David Roberts), o leitor acompanha pequenas histórias narradas pela morte sobre ambições desmedidas, curiosidade e imprudência, o ciúme e o ressentimento, Priestley consegue através da sua escrita sofisticada claramente vitoriana agradar a adultos e crianças.


Com um dos melhores inícios: “It was the first railway journey I had ever made alone.”, o comboio torna-se numa espécie de limbo onde todos os passageiros dormem e a personagem encontra-se sozinha com a senhora de branco que se entretém a contar histórias de terror (visto que são as únicas que sabe, muito provavelmente porque as presenciou) antes de atingir o clímax do livro. Durante a viagem não se compreende se o objectivo da senhora é entreter Robert ou dar-lhe uma oportunidade para ele mudar. Ao mesmo tempo que aterroriza, as histórias servem para ele reflectir o final das personagens. Robert pensa e arrepia-se, chegando ao ponto onde as histórias chegam sem ele as querer ouvir, mas seduzido pela aparência da mulher, não tem coragem de negar.


A senhora de branco encorpora a estética macabra vitoriana, onde a morte atrai e repele ao mesmo tempo. Se ela, numa primeira visão é linda e educada, aos poucos vamo-nos apercebendo que ela é muito mais macabra do que parece:




'I detest flies,’ she said. ‘You would think that I’d have become used to them by now, but I never have.'



Plácida, Priestley consegue através da sua escrita maravilhosa captar a essência e personalidade da Morte, que nos aterroriza mas maravilha ao mesmo tempo.

O mais curioso é que esta história poderia ser a de Robert. Através das histórias contadas pela mulher e pela moral que Robert tira delas, ele apercebe-se do seu destino caso continue a ser um "little brat" para a sua madrasta que o adora. A personagem tem assim espaço para poder evoluir e tirar das histórias uma lição em cada uma.


No fim, as pontas soltas atam-se para os mais jovens e os adultos sorriem lerem um livro intemporal devido aos seus temas e personalidade das personagens.




Robert está entusiasmado: pela primeira vez, vai viajar sozinho de comboio! Está a caminho de um novo colégio e vai finalmente deixar para trás o tédio das férias, passadas em casa com a sua irritante madrasta. De início, a viagem ameaça ser bastante aborrecida, sobretudo quando o comboio fica parado, durante horas, à entrada de um túnel profundo e escuro. Mas, felizmente, Edward (I think it's Robert here) conta com a companhia de uma mulher, esguia e elegante, totalmente vestida de branco, que o vai entretendo com histórias? histórias cada vez mais arrepiantes e perturbadoras. À medida que o tempo vai passando, o comboio continua misteriosamente parado?


1 comment:

  1. Quero ;_; por causa da capa, por causa da opinião, por causa das ilustrações

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