Thursday, 30 May 2013

Viveram felizes para sempre a partir de um beijo

Um beijo inesquecível
Teresa de Medeiros
Editora: Quinta Essência
336 páginas

Sinopse:
Laura Fairleigh passa a vida a sonhar com o homem perfeito... ou pelo menos alguém que aceite ser seu marido. Um dia a resposta às suas preces surge do nada quando encontra, inconsciente no bosque, um homem lindo. Como num conto de fadas, não pode evitar beijar o desconhecido nos lábios e ele acorda… descobrindo que perdeu a memória. Laura decide aproveitar a oportunidade, e convencê-lo de que é sua noiva. Um jogo que vai ser muito perigoso, especialmente considerando a verdadeira identidade do desconhecido...

Bem este pequeno livrinho, apesar de o início estragar um pouco a surpresa da sinopse lê-se muito rapidamente (demorei nem três horas da meia-noite até às três da manhã e isso é dizer alguma coisa do mesmo). Inspirada no início do Märchen da “Bela Adormecida”, o tom de contos de fadas actual onde tudo acaba bem nem sempre acompanha a narrativa, acabando a autora por conseguir gerir bastante bem os acontecimentos para que o leitor fique com o coração nas mãos.

As personagens são o que alegram e dão vida à história e a tornam imprevisível. O duque Steerling Harlow, mais conhecido como «Demónio de Devonbrooke» é um homem frio, com um temperamento terrível fruto da educação rigorosa do seu tio que o tornou seu herdeiro. Por outro lado, Laura é uma mulher que alimenta imagens românticas de um casamento tal como os seus pais tiveram. Detesta o duque e insulta-o de tudo, quando este sabe da morte da mãe, Laura teme que este a expulse de casa com os seus irmãos. Contudo, o duque nunca chega e, ao passear pela floresta, depara-se com um jovem com amnésia. Laura é uma mulher bastante despachada, com uma imaginação tremenda para inventar uma nova identidade para esse homem. Eles estão tão bem juntos que qualquer pessoa podia ver que eles eram feitos um para o outro. 
Contudo, Lottie a irmã de Laura pensa que ele é um ladrão ou um assassínio e, durante a narrativa tenta metê-lo doente. Embora a azáfama daquela casa tenha sido das cenas mais divertidas, Lottie é uma “little brat”: ciumenta, chega mesmo a tentar magoar Nicholas. Já George embora também receie que o novo homem seja um assassínio não planeia algo tão terrível como a irmã. É incompreensível como se preocupavam tanto com a irmã visto ela estar bem e Nicholas ser um homem inofensivo e até bastante cavalheiro.

Laura é uma mulher que se desembaraça bem sozinha, é encantadora e tem uma língua bastante afiada, enquanto Nicholas é o perfeito cavalheiro com um temperamento um bocado instável. Claro que pensamos sempre: E se quando Laura beijou aquele estranho ele se lembrasse de quem era? Como teria seguido a história? Mas ainda assim foi engraçado ver Laura a construir o seu conto de fadas sempre com a língua afiada. A interacção do casal é genuína do início ao fim, especialmente nas cenas mais intima onde nenhum dos dois consegue esconder os verdadeiros sentimentos um pelo outro. O sexo aproxima-os quando tudo parece querer afastá-los.

“Um beijo inesquecível” é uma montanha russa de emoções com personagens bastante engraçadas que prova que um homem sapo ou um ogre pode mesmo transformar-se num príncipe encantado.

Fico à espera da sequela para ver a Lottie crescer e passar de uma criança mimada para uma mulher adulta e responsável.

Tuesday, 28 May 2013

Resumo do fim-de-semana


Sábado:
Acordar às 8 da manhã
Dar explicação;
Preparar mala - fazer crítica do livro "Pecados escondidos"
Preparar a casa
Ir às compras
Começar a festa
Morfar *.*
Terminar de rever um manuscrito para envio
Ler 15 páginas do livro "Revolução Paraíso"
Dormir

Domingo:
Acordar às 11.30
Preparar pequeno-almoço
Varrer a sala
Ir almoçar
Le wild sono appears - dormir
Ver o Benfica a levar na boca e lanchar
Ir às compras
Jantar
Dormir

Segunda:
Dia de limpezas
Jantar de anos

WHAT WAS I THINKING? A sério que pensei que em dois dias de festa ia mesmo ler? -.-" Mesmo com a ajuda do pessoal para arrumar a casa estava sempre cheia de sono e não conseguia concentrar-me. Juro-vos que devo ter sido mordida pela mosca tsé-tsé! Depois de um reading spree pensei mesmo que fosse ler imenso este fim-de-semana :( Agora é recuperar o ritmo... assim que der um tiro ao grilo que está na cozinha -.-" I am not happy.

Friday, 24 May 2013

Tidy Friday #12


Bem eu hoje acordei fantástica e assustei o pessoal no Facebook com a minha boa disposição. Ontem foi dia do autor e do abraço e embora eu tenha abraçado a minha irmã, aqui vai um grande abraço para todos vocês!

Thursday, 23 May 2013

A lenda de Artur contada como romance histórico


O rei Inverno
Bernard Cornwell
Editora: Saída de Emergência
464 páginas

Sinopse:
Uther, Rei Supremo da Bretanha, morreu, deixando o seu filho Mordred como único herdeiro. Artur, o seu tio, um leal e dotado senhor de guerra, governa como regente numa nação que mergulhou no caos - ameaças surgem dentro das fronteiras dos reinos britânicos, enquanto exércitos saxões preparam-se para invadir o território. Na luta para unificar a ilha e deter o inimigo que avança contra os seus portões, Artur envolve-se com a bela Guinevere num romance destinado a fracassar. Poderá a magia do velho mundo de Merlim ser suficiente para virar a maré da guerra a seu favor? O primeiro livro da Triologia dos Senhores da Guerra de Bernard Cornwell lança uma nova luz sobre a lenda arturiana, combinando mito com rigor histórico e as proezas brutais nos campos de batalha.

O rei Inverno é o primeiro livro da Trilogia dos senhores da Guerra. Com um início bastante lento e que por vezes tornou a leitura demorosa, o que torna o livro bastante atractivo é a forma como Cornwell dá atenção aos detalhes históricos, visto que a história é mesmo quase uma introdução às personagens e ao setting. 
Este livro representa aquela pergunta que muitos historiadores colocaram: e se o Rei Artur tivesse existido mesmo? Na verdade, As Brumas de Avalon sempre tiveram um lugar especial no meu coração por se tratar de uma obra feminista, ao passo que o Rei Inverno é uma obra bastante realista, onde as personagens não se demonstram com grande afectividade, exceptuando Artur. 

Na verdade, o Rei Inverno apresenta-se bem como um livro com temas medievais bastante fortes como o amor embora não o amor cortês tipicamente medieval. Derfel, o narrador, apaixona-se por Nimue, ainda que não seja correspondido, Nimue é apaixonada por Merlin e a sua amante, enquanto o amor de Artur causa a guerra. Como sempre a paixão leva as personagens a cometerem tanto actos de bravura como de estupidez. A personagem do narrador Derfel nota-se bastante esta estupidez em arriscar a vida para salvar o seu amor, e que ao mesmo tempo o torna incrivelmente corajoso. A questão da knighthood também se revela através da personagem de Arthur. Ele não aparece como rei, mas sim como um cavaleiro com uma visão utópica do reino e pouco violenta.

Apesar de tudo, é um livro que me custou bastante a ler por causa da velocidade incrivelmente lenta com que as coisas acontecem e não pelo conteúdo em si. Os detalhes históricos são absolutamente deliciosos e as imagens criadas por Cornwell vivas e fáceis de imaginar. É engraçado como muita gente que se calhar não gosta das Brumas de Avalon, irá gostar certamente deste por ser mais “másculo” e menos fantasioso. Se querem algo real, detalhado e não se importam que a acção seja lenta, O Rei Inverno é para si!

Wednesday, 22 May 2013

Dia do autor português e do abraço!



Nos terraços da revolução



“Queria mostrar um lado do Irão normalmente escondido do grande público – as suas pessoas calorosas, cómicas e generosas.”

Terraços de Teerão
Mahbod Seraji
Editora: Presença
Páginas: 344

“Terraços de Teerão” encontra-se como oposto de uma imagem criada pelo mundo ocidental do mundo oriental. Sou daquelas pessoas que sempre que vai ver um filme onde os mauzões terroristas (sim porque homens orientais mauzões têm de ser terroristas) são os iranianos/iraquianos ou afegão rolo os olhos. Por isso, “Terraços de Teerão” é uma lufada de ar fresco no meio de livros e mentalidades que visam o Oriente como os maus da fita.

Em vésperas da revolução de 1979 que destronou o Xá, Seraji mostra os ideais de um grupo de jovens adultos divididos entre a ocidentalização do seu país e as suas tradições. Durante a história várias críticas são tecidas a estes dois extremos: o extremo dos professores de Ahmed e Pasha que acreditam que a matemática (a razão) e a obediência resolvem todos os problemas, elogiando as ruas dos Estados Unidos e a disciplina dos ocidentais que quando vêem um semáforo vermelho param. A crítica feita aos casamentos arranjados, que o próprio pai de Pasha diz já ser antiquado e que os pais deviam de quebrar com essa tradição e uso da burqa, que no fim representa um elemento libertador ao contrário da conotação negativa.

Seraji constrói duas histórias de amor bonitas, ensinando ao Ocidente que numa terra de um ditador com a SAVAK às costas a controlar o regime nada consegue impedir que os jovens pensem por si. Pasha, Ahmed, Iraj e o Doutor são símbolos da revolta iraniana contra um regime ditatorial. Embora Pasha seja uma espécie de ponte harmonizadora entre Irão e Ocidente, o Doutor tem um misto de ódio e fascínio com a Ocidentalização. Todos eles sofrem com o regime e mesmo aqueles que não são considerados inimigos do Xá, sofrem com a prisão e tortura de pessoas amigas por lerem livros proibidos. A revolta na cabeça destes jovens apega-se ao leitor e tal como Seraji envia uma mensagem de esperança para o seu país, sentimos que no fim também queremos que Irão mantenha a sua identidade, sem o sufoco que foi o regime de Pahlavi.
O amor é um dos principais temas do livro. O amor jovem de Ahmed e de Pasha prende-nos e ensina. O amor é aquela estrela que tal como no telhado de Pasha guia os jovens quando o seu mundo à volta parece ruir ou esmaga-los.

A mulher tem bastante poder na prosa de Seraji: é ela que escolhe quem amar e casar, ela pode-se manifestar através da sua dor, é ela que opta pela burqa para se esconder ou para se salvar. Ao contrário do que muitas vezes vemos, a mulher tem poder e consegue usá-lo para se manifestar.

Terraços de Teerão é um livro muito bonito e obrigatório para quem quer conhecer o outro lado do Oriente, um lado que embora nem sempre bonito, acaba por passar uma mensagem de esperança para o futuro. Ainda que o futuro de Pasha seja o nosso presente e este não tenha sido concretizado, há sempre jovens prontos a lutar pelo futuro do seu país.

NOTA: Para quem não sabe, o Xá Mohamed Reza Pahlavi foi condecorado com a medalha da Ordem de  D. Henrique em 1967.

Monday, 20 May 2013

Um instante de amor (From the land of the moon)


Um Instante de Amor
Milena Agus
Editora: Presença
Nº de Páginas: 96

Sinopse: 
Um Instante de Amor conta-nos a história de uma mulher extraordinária que viveu em Cagliari, na Sardenha, durante a Segunda Guerra Mundial. A rigidez do meio onde nasceu não se compadece com a sua natureza sonhadora e romântica e, embora seja extremamente bonita, os homens estranham-na, e o amor teima em fazer-se esperar.

Primeiro de tudo, não leiam o resto da sinopse. Esta parte é óptima e o resto da sinopse mata o twist final que torna este livro delicioso. O livro é pequeno, por isso a crítica não vai ser daquelas coisas grandes. Começo por dizer que não li a sinopse, mas quando vi o número de páginas pensei imediatamente: argh provavelmente vai ter infodump ou vai ser todo em tell. Acertei na segunda. Embora o livro seja de facto escrito através da escrita do relato pela neta, ainda bem que o é. De facto, um instante de amor, pode à primeira vista parecer um daqueles romances “blitz” quase insta, mas na verdade o livro falar sobre a infelicidade do amor e a dificuldade em conseguir apaixonar. A personagem da avó é ao mesmo tempo um misto de fascínio e a mistura entre realidade e ficção dentro da ficção está bastante bem feito. Aliás é essa fronteira entre as personagens e entre a ficção que mexe com sentimentos como desilusão, esperança e amor.

Tal como aconteceu com o livro da Agatha Christie “Noite sem fim”, Um instante de amor tem um twist final que rouba toda a esperança que o leitor depositou durante o livro. As 92 páginas são suficientes para conseguir fazer um tumulto de sentimentos dentro de nós, pegando em temas simples e com personagens empregando bem uma técnica tão mal amada pelos autores e leitores.

Só por isso, “Um instante de amor” merece ser lido e saboreado mesmo depois de terminado.

Entretanto, já passei metade do livro "Terraços de Teerão" e vou começando a escrever a review porque tem de facto bastantes coisas para pesquisar a nível histórico do Irão.

Friday, 17 May 2013

Tidy Friday #11




Bem depois de ir buscar encomendas, andar a ver e-mails, atender chamadas, beber café abanquei! E que comece a gloriosa Tidy Friday sobre guerra: Norte versus Sul!


Sim vocês gente do Sul, que nos roubam as apresentações dos autores internacionais *vai chorar para o canto* Mas falando de coisas felizes!

Thursday, 16 May 2013

Anna Karenina: o veredicto final

Anna Karenina
Leão Tolstoi 
Editora: Edições Europa-América
872 páginas
Tradução de: João Neto
Actualizado, anotado e corrigido por Maria Ivanova Miklai


Depois das personagens estarem todas apresentadas, é tempo de entrar na montanha russa de emoções que é o livro “Anna Karenina”. Emoções pode ser mesmo a palavra-chave deste livro e o amor igualmente. Após o baile tanto Kitty como Karenina encontram-se assoladas por sentimentos: Kitty de raiva, Karenina de amor. Todas as personagens tratam o amor de forma diferente. Quando Kitty leva demasiado tempo a admitir que tem sentimentos por Levin, Karenina reconhece a sua paixão por Vronsky, mas tenta ignorá-los. O seu marido, por sua vez, não se importa que Karenina ame outro homem, desde que essa paixão não circule na sociedade de forma a dar origem a escândalos.

[Divulgação] Lançamento da Antologia "Audaz Fantasia"



No dia 24 de Março deste ano teve lugar o evento da entrega de prémios do 1º.Concurso Literário dos AlenCriativos.
Dos mais de 400 trabalhos apresentados a concurso apenas foram nomeados 20 trabalhos (10 em cada uma das categorias - Comunidade Escolar e Poetas em Geral).
Foi uma tarefa complicada para o júri porque recebemos belissimos trabalhos que não foram nomeados mas estavam ao nível dos que foram.
Então, a editora UniVersos, patrocinadora do prémio do 1º.lugar da categoria Poetas em Geral (a edição de um livro), disponibilizou-se para editar uma antologia poética que reunisse os 20 poemas premiados e outros que não foram nomeados mas também mereciam ter sido.
E aqui está o resultado,  cerca de 70 poemas de 62 autores, reunidos num livro cujo lançamento será no próximo dia 26, pelas 15h30m, no Museu João Mário, em Alenquer.


Chamamos ainda a atenção para o cariz humanitário que esta edição irá ter pois por cada exemplar vendido serão doados 2€ à Mithós-Associação de Apoio à Multideficiência, uma instituição que, como o nome indica, trabalha em prol dos cidadãos portadores de deficiência, na zona de Vila Franca de Xira e Vale do Tejo, sem qualquer fim lucrativo, e que visa proporcionar às pessoas portadoras de incapacidade ou deficiência actividades que estimulem as suas capacidades bem como a sua auto estima, o apoio moral, social e legal às mesmas e a suas famílias, através de aconselhamento e encaminhamento.

Wednesday, 15 May 2013

Soberba Tentação


Soberba Tentação
Andreia Ferreira
Editora: Alfarroba
295 páginas

Sinopse:
Depois de descobrir que o sobrenatural não representa um medo irracional e que as criaturas caminham lado a lado com os humanos, Carla tem de enfrentar as consequências do seu envolvimento com o Caael.
Os demónios já deixaram marcas na vida da Ana e da Raquel e a Carla começa a sentir algumas dificuldades em encontrar-se.
Entre lacunas na memória, sentimentos e novas preocupações, surge uma existência virada do avesso com a linha da vida mais ténue do que nunca.
Com a ausência do Caael, assomam revelações que levantam um plano ancestral de uma disputa entre iguais. A Carla vê-se num tabuleiro de xadrez, como um rei isolado, com a rainha a jogar contra ela.

A crítica ao primeiro livro é o post mais visto de todos os tempos aqui no blogue... vocês até pensariam: será que o segundo vai ser assim? Nah, I don't think so.

Depois de um início fraco, o segundo livro da trilogia começa a aquecer e a ter um objectivo. Se tivesse lido os livros antes de serem publicados, tinha sugerido à autora unir os dois livros de forma a que o leitor soubesse desde o início qual o propósito da saga. No entanto, continuamos com um problema – o facto de Carla ser uma personagem inútil e muito fraca para principal. Claro que nem todas as personagens têm de ser badass, mas sinceramente neste segundo livro ela, mais que nunca, chora e é inútil tendo de ser protegida por outras pessoas, porque ela não faz nada. Pessoalmente, não tenho nada contra personagens fracas: num conto de Angela Carter a personagem principal cai na armadilha como mulher do Barba Azul e só é salva pela mãe no fim que mata o marido. Mas ao menos durante a lua-de-mel, a personagem apercebe-se no que se meteu e quer sair. A Carla mesmo depois de saber tudo sobre a natureza de Caael, continua feita burra do tipo “Ai não me acredito! Ai não pode ser.” Bitch, eu disse que ele queria sacar-te os rins! Conheceste o rapaz assim do nada e pensavas que ia ser amor eterno? God, you’re dumb! 

Julgo que a autora não tem qualquer encanto e simpatia por ela, a Carla tem demasiadas falhas e aliás isso nota-se quando sabemos da profecia que é o verdadeiro twist e só mostra como ela nem sequer devia de ser a personagem principal, mas sim o Caael ou o Ricardo. Seria muito fixe vermos a história pela neutralidade do Ricardo, que começa como uma secundária, mas torna-se bem mais fixe que Carla ou até Caael.  Caael, que neste segundo livro, está ausente (tal como o Edward no Lua Nova e tirando a revelação do twist nada mais se passa) para que Carla se aproxime de Ricardo.

Sinceramente, adorava que no terceiro a Carla parasse de chorar de uma vez por todas e pegasse numa arma e sacasse os rins ao Caael e dissesse “Where’s your God now?” (momento épico!), ok pronto isso era se eu escrevesse a história, mas hey ia ser um final lindo. A Carla tornada num monstro sem sentimentos por causa da manipulação de Caael, o Caael a ficar em pânico porque os seus planos iam falhar e o Ricardo… bem esse está bem como está, mas também gostava que ele ajudasse a Carla a mostrar-lhe um mundo sem sentimentos, run by insticts como por exemplo: vingança. Gostava que o Ricardo se tornasse seu mestre e guia para ela se tornar um monstro. Oh come on, admitem ia ser um grand finale, negro, com calafrios, anjinhos góticos a cantarem… ok, ok já parei!

Ainda não me habituei muito ao estilo de escrita da autora, até porque houve momentos que ri-me com a escolha de palavras, especialmente quando há coisas como “Tinha folhas agarradas ao cabelo e tirou-as com tanta pressão que arrancou madeixas.” (173), what? Primeiro, ouch quem é que arranca cabelos a tirar folhas? E segundo ela não fez pressão, fez força é diferente. Ou então “Tocou-lhe, abraçou-o com o outro dedo e ergueu-o.” (200) What do you mean abraçar com o dedo? Ou então usa e abusa da purple prose “A lua convertera-se num desenho difuso pintado no céu quando o azul começou a preencher o horizonte.” Tradução para o pessoal: anoiteceu. Ou: “soltou uma onomatopeia.” Porque claramente dizer a onomatopeia é demasiado mainstream! 
Also tem algumas gralhas e erros e notas do autor que nem deviam de existir, porque sinceramente se o autor acha que os leitores não sabem quem é o Harry Potter ou o Casper então não referenciem. Os leitores não são burros ao ponto de não saberem ir ao Google e se for alguém de idade (tipo 60 anos porque até a minha mãe de 50 sabe quem é o Harry Potter e o Casper e sabe muito bem o que são “cotas”), não sei porque raio é que as notas estão lá. As de tradução, claro devem estar lá para quem não sabe inglês, agora o resto não. Big no, no!

E pronto aqui vai o resumo:
Pontos positivos: há um objectivo/ há mais Braga como setting/ o Ricardo fica uma personagem fixe;
Pontos negativos: continua a parecer Twilight/ a Carla continua burra como tudo, mas todos gostam dela porque… não sei. Ela não é nada likeable, mas pelos vistos deve ter umas boas prateleiras;
A melhorar: revisão do português e menos purple prose.

Tuesday, 14 May 2013

[Divulgação] Projecto Adamastor e a Editorial Divergência

Projecto Adamastor:

O Projecto Adamastor tem como principal objectivo atenuar essa escassez através da criação de uma biblioteca digital de obras literárias em domínio público, obras essas que serão disponibilizadas de forma gratuita e em formato EPUB, sem qualquer tipo de restrição.

A lenda

A Lenda
Inês Cardoso
Editora: Chiado Editora
260 páginas

Sinopse:
Quando Alice vê a coruja pela primeira no dia em que tudo muda, nunca espera voltar a ter outro encontro com este animal nocturno tão inteligente. O que acontece depois é ainda mais inesperado e causa uma reviravolta na vida de Alice.
Quando se vê num novo mundo severamente controlado pela violência, Alice pode apenas contar com o misterioso rapaz que ajuda a desvendar os segredos bem escondidos desta nova sociedade e que lhe conta acerca da Lenda que é a única esperança que resta a este povo condenado. Mas poderá mesmo Alice confiar neste rapaz? Será ela a verdadeira Alice da Lenda? Uma ida ao castelo pode mudar a perspectiva de Alice face a tudo o que sempre pensou ter como garantido.
Primeiramente baseado no conto tradicional de Alice No País das Maravilhas, este livro mostra-nos um País das Maravilhas muito diferente do que todos conhecemos, baseando-se também nas emoções fortes vividas durante a adolescência, essencialmente o amor, o medo e a vingança.

"A lenda" é um livro escrito por uma rapariga de 16 anos que, consegue por vezes bons momentos narrativos, mas por outros a idade da autora cobre uns momentos menos bem conseguidos. Isto poderia muito bem ser uma fanfiction de Wonderland, mas em vez de uma coelho temos uma coruja, a Alice está lá, o Hatter também e a Raínha de copas, embora não se chame assim, Carmen é o seu nome, também temos uma raínha má e tirana. A nível de narrativa, a estrutura está boa. A história está bem criada para algo que começou como fanfiction, companha-se bem , tem alguns pedaços de worldbuild que se pode acompanhar sem recorrer ao infodump e transmite valores ainda que básicos como a amizade, coragem e o bem contra o mal, onde o bem sempre vence.

Sunday, 12 May 2013

The old sport

O Grande Gatsby
F. Scott Fitzgerald
Tradução: Fernanda César
Colecção: Clássicos
Pp.: 168

No site da Europa-América:
De 6 a 16 de Maio decorrerá uma campanha com 40% de desconto sobre os livros de F. Scott Fitzgerald. Esta promoção insere-se no âmbito da estreia do filme The Great Gatsby, a 16 de Maio, e cujo elenco fazem parte Leonardo DiCaprio, Carey Mulligan e Tobey Maguire.

Saturday, 11 May 2013

A linguagem vitoriana das flores

A flor do desejo
(The art of seduction)
Cherie Feather
Editora: Quinta Essência
254 páginas

Sinopse:
Mandy Cooper, directora do Museu de Arte Feminina da Cidade de Santa Fé, há muito que admira a pintora Catherine Burke e segue com interesse a história da intensa relação amorosa que a artista do século XIX manteve com Atacar, um belo americano nativo. Contudo, a ligação de Mandy ao casal vai estreitar-se ainda mais. Mandy envolve-se com Jared Cabrillo, o perigosamente atraente sobrinho-bisneto de Atacar, naquela que será uma relação escaldante e avassaladora. Jared, por sua vez, esconde um segredo que vai mudar a vida de todos. Na posse do diário íntimo de Catherine, que muitos pensavam estar perdido para sempre, conhece todos os desejos e fantasias da artista. E decide recriar na sua relação com Mandy a paixão escaldante que uniu Atacar e Catherine. Ele sabe exactamente como conquistar uma mulher, incluindo o recurso à simbólica e sensual linguagem das flores… Mas Jared sabe também o quão intensamente Catherine amava Atacar e o quão perigosamente ele a amava. Será amor o que o une a Mandy? O diário de Catherine é intemporal, simultaneamente romântico, sensual e trágico. Mais de cem anos depois, os segredos contidos nas suas páginas tanto podem unir Mandy e Jared para sempre como destruí-los a ambos - atrever-se-ão eles a amar depois de tudo por que passarem? A Flor do Desejo é uma história envolvente sobre dois romances separados pelo tempo, mas unidos e marcados pela mesma paixão arrebatadora.

Friday, 10 May 2013

Tidy friday #10



Finalmente, aleluia, Allah seja grande passei duas semanas onde publiquei não uma, não duas, nem três, mas 6 reviews! Meus filhos, isto é melhor que o Totoloto, que ganhar o Euromilhões! Três reviews por semana é bom, digam que siiiim para eu ficar feliz – embora a coisa não se vá aguentar por muito tempo mas primeiro, notícias boas:

Thursday, 9 May 2013

Escravas: parte I - Vendidas


Para dar início à rúbrica "Em busca do Médio Oriente", escolhi o livro "Escravas" de Zana Muhsen e Miriam Ali da ASA. Não é dos livros mais bonitos para começar uma rúbrica, já que o conteúdo deste é bastante cruel. Contudo, Escravas é um livro bonito, ainda que escrito por dois ghostwriters que vêm anunciados. Gostei dessa sinceridade. Confesso que à própria Zana e Miriam ser-lhes-ia muito difícil escrever sobre a angústia que passaram durante anos, a melhor forma de passar esse testemunho seria através de um outro autor. Andre Croft foi exímio na sua tarefa de passar os sentimentos de Zana para o papel.

Monday, 6 May 2013

O inferno de Gabriel

O Inferno de Gabriel
SYLVAIN REYNARD    
Editora: Saida de Emergência
Nº de Páginas: 512

Sinopse:
O enigmático e sedutor professor Gabriel Emerson é um reputado especialista na obra de Dante. Mas à noite dedica-se a uma vida de prazer sem limites, não hesitando em usar a sua beleza de cortar a respiração para manipular as mulheres a satisfazerem cada capricho seu. Talvez por isso se sinta torturado pelo passado e consumido pela crença de que está para lá de qualquer salvação. Quando a jovem Julia Mitchell se inscreve como sua aluna de pósgraduação, Gabriel não consegue ficar indiferente. Ela é linda, deliciosamente inocente, um diamante em bruto para ele polir. Sempre que Julia se apercebe do olhar de predador dele, espera sentir receio, mas o que verdadeiramente sente é uma estranha luxúria que a assusta. Desejando desesperadamente possuí-la, Gabriel põe em perigo não só a sua carreira, como ameaça desenterrar segredos de um passado que preferia manter oculto. Uma história inebriante sobre amor proibido, luxúria e redenção, O Inferno de Gabriel retrata a jornada de um homem que procura escapar do seu próprio inferno pessoal enquanto tenta conquistar o impossível: perdão e amor.


O Inferno de Gabriel, embora tenha sido carimbado como um dos sucessores do fenómeno mundial das Cinquentas sombras de Grey, não tocou sequer no tema do bondage e sadomasoquismo, tendo apenas a editora pegado na fama e distribuído o livro como tal, apenas como uma estratégia de marketing.

'Dante and Beatrice'
por Marie Spartali Stillman
O melhor que “O inferno de Gabriel” tem é o facto de se aliar ao clássico da Divina Comédia e do famoso amor entre Dante e Beatriz para construir uma história contemporânea com valores do amor medieval. O livro dá continuidade a algumas partes características que apareciam no fenómeno das cinquenta sombras, nomeadamente no facto da personagem de Gabriel ter um passado negro, ser rico e ter um cargo alto como professor na faculdade, ao passo que a personagem de Julia é desastrada. Contudo, as semelhanças terminam aqui. Julia é uma mulher inteligente e, ainda que tenha sido impedida de seguir um futuro melhor por causa da falta de dinheiro, isso não a impede de conseguir seguir a sua tese de mestrado em Dante. Reynard deu ainda continuidade a uma tendência dos romances actuais, ao colocar a personagem de Gabriel com um temperamento ora calmo, ora furioso e a maltratar a pobre Julia, que está completamente desfeita por ter terminado recentemente uma relação abusiva. Julia é a personificação da mulher-anjo de Beatriz, pura, casta e a musa de Dante.

Sunday, 5 May 2013

Um romance português insosso


Todas as Palavras de Amor
Ana Casaca
Páginas: 208
Editor: Editora Guerra & Paz

Sinopse
Numa viagem em busca de si mesma, Alice escreve a primeira de muitas cartas a um grande amor. Não imagina que, na morada para onde envia as cartas, vive António, um homem que nunca viu. O homem recebe a primeira carta e as palavras daquela mulher que também não conhece, confrontam-no com aquilo de que sempre fugira.
Alice é uma mulher divorciada à procura do seu próprio rumo. António é um padre que, nunca ousou trilhar o caminho do amor. Todas as Palavras de Amor é um romance que começa com a surpresa de um engano. Depois, em páginas de uma escrita fulgurante, aprendemos que um engano talvez seja a melhor forma de modificar duas vidas para sempre.

Ana Casaca não é nenhuma escritora. Isso sente-se na forma atabalhoada como escreveu o romance “Todas das palavras do amor”, criando uma necessidade ora de arrastar a história, ora de criar múltiplas tragédias perto do fim, como se de uma telenovela se tratasse. Falta de sentimentos num romance é grave. Às personagens criadas por Casaca faltam sentimentos, conexões, situações criadas pela autora para que consigamos sentir que as personagens não são ficção, mas sim pessoas como nós. O estilo epistolar não ajuda a criar esta conexão, serve apenas para afastar o leitor. As cartas, embora escritas com um romantismo muito á flor da pele, não passa para nós, visto faltar mais situações reais, sem ser-nos dito pelas personagens, para que acreditemos que os casais são feitos um para o outro. O livro é demasiado curto para criar e está muito longe de ser “o melhor livro do ano”. Aliás, é o contrário. É só mais um livro, que podia ser bom, que podia ser bonito, mas que não o é. Que tenta passar um sentimento sem que a autora tenha capacidade para tal. Não sabemos nada das personagens e elas envolvem-se instantaneamente, forçando o leitor a acreditar que eles se amam. Casaca foi no entanto inteligente em criar problemas que dificultassem a vida das personagens (tal como uma novela), contudo, se quiser ler sobre padres, leio “O crime do padre Amaro” e se quiser ler um romance epistolar bom, prefiro “A paixão do jovem Werther” de Goethe. Um livro que tem muito por ordem explorar e que deixa demasiadas perguntas em aberto, sem se preocupar com detalhes importantes para criar uma relação entre livro – leitor.

Saturday, 4 May 2013

Como enviar um manuscrito para uma editora?

Escrever um livro não é fácil, mas enviar para as editoras também não! Quando aceitei receber manuscritos, muitas vezes recebia-os mal formatados, coisas não justificadas com buracos enormes entre parágrafos, ou então capítulos atolhados. Sabemos que a apresentação conta e bastante para uma editora, quanto mais profissional o seu manuscrito se parecer, melhor será a suia conotação para com o editor. Há pequenos segredos que nem sempre os autores conhecem e por vezes depende de editor para editor, mas enquanto no estrangeiro, as editoras revelam o formato que querem, em Portugal, nem por isso. Brevemente irei explicar o que fazer e o que não fazer num manuscrito e depois um pouco do resumo que é enviado para as editoras.

PS: este não é daqueles posts com segredos para ser publicado por ma editora! Ainda não cheguei tão longe, mas quando souber publico aqui um desses, até lá acredito somente no poder do factor C! E no factor de um manuscrito com boa apresentação e no talento...

Thursday, 2 May 2013

Quem feio ama... How Beauty Met the Beast

How Beauty Met the Beast 
Tales of the Underlight #1
Jax Garren
Editora: Carina Press
152 páginas (38.000 palavras)


Este livro é muito pequeno, como podem ver nem chega às 50 mil palavras, mas por mais pequeno que seja é daqueles tipo de fantasia que nos aconchegam o coração.

Hauk é um agente da Underlight em fuga numa perseguição quando entra no quarto de Jolie, uma mulher que trabalha no cabaret para pagar os seus estudos. Quando os dois se encontram na noite, Hauk seduze-la e ambos têm um encontro escaldante bastante rápido, mas que fica na memória de Jolie. Nessa noite, ela é raptada e um homem desfigurado salva-a. Esse homem é Hauk, com o corpo queimado, repleto de piercings, só os olhos e a boca se salvaram. A missão de Hauk é salvar a irmã de Jolie.

Um conto de fadas de época

O Beijo Encantado
Eloisa James
Editora: Quinta Essência
Preço: € 16.6

Forçada pela madrasta a ir a um baile, Kate conhece um príncipe e decide que ele é tudo menos encantado. Segue-se um esgrimir de vontades, mas ambos sabem que a atracão irresistível que sentem um pelo outro não os levará a lado nenhum. Gabriel está prometido a outra mulher - uma princesa que o ajudará a alcançar as suas ambições implacáveis. Gabriel gosta da noiva, o que é uma surpresa agradável, mas não a ama. Obviamente, deve cortejar a sua futura princesa, e não a beldade espirituosa e pobre que se recusa a mostrar-se embevecida. Apesar das madrinhas e dos sapatinhos de cristal, este é um conto de fadas em que o destino conspira para destruir qualquer oportunidade de Kate e Gabriel poderem ser felizes para sempre. A menos que um príncipe abdique de tudo o que o torna nobre. A menos que o dote de um coração indisciplinado triunfe sobre uma fortuna. A menos que um beijo encantado ao bater da meia-noite mude tudo.


Esta história começa com uma carruagem que nunca foi uma abóbora, embora fugisse à meia-noite; uma madrinha que perdeu o rasto da sua pupila, embora não tivesse varinha de condão, e várias pretensas ratazanas que secretamente teriam gostado de andar de libré.

Eloisa James reconta o conto de fadas da Cinderela, enquadrando num romance de época com personagens típicas do romance de época típico dos dias que correm. Existe um fosso bem grande entre uma das primeiras versões da história da Cinderela ou Aschenputtel (como é denominada na língua alemã, em português Gata Borralheira), e as versões da Disney. James pega na espinha da história da Cinderela: rapariga órfã, escrava da sua madrasta, sem nada que conhece um príncipe. As semelhanças acabam aí. Embora a primeira versão de Aschenputtel seja bem mais negra: as irmãs cortam os calcanhares para calçar o sapato de vidro e durante o casamento os seus olhos são arrancados por corvos, James decide ir por uma versão mais light e romântica, fazendo bom uso da mensagem: segue o teu coração e quem amas e manda o dever às favas! Na versão alemã, as irmãs são castigadas por serem más, contudo na versão de James, sentimos que estamos a seguir uma história cor-de-rosa, a madrasta não é assim tão má, nem as irmãs, a própria Kate comete erros e o príncipe está longe de ser um modelo de virtudes. Estes tons cinzentos das personagens contribuiu para uma valorização do livro.

Wednesday, 1 May 2013

Vencedoras dos passatempos de aniversário

Aqui estão o nome das duas vencedoras. Para a semana teremos novos passatempos :) Notei que nas respostas, muitas foram "mais passatempos" ou então "críticas de livros mais actuais". Vou tentar fazer mais passatempos, embora não tão regular como outros blogues, apesar de tudo os passatempos aqui são miminhos e não regra geral. Segundo, as críticas mais actuais: working on that! Estou a ler livros em inglês que ainda não saíram e alguns em PT que saíram há pouco tempo, mas nem sempre as novidades portuguesas me aliciam. Mesmo assim, sempre é bom receber feedback dos leitores :) As autoras serão contactas via e-mail.

VENCEDORA DO PACK PARANORMAL: