Wednesday, 6 March 2013

A testemunha da noite

A testemunha da noite
Kishwar Desai
Edições ASA
Páginas: 207
Publicado originalmente em 2010 | Em Portugal 2011
Vencedor do Costa Award 2010 para Melhor Primeiro Romance

Sinopse:
Durga tem apenas catorze anos e está demasiado assustada para falar. Ela foi encontrada na mansão onde vivia, rodeada pelos cadáveres dos seus familiares. É a única sobrevivente. A única herdeira de uma imensa fortuna. É também a única suspeita. Simran é assistente social, bebedora inveterada e fumadora compulsiva. Esta mulher pouco convencional é a única esperança de Durga, já que apenas ela acredita que a menina pode ser mais uma das vítimas e não a assassina. Durga e Simran têm em comum origens privilegiadas num país onde as desigualdades sociais são profundas e a realidade é brutal. À medida que tenta desvendar o mistério daquela noite trágica, a destemida Simran conhece o círculo restrito em que se movimentava a família. De Harpreet, o enigmático tutor de Durga, e a sua mulher desfigurada, à bela Amrinder, a personificação perfeita da alta sociedade, os preconceitos são implacáveis e os segredos são inúmeros. E Simran sabe que não pode descansar enquanto não desvendar toda a verdade… Um galardoado primeiro romance que penetra no âmago da Índia e da sua luta entre modernidade e tradição.
Ao longo da leitura não compreendi muito bem o porquê de ter ganho o prémio Costa, mas depois de chegar ao fim entendi que apesar de ser um livro com alguns problemas, é um romance que sem dúvida nos causa revolta, pelo menos enquanto mulheres ocidentais possuidoras de um cérebro e dois neurónios.


O principal problema com o livro é a excessiva exposição que este tem sobre uma parte da sociedade e a repetição constante de ideias, quando há tanto por explorar. O facto de não haver uma conclusão definitiva, também não ajuda. Parece que no fundo, fica tudo no ar e a autora criou sem querer um policial, mas não tinha perícia para o tratar como tal. ( E sim, de mal só tem isto rly)

A história apesar de ser bem exposta e bem conseguida, é para ser lida lentamente devido à temática do infanticidio e da descriminação da mulher na sociedade. Vendo bem é um excelente livro para quem é apreciador dos direitos humanos e da mulher. Muitos dos acontecimentos que decorrem com algumas personagens aconteceram a algumas feministas no início do século XX. 

Como podem ver, o livro foi publicado em 2010, apenas há três anos e encontrei esta notícia da CNN que é de Junho do ano passado:

By Sara Sidner, CNN

O que mostra que o livro é actual e que até hoje em dia se comete atrocidades baseadas no gender. A mensagem do livro é bonita, dá-nos esperança num mundo com preconceito e serve para reflectir sobre as mulheres no oriente. Qual o papel delas? Até que ponto é que uma sociedade com crenças desumanas e retrógrada consegue acompanhar o progresso? Quantas mulheres não sofrem no silêncio das suas casas como Durga e Sharda? Quantas é que têm a coragem de Simran para serem independentes?

São estas questões que devem ser reflectidas durante a leitura. A quantidade de mulheres roubadas da sua independência e liberdade devido às crenças?

Se ultrapassarmos os problemas mencionados acima, entende-se porque é que o livro ganhou o prémio: tema sensível, coragem por parte da autora, um final que satisfaz os mais sonhadores e esperançosos. É um livro que todas as feministas deviam de ter em casa, para de vez em quando reler as atrocidades cometidas e voltarmos à realidade que muitas vezes desconhecemos.

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