Thursday, 28 March 2013

Anne Bishop 2nd round: A voz


A voz
Anne Bishop
Editora: Saída de Emergência
128 páginas

Sinopse:


Uma obra original da autora da Trilogia das Jóias Negras, escritora consagrada nos tops do New York Times 
Uma novela pertencente ao mundo Efémera  
Numa aldeia vizinha da cidade de Visão ninguém conhece o sabor da mágoa e da angústia, mas essa comunidade, aparentemente idílica, esconde um segredo tenebroso. Quando era pequena, Nalah não percebia porque a mandavam levar um bolo à menina muda a quem chamavam «A Voz» sempre que se sentia mal. Sabia apenas que isso a ajudava a melhorar. Já crescida, desvenda esse mistério e anseia por fugir da aldeia opressiva onde sempre viveu. Só depois de visitar a cidade de Visão e de conhecer o Templo das Mágoas, compreende o que tem de fazer para se libertar…
A voz é uma noveleta no original com sensivelmente 66 páginas em e-book, traduzido pela Saída de Emergência em Fevereiro deste mês. Para quem já leu Belladonna e Sebastian poderão reconhecer neles um mundo bem construído e com muita imaginação. Embora a minha primeira experiência com a Bishop não tenha sido a mais agradável, "A voz" fez com que eu ficasse bem mais animada e me rendesse à escrita e imaginação da autora. 

Não sei se foi defeito meu de não ter lido nem o Belladonna, nem o Sebastian e, por conseguinte alguns cenários foram um pouco difíceis de imaginar. Essa é a única crítica que tenho de apontar ao livro/conto.

Bishop já tinha dado sinais de alguns temas mais sensíveis na "Filha de sangue", mas " A voz" tem sobretudo um carácter feminista e uma voz bem mais crítica em relação à opressão feminina. Nahlan é a protagonista que vive num mundo onde as mulheres são violadas/violentadas e forçadas a fazerem o que não desejam. 

“. . . I put three drops on her tongue, give her a glob of that mixture we feed her when we aren’t stuffing her with the offerings, then close her up and wait a bit. Once the drug is working, I can spend hours in her mouth, with her tongue lapping and licking. And I know just how far to open the lever for the right tightness.”

Num mundo de opressão, Nahlan luta por alguma justiça, e no Templo das Mágoas, Nahlan consegue libertar-se. Se na Filha de sangue a pedofilia é um tema, aqui a violação das mulheres, aliada à obediência cega aos pais por parte do sexo feminino e não há forma de escapar a este destino.

Honor your parents. Give thanks for them every day. Because an orphan’s life is one of sorrow.

A boca é um símbolo fálico utilizado por Bishop: a Voz tem a boca aberta para receber comida mesmo que não a deseje, tal como Kobrah que é forçada a ter sexo oral drogada. É também pela boca que sai o som, é normal que a Voz seja muda, visto ter a sua boca sempre com bolos. A Voz é o verdadeiro símbolo da opressão: não pode falar (demonstrar os seus sentimentos), é obesa (não pode fugir) e tem de sorrir mesmo sendo prisioneira da terrível aldeia. O que não deixa de ser curioso pensar como é que algo tão doce como bolos que supostamente deviam de alegrar uma pessoa, servem como arma que age contra a Voz.

A Voz pode ser talvez um pouco underrated por parte dos leitores por ser um conto e não um romance, onde muitos julgam que o tema estaria mais desenvolvido, mas, na realidade, Bishop não precisava de mais espaço para o fazer. Nas 128 páginas que compõe a história, sentimos o sofrimento das personagens e a sua luta pela liberdade. Com os seus temas feministas, uma capacidade de contar história fantástica, "A Voz" é um convite maravilhoso de estreia ao resto do mundo de Ephémera do qual fazem parte "Belladonna" e Sebastian".

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