Thursday, 4 April 2013

Entrevista à autora L. C. Lavado



Hoje trago-vos uma pequena entrevista com a autora L. C. Lavado. Conheci a Liliana quando ela fez um "Call to arms" a bloggers interessados em fazer de beta-readers. Naquela altura, ainda só tinha "betado" um livro e aceitei o desafio. Nunca pensei que a segunda experiência fizesse com que descobrisse a paixão pela edição!

Liliana Lavado nasceu em Estarreja, Portugal, mas mora actualmente na Suíça. Publicou algumas das suas obras em formato de edição de autor na Amazon. Em Abril vê um dos seus livros “Inverno de Sombras” publicado pela chancela da Presença, Marcador. O Inverno de Sombras é um livro de fantasia urbana, com Lisboa como pano de fundo.



Illusionary Pleasure: Num tempo de crise, onde muitas editoras fecham as portas a submissões portuguesas, tu foste a autora “who did it”, que conseguiu furar a barreira e expor a tua obra nas prateleiras por uma editora tradicional. 
A primeira pergunta acho que é aquela que todos os autores portugueses ainda não publicados querem saber que é: ainda há esperança no mercado editorial português para jovens escritores?

L. C. Lavado: Talvez não seja a pessoa certa para o responder.
Se eu responder “sim”, vão com certeza seguir-se muitos rolares de olhos de quem está a ler esta entrevista, porque é fácil dizer que “sim, há lugar para os jovens escritores portugueses” neste momento em que o meu livro chega às livrarias para o provar.
Mas o que posso responder senão “sim”!?
É óbvio que para um escritor ser publicado ele tem de acreditar que existe lugar numa qualquer prateleira para o seu nome. Se não, qual é o propósito?


Illusionary Pleasure: Consideras que a tua aventura na Amazon e com os bloggers como beta-readers foi talvez o ponto de partida ideal para as editoras arriscarem?

L. C. Lavado: Sem dúvida!
Desde sempre fui defensora da auto-publicação. Hoje um jovem escritor não pode escrever um livro, enviar uma carta de apresentação a uns editores e sentar-se no sofá à espera que alguém se lembre que ele existe ou decida pegar na meia-dúzia de folhas que escreveu. Somos privilegiados por viver numa época em que não precisamos da permissão de ninguém para viver o sonho.
Foram as auto-edições na Amazon e os Leitores-Beta que geraram críticas, e as opiniões positivas falaram em nome do livro.
As editoras falam em números e com a auto-publicação é possível a um escritor fornecer n° de leitores, classificação quantitativa do livro, vendas, downloads, social media. Não é preciso ser um especialista para perceber que ter estes dados, falar a língua das editoras, é metade do caminho percorrido.



Illusionary Pleasure: Na tua biografia na Marcador pode-se ler: “(…) depois de repetidas visitas a livrarias sem encontrar nenhum livro que lhe apetecesse ler, resolveu que o melhor a fazer era pôr mãos à obra e escrevê-lo ela mesma.”. Achas que se calhar é isto que falta no mercado hoje em Portugal? Livros de autores portugueses com características próprias, mas que ao mesmo tempo sejam originais?

L. C. Lavado: Exactamente. Nós temos de ser capazes de escrever mais do que romances históricos (aqui até falo contra mim porque o meu livro tem uma base histórica) mas o que quero frisar é o “mais”. Somos portugueses, saudosos por natureza e não conseguimos deixar de olhar o passado, mas pelo menos podemos tentar fazer uma mistura audaz com... qualquer outra coisa que não seja apenas romance. Façam a Assembleia da República ser regida por um polvo gigante! Ressuscitem o Marquês de Pombal e ponham-no na Casa dos Segredos! Sei lá!


Illusionary Pleasure: Através do feedback que recebestes das beta-readers, apercebeste-te que o “Inverno de sombras” era o “the one”, ou submeteste-o simplesmente porque era o teu favorito e fazia parte de uma série?

L. C. Lavado: Sim, foram os Betas que me disseram que o “Inverno de Sombras” era o “the one”.
Aqui está uma prova de como a visão que o autor tem do seu próprio trabalho é uma porcaria (ou a minha é).
Quando comecei com o projeto dos betas, o primeiro livro que lhes enviei (e que tu tiveste a infelicidade estar entre eles) era o meu preferido “O Diabo dos Anjos”, que se veio a revelar o pior. Não houve livro que tivesse mais apontares de dedo que esse! Foi uma desgraça! Agora que o estou a reescrever vejo que tinham toda a razão. Como é que não vi antes? Não sei. Mas é a prova de como é bom ter mais do que um livro escrito antes de nos aventurar-mos na publicação.




Illusionary Pleasure: Por último, já praticaste a tua assinatura para dar muitos autógrafos quando vieres a Portugal um dia?

L. C. Lavado: É a segunda vez que me fazem esta pergunta e é com agrado que posso dar uma resposta diferente da primeira: sim, já descobri o meu autógrafo. Adoro quando os escritores nos rabiscam o livro todo e eu não o queria fazer por menos aos meus futuros leitores.



Inverno de Sombras
L. C. Lavado
Editora: Marcador
591 páginas

SINOPSE
Em 1833, em Lisboa, cinco monges reúnem-se para decidir o destino a dar a uma caixa secreta e à sua chave. Muitos anos depois, uma família ainda as guarda, escondidas do mundo através das gerações. Mas há alguém que entende que é a chegada a hora desse poder lhe pertencer e está decidido a encontra-las e a fazê-las mudar de mãos.
Os protagonistas desta história são seres mágicos, feiticeiros poderosos sedentos de sangue. Entre guerras e lutas, nasce uma história de amor inesquecível. Difícil será distinguir quem são os bons e os maus nesta trama.
Numa autêntica caça ao tesouro, as peças vão-se movendo como um jogo de xadrez, com momentos em que o tempo pára e é preciso suster a respiração.
A continuação ainda em execução:

Fantasmas de pedra
L. C. Lavado

SINOPSE:
Em tempos, ele foi a primeira Gárgula, o líder de um exército de fantasmas de pedra, guardião da magia, vigilante da humanidade. Em tempos, ele arriscou tudo em troca de um amor verdadeiro, e perdeu.
Esquecido pelo mundo real, Claude olha Lisboa com a resignação de quem é obrigado a existir onde magia e imaginação se tornaram sinónimos e nada resta senão mitos e lendas daqueles que um dia foram a família que ele traiu.
Mas a cidade das 7 colinas guarda o que ele nunca se atreveu a sonhar, e oferece-lhe mais uma vez a oportunidade de escolher.
Andrea está demasiado ocupada a tentar manter a sua vida na normalidade esperada de uma estudante universitária, a esconder poderes que não deveria ter, até que um beijo a faz perceber que afinal, ela estava apenas no mundo errado.
Espectros do passado vivem no presente. Segredos são apenas danos colaterais. A esperança um erro irreparável.

3 comments:

  1. Adorei a entrevista e já tive o gosto de ler duas obras da Liliana e fiquei absolutamente fã da sua escrita e das suas histórias.
    Como diz a Ivonne, eu também tenho duas versões de oiro ;)


    ReplyDelete
  2. Muito obrigada pela excelente entrevista Ana :) em breve espero que as nossas colaborações se expandam bem além das entrevistas ;)

    liliana

    ReplyDelete
  3. Gostei muito da entrevista que fizeste... ajudaste-me a obter resposta a algumas perguntas que também tinha! ;o)

    ReplyDelete