Friday, 19 April 2013

Tidy Friday #8



Feliz dia dos cancelamentos! 


Sinceramente hoje mais parece isso e afecta o Porto. Primeiro esqueçam a feira do livro. Não é nenhuma surpresa, sempre que ia lá se não fosse a Happy hour e alguns livros do dia, aquilo de promoções era o mesmo que ir à Worten. Basicamente a APEL e as editoras esqueceram-se das definições de “feira”, porque preferia mil vezes ter uma feira do livro no Bolhão com as senhoras a verem quem é que grita mais alto:

Olha o livro baratinho! 5€ menina, 5€!
Olha o livro a 1€, coisas mais lindas, minhas carinhas larocas!
(íamos ter livros baratos e elogios!)

Aquilo era mais um show-off de livros recentes, sim porque eu fiz uma lista de livros e não tiveram esses livros durante 2 semanas! E depois livros que custavam 30€ com um desconto de caca a custarem 26€, tipo uau 4€ mais barato, que fixe!... Não, meus queridos… não! Para isso mais vale aproveitar as promoções nos sites das editoras. Por isso, não posso dizer que estou chocada ou triste, claro que ainda aproveitava algumas coisas boas, alguns livros desconhecidos a 3€, livros da colecção Argonauta a 1€, mas livros das editoras maiores era quase impossível. Por isso acho que bem que peguem num tempinho e a APEL e as editoras reflictam se há necessidade de uma feira do livro que não é bem feira, é uma Worten/FNAC/ Bertrand alargada.

Em segundo lugar, outra vez feliz dia do cancelamento! A Saída de Emergência anunciou ontem que, para celebrar o dia mundial do livro, dia 26 de Abril, ia disponibilizar 12 mil livros de borla nas agências da Caixa Geral de depósitos. Basicamente esta foi a nossa reacção:
Hoje, contudo, acordo eu linda e esplendorosa do meu sono de beleza regenerador, para descobrir que afinal foi tudo cancelado, pois: 

A CGD alegou que alguns livros continham linguagem com o potencial de ferir a suscetibilidade de alguns clientes, não os considerando adequados ao posicionamento e imagem do banco.


Eeeeerrrr… WHAT? Acordo eu linda e maravilhosa para isto? Para ver uma iniciativa que decorria em TODO o país, não só na mal-cheirosa Lisboa, para… ser… cancelado porque os senhores da CGD deram em juízes de literatura? Como é possível que os bancos consigam irritar os portugueses e os bloggers ao mesmo tempo? É uma proeza, meus caros! Só os bancos conseguem irritar os pobres dos bloggers, que nem dinheiro têm para livros e mais de metade da população de Portugal que está tão tesa como nós.


Lançamentos:

Esta semana foi lançada a Antologia de fantasia e ficção científica da Fénix, disponível online e grátis em .pdf, .epub e .mobi. Lá encontram um conto meu: Procura-se homem para satisfazer dona de casa, podem ler e depois dizer o que acham! 
Esta semana também nasceu uma editora nova portuguesa de Ficção Especulativa, a editorial Divergência que está neste momento a aceitar manuscritos inéditos para publicação de ficção científica, fantasia e terror.
Hoje à noite ficará também disponível a ANTHOLOGY OF EUROPEAN SF organizada pelo Roberto Mendes e Christian Tamas.

NaNoWriMo:

Esta semana só escrevi dois contos (ok escrevi um e traduzi outro) e depois de encontrar problemas na novel (damn you time travel, you're a bitch!) decidi explorar o Now Novel onde podem ler aqui e aqui, o que a ferramenta online tem para oferecer aos autores.
O conto que escrevi será para a semana especial do Fantasy & Co sobre homenagens! Quem adivinhar que autoras vou homenagear num só conto leva uma cookie!

Blogosfera:

Estão a ver aquelas pessoas que me metem tanto nojo, tanto nojo que só me apetece espancá-las? Ah não esperem, não, não! Não me estou a referir a nenhum(a) blogger! COME BACK!!! Estou-me a referir ao sr. CEO da editora "Livros d'ontem" que publicou duas coisas no P3 (suplemento do Público), um sobre autores e truques para serem aceites numa editora. Vejamos e analisemos:

1) O original. Obviamente terá de começar por escrever um livro. Para esta fase, dois conselhos: originalidade e enquadramento.
Eu penso, muito bem! Precisamos de ser originais e reinventar aquilo que já foi feito, cativar, sim sra. muito bem.

2) Produzir conteúdos. Os leitores estão constantemente expostos a quantidades infindáveis de informação e tendem a perder a atenção. O autor tem de gerir uma comunidade de seguidores e alimentá-la com conteúdos regularmente para não se perder no meio de tanto ruído.
Se por isto, o sr. queria dizer fandom, erm não concordo! Primeiro sou autora, não gestora de marketing, se tiver fandom, fixe, senão não vou andar a ser uma chata e a "gerir" os meus seguidores. Cabe-me a mim escrever, divulgar q.b. e escrever mais. Nota-se o que está a acontecer com o George R. R. Martin, cujos fãs andam a chateá-lo até à morte. Acho que cada pessoa tem o seu espaço e tempo. 

3) Divulgar o seu trabalho. Quantos livros existem no mundo?
Ok, sim divulgar e a editora fica a coçá-los como muitas fazem, não é? Então eu tenho de escrever, divulgar, gerir a minha comunidade... e o sr. ainda diz mal das Pods! Estes conselhos são para autores auto-publicados! Quem deve divulgar é a editora e o autor ajuda! Não o contrário.

4) Imagem pessoal. Vivemos no mundo das marcas. 
Por isso já sabem meninas e meninos, se querem ser aceites por uma editora mandem fotos em bikini depois de um mês no ginásio, façam uma tatuagem daquelas que ninguém tem, pintem o cabelo de azul e assim dá para serem uma marca! Em vez de serem uma autora, mas... acho que já não importa o facto de serem autoras neste momento.
Ora bem, pintar o cabelo de azul - check!
Quero todos os autores a ficarem pweetys!!
5) As editoras. Só depois de tudo isto deverá procurar uma editora. Lembre-se de que as editoras são empresas à procura de lucro, nenhum editor irá publicar o trabalho de um desconhecido. Mostrar trabalho feito e alguma base de seguidores é meio caminho andado para a publicação.
PAROU TUDO!!! DESCAMBOU!! PAROU! Nenhuma editora publica o trabalho de um desconhecido? Carambas, eu bem me pareceu que a Sandra Carvalho, o Fábio Ventura, a Carla M. Soares, a Susana Almeida, a Sónia Louro! Ai os malandros, eu bem me pareceu que os conhecia antes... Is this guy serious? Diz para nós auto-publicarmos porque ninguém pega em nós? É isso? É isso que você faz na sua editora? Recusa autores porque nunca publicaram nada? Não admira eu nunca ter ouvido falar da editora, então...

6) Contacto directo com o editor. Chegámos à parte complicada! Esqueçam a qualidade da escrita ou a brilhante abordagem à narrativa, nada disso importa sem os contactos certos que possam tirar o livro da gaveta.
AHHHH!! Então era isso... olhe obrigadinha! Ajudou-me muito... A sério, despeçam este CEO! Se precisou de 5 pontos para dizer o que TODOS sabem - que com cunhas, vai-se a todo o lado, o senhor ou pensa que somos burros ou que ele é muuuuito inteligente... mas, meu caro, não é nem uma coisa nem outra.

7) Carta de apresentação e sinopse. Livros há muitos e, geralmente tendem a ser longos. Um editor só irá ler aqueles que lhe chamarem a atenção. A melhor maneira para conseguir este feito é através de uma carta de apresentação e uma sinopse do livro.
Uma coisa que muitos autores não sabem é que a SINOPSE, não é bem uma sinopse. É um resumo de 2 páginas onde se diz TUDO sobre a obra, mas de forma resumida. Quantas vezes eu já não recebi sinopses de meia página que não me dizem nada sobre o livro. Corrijo isso com os autores e eles reformulam. Olhem e eu não sou CEO! Imagina se fossem. Ou seja, mais um ponto com os porcos que não diz nada.

8) Abordar o editor. O editor é responsável de uma empresa que procura lucros. Neste sentido, a abordagem ao editor deve evitar sentimentalismos e objectivos irrealistas. "Vou ser o próximo Saramago!", "Este livro é um Nobel garantido".
Concordo que não se deve dizer "sou o próximo Saramago", mas por outro motivo - é uma falta de respeito e é pretensioso. Humildade cai sempre bem, meus amores, eu prefiro que os autores provem o que valem com as primeiras 50 páginas. E nisso escusam de me abordar, meus queridos, vocês podem ser coisas lindas, fofas que se o vosso manuscrito tiver falhas graves, eu vou dizê lo. Podem ser meus primos em 5º grau, amigos de infância, I don't care. O editor procura lucros, verdade, maaaaaas também segue a tendência do mercado, lê os manuscritos e vê do molhe qual o melhor. Equilibrar qualidade com lucros é possível, mas se o editor estiver só a pensar nos lucros, a qualidade do livro vai ser como roleta-russa.

9) Apresentar o livro. Imaginemos que conseguiu a tão desejada publicação: o trabalho acabou de começar... As cópias não vão voar sozinhas das prateleiras das livrarias e o marketing das editoras portuguesas é no mínimo modesto.
Mas... mas... eu ainda só publiquei a merda do livro!!! Eu já o escrevi, revi... e o caralho da editora que está a lucrar à minha custa ainda se balda e sou eu que vou ter de fazer o marketing?? WTF??? EU AINDA NEM RECEBI MERDA DE CHEQUE COM O MEU DINHEIRO e já trabalhei mais que o caralho do editor! Não, meus amores, publicitar sim, fazer trabalho de editora NÃO!


10) O futuro. Parabéns, publicou um livro! Ainda ninguém o conhece. Escritores publicados há muitos mas apenas meia dúzia é lida e respeitada. O mais importante é não cair no esquecimento.
Não? Mas se só publicam autores auto-publicados ALGUÉM me irá conhecer, não? Não?

Está bem, foda-se, desisto! Não quero publicar porra de livro nenhum em Portugal se as editoras são assim, baldas, que fogem das suas responsabilidades e ainda tenho de ser eu a fazer o trabalho todo!

Sim foi basicamente esta a imagem que o sr. CEO deu das editoras portuguesas: baldas, que só publicam com cunha e que temos de andar com falinhas mansas! I refuse to believe it goes this way!

Já fiquei cheia de dores de cabeça só de ler estas coisas! Vou ter de beber o meu cházinho calmante ler um livrinho fofo para que a raiva toda se vá! I need hugs... and cuddles!



8 comments:

  1. Considera-te abraçada LOL ou não, é como preferires!

    Aposto na Carla M Soares e na Liliana Lavado!
    Ganhei uma cookie? Só pelo esforço, devia... -.-

    Adorei :D

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  2. XD ok, ok são 3 autoras estrangeiras, duas americanas e uma neozelandesa ;)

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  3. Mas... mas... eu pensei que fossem portuguesas!!! (realmente, voltei a ler e não está lá nada!) -.- partidas da mente!

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  4. Pois eu aposto na Vivi Anna... fico-me por aqui, se calhar já falamos nisto uma vez qualquer, porque vêm-me logo outros dois nomes bem conhecidos à cabeça, um começado por A...

    Tenho que dizer que ou este senhor não está inteiramente bem informado, ou eu sou uma extra-terrestre. Não reconheço metade... que digo, dois terços do que ele diz na minha experiência. Não só não sou auto-publicada (não quis), como não tenho nem uma cunha e não sou assim tão jeitosa (em bikini ainda menos). Mandei o livro COMPLETO para a editora e ninguém me pediu mais nada. Fui muito bem tratada e, embora não esteja 100% satisfeita com a divulgação do meu livro, não fui obrigada a mexer uma palha. O que fiz, muito pouco, foi porque quis. E aceitaram outros originais meus para avaliar. Ponto final.

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  5. "...mal-cheirosa Lisboa"???? Comentáriozinho simpático....

    Bom fim de semana e que cheire bem por ai

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  6. Ya, essa da Lisboa cheirar mal caiu-me mal. Meramente por acaso até é no Porto que há mais prédios devolutos considerando o país inteiro. E em prédios devolutos todos sabemos que reinam as ratazanas no meio dos excrementos dos drogados... (que tal esta para comentário simpático?). Mas adiante. Seria interessante saber que livros a CGD considerou terem linguagem suscetível de impressionar os seus clientes (se é que de facto alegou tal coisa) até porque se me querem ferir a suscetibilidade deixavam de me enviar cartas a dizer que vão aumentar os juros do empréstimo à habitação. Isso é que eram heróis.

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  7. não podia estar mais de acordo sobre o que é dito da Feira do Livro do Porto. Detestei a mudança para a avenida, cheia de barulho e carros. Há uns anos atrás ir à feira para mim era sinónimo de encontrar aqueles livros que já dificilmente encontrava numa livraria, agora não vejo nada disso por lá. A última vez que fui não vi nenhum livro que não tivesse sido editado há mais de um ano, excepto aqueles de autores mt consagrados como o Saramago e outros.

    Aquilo que o tal CEO diz parece-me que se refere à nova moda que começou com o Fifthy shades em que a editora publica algo que já sabe que vai vender porque é suficientemente famoso. Uma moda idiota porque a maioria dos livros que ganham fama assim na internet não são bons nem sequer para passar o tempo, a maioria é lido por leitores inexperientes e que para eles aquilo é bom, mt bom. Tb já me convenci que as editoras não estão interessadas em vender bons livros, mas sim em vender, pelo menos uma maioria rege-se pelo lucro.

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  8. hehe it's friday :D só li agora XD e adorei o post again!

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