Wednesday, 2 January 2013

A realidade de muitas mulheres que vale a pena ler

A noiva despida
Nikki Gemmell
Editora: ASA
Páginas: 320

Uma mulher desaparece. Ela era a esposa perfeita, a mãe exemplar, uma mulher irrepreensível. O que dizer então do explosivo diário que deixa para trás? Nas suas páginas, ela revela pormenores surpreendentes da sua jornada de descoberta e libertação sexual.
Ela inicia o seu diário em Marrocos. Está em lua-de-mel. Acredita ser feliz na sua vida confortável e convencional. Mas ela precisa de mais. Ao descobrir um livro raro, de uma autora anónima do século XVII, sente-se inspirada pela sua heroína fogosa, que desafia as convenções e busca o prazer.

Nem todos os livros tocam as mesmas pessoas e de igual forma. Quando iniciei a leitura d’A noiva despida, ia apenas com a ideia de que ia ler um livro, provavelmente erótico, daqueles que vieram de arrastão devido ao súbito sucesso das 50 sombras. A meio da leitura entendi que não tinha lido nenhuma opinião/crítica na blogosfera portuguesa do livro. Decidi então visitar o Goodreads, já convencida que o livro teria quatro estrelas e noto que a blogosfera portuguesa atribuiu uma estrela ou duas. Mas não. Este livro teria de entrar para as melhores leituras e só tenho pena de não o ter lido mais cedo. Este livro é uma história real. Esqueçam os livros eróticos de merda, onde a mulher tem uma catarata de orgasmos. Este livro fala exactamente do contrário: o drama de uma mulher cujo marido não lhe consegue dar um orgasmo. Ao longo do seu diário percorremos as angústias de uma mulher que percebe pouco ou nada da vida sexual, tal como o seu marido. Ambos não sabem como começar, não sabem o que fazer e tudo culmina com uma vida debaixo dos lençóis pouco entusiasmante.

O que nos leva a pensar: quantas mulheres na vida real passam pelo mesmo? Quantas mulheres são incompatíveis sexualmente com os seus companheiros e como é que isso as afecta? No mundo da literatura considero que as mulheres têm deixado esmorecer esta questão. Estamos numa era de facilitismo, onde os homens são projecções das fantasias das mulheres. Mas “A noiva despida” é real e é isso que amedronta os leitores. Queremos tudo cor de rosa, não queremos mulheres com dúvidas sobre o que fazer na cama. Não queremos mulheres a arranjar amantes. Queremos que abandonem tudo para serem felizes. Mas e se a mulher não estiver pronta para a instabilidade? Aqui, a mulher fica cercada. Deixar o marido e a sua vida estável, por um amante, cuja vida nada conhece? Quantas vezes fazemos na realidade, o que os protagonistas dos livros fazem?

Gemmell abstrai-se da ficção e apresenta-nos mais de trezentas páginas de realidade, de dúvidas reais com um desfecho verdadeiro. “A noiva despida” não é ficção apenas erótica, é a vida real de muitas mulheres no nosso mundo com questões e decisões, sejam elas certas ou erradas. Deixemos de lado as fantasias com homens musculados e comecemos a olhar para os livros com histórias que nos fazem pensar e que nem sempre podem ter um final feliz. Tudo isto é real, puro. Choca, magoa, mas os melhores livros são estes: que nos corroem por dentro e nos enfurecem por não terem o final ideal que tanto gostaríamos.

Por conseguinte, decidi apresentar “A noiva despida” como uma das melhores leituras de 2012 e só hoje consegui ter forças para escrever sobre este maravilhoso livro.

2 comments:

  1. Vou ler, fiquei convencida :) Gostei bastante da crítica!

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  2. Bem também fiquei convencida, já estava desanimada por ver só uma e duas estrelas... :/

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