Saturday, 27 July 2013

O quê? Ninguém reclamou que a Tidy estava atrasada? Está tudo de férias!

Oh dear, hoje foi de loucos. Para além de ter amarrado o meu homem à cadeira para me resolver o problema do Skype que levou quase 3h, ter procurado pela colecção dos livros do Correio da Manhã e ter visto o "Pacific Rim"... yeap it was a busy Friday.E ainda tive tempo de reiteirar que The Mortal Instruments sucks! Seriously Cassandra Clare? A chosen one? -.-" História cliché, personagens que cheiram a típicas do YA e meh. Se quero ver monstros vou ver o Hellboy que ao menos tem personagens awesome e cenas gore. Ah well, vamos mas é falar de livros.

Bem, esta semana estive a ler sem parar a Sherryl Laurenston. Eu sei que muitos de vocês não a conhecem, foi a autora Carla M. Soares que me aconselhou e OMG I love her! A autora colmata uma falha enorme nos livros de paranormal de hoje em dia que é: personagens típicas/modelos e worldbuild pouco desenvolvido. As personagens femininas dela são completamente doidas varridas, lindas, respondonas, tão fofas! *.* Oh I love them. Acho que já li 5 livros ou 6 livros dela só estas duas semanas, cheguei ao cúmulo de ler dois por dia! Por isso, experimentem e por favor editoras PAREM de traduzir erotica da caca e foquem-se nesta senhora que ao menos tem a decência de criar personagens com personalidade, situações muito engraçadas e misturar erotica com paranormal. Ai se eu tivesse dinheirinho para apostar em autores estrangeiros...

Erm... Literatura?

O tema de hoje ia ser Saramago, certo? Siiim! Mas para não me chatear muito vou ser sucinta e defender a minha teoria em bulletpoints:
- Saramago não ganhou o Nobel por causa da sua pontuação;
- Saramago ganhou o Nobel devido às suas histórias extraordinárias e grande capacidade criativa;
- Saramago não cometia erros de pontuação;
- Saramago reinventou a pontuação e ainda não encontrei nenhum autor que conseguisse utilizar tão bem aquele tipo de pontuação senão ele;
- Quando os autores dizem que Saramago dava erros de pontuação e por isso eles também podem dar:
a) eu assumo que a pessoa é idiota e não sabe o que fala;
b) eu assumo que a pessoa nunca leu/estudou Saramago;
c) eu assumo que provavelmente a pessoa está a repetir o que os profs. lhe disseram e, ainda pior, a pessoa não tem espírito crítico;
d) eu assumo que a pessoa tem problemas de ego e precisa de se comparar a Saramago para se sentir bem consigo própria.

Por isso, meus amores, quando vocês dizem: Saramago dava erros, seriously shut the f*ck up! Vocês não ganharam um Nobel, não escreveram um livro, escreveram uma caca com erros graves. Tenham respeito pelo homem. Eu não vou alimentar os vossos egos danificados e dar-vos palmadas nas costas. So, peguem no Saramago, estudem umas 5 páginas, leiam em voz alta e depois aí sim, digam o que acharam.

What about personality?

Enquanto estava a ler dois manuscritos, como editora, apercebi-me de uma coisa: oh meu Deus, estas personagens são completamente ocas. Com o desenvolvimento do YA, as autoras começaram a seguir um modelo de personagens: as escolhidas, as perfeitas, as rebeldes, etc. Sendo que a atribuição de personalidade é importante, porque é que alguns autores parecem esquecer esta pequena parte? Porque é que muitas vezes o leitor não consegue criar qualquer tipo de empatia para com a personagem?
Primeiro:
Criar uma personagem principal é MUITO difícil:

Sim, leram bem, é hard as f*ck. Não é só chegar, ok quero uma personagens assim e assado et-voilá. O autor tem de ter em mente como quer a personagem e depois ligar essa personagem à história para se complementarem. Se a história é um policial visto aos olhos de um assassino, temos de saber o que queremos dele. Queremos que o assassino seja construído como se fosse uma pessoa normal para no fim o choque ser maior? Queremos que ele tenha uma personalidade destorcida? Este é o primeiro passo e o mais básico. Se ainda não passou por esta fase, sugiro que o faça.

Segundo:
Ok, já sei o que quero que a minha personagem seja e agora?

Esta é a parte complicada. Nem todas as pessoas têm jeito para escrever certas personagens. Por exemplo, eu não consigo escrever personagens doces e inocentes. Não consigo escrever personagens de romances light típicas. Eu tento, mas não consigo e hey, I'm fine with that. Se me apetece escrever um conto mais light, simples tento meter uma característica unsual para uma personagem típica daquele romance. Normalmente a construção da personagem surge consoante o desenvolvimento da história: and it should. Vocês não querem uma personagem que estagne, querem uma que evolua, uma que esteja em mudança, uma que aprende com os erros ou façam erros mas que não seja tótó. Isso é complicado. Cair no erro do facilitismo é simples. Se escrevo erótica BDSM vou criar uma submissa tímida e ignorante do mundo e um Dom experiente e rico. WRONG! Facilitismo. E vocês dizem: mas Ana, se calhar eles não se preocupam com as personagens, mas ao menos podem-se concentrar na história. WRONG AGAIN. Não existe tal coisa como: eu vou pegar nisto que já está feito e desenvolver o resto. Não funciona, é lazy e podem cair no erro de os leitores detestarem a personagem e isso pesar na avaliação final.

Character is KING... and Queen.

Terceiro:
Como vou adequar a personagem ao meu estilo de escrita?

Bem, sim, essa parte também é tricky e segundo o Stephen King: não há uma winning fórmula de escrita. Se houvesse muita gente já era milionária. Podem perguntar: então a E. L. James está rica, né? Certo, mas quanto tempo dura essa fórmula que ela escreveu e que já era mais que batida? Pensam que a L. James foi a primeira a escrever sobre Doms ricos? No entanto, porque é que pegou? Simples, combinou Twilight com algo tabu e abarcou todas as mulheres desde os 18 até aos 40 anos, e tendo em conta que há mais mulheres que homens... I say that was a winning scheme. Contudo tem um problema. Não se pode voltar a repetir e esgota-se em si própria. Se fosse uma fórmula boa não se esgotava e a verdade é que esgota-se muito pouco tempo depois de se ler.
O problema dos autores é dramático: não conseguir escrever a personagem que criaram. Podem ter uma personagem maravilhosa, fantástica - se escreverem mal, não há personagem que vos safe. Se vocês não tiverem uma história que consiga suportar essa personagem, não há nada que vos safe. E por vezes os autores mais inexperientes cometem esses erros. Não sabem como escrever uma personagem ou não sabem mas escreverem à mesma e acaba por se tornar noutra coisa. Um desses exemplos mais básicos aparecem nos livros light onde a narradora descreve a personagem feminina como forte, no entanto as acções ditam que a personagem é fraca. Este é um claro exemplo de uma autora que quis criar uma personagem com X qualidades, mas acabou por arruinar tudo com as acções na história que a ditaram como fraca.
Piece of advice: nunca caracterizem directamente as vossas personagens. Pelo menos enquanto estão a escrever o vosso primeiro livro. Principalmente porque podem estar a tirar toda a fun do leitor em descrever a personagem dentro da mente deles e segundo porque podem cair nestes erros sem quererem.

Se são autores e acham que não são a pessoa indicada para escrever aquela personagem, têm duas opções:
a) Escrevem outras coisas e quando se sentirem preparados, pegam nela;
b) Mudam a personagem para algo que consigam adaptar e sentem-se confortáveis.

E eu sei que nem sempre é fácil aprender a teoria e depois aplicá-la. Escrita só se aprende com muita prática ou anos a olhar para o manuscrito e para o plano.  Nem todas as pessoas depois disto conseguem ser autores, I am aware of that. Mesmo assim mais vale ter este pequeno feedback que nada.

Agora sim, a Tidy vai de férias e regressa em Agosto!
O google não reconhece a tag: gajos bons, sniff!

1 comment:

  1. Hipótese: aquilo que a personagem pensa dela própria vs aquilo que as outras personagens pensam dela

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