Thursday, 29 November 2012

A tradição dos Nibelungos

Esta é a história da aventura de um Baggins, que deu consigo a fazer e a dizer coisas completamente impensáveis… Bilbo Baggins é um hobbit que desfruta de uma vida confortável e sem qualquer ambição. Ele raramente se aventura em viagens, não indo mais longe do que até à dispensa de sua casa, no Fundo do Saco. Mas este conforto será perturbado por Gandalf, o feiticeiro, e por um grupo de treze anões, que num belo dia chegam para o levar numa viagem «de ida e volta». Eles têm um plano para pilhar o espantoso tesouro de Smaug, o Magnífico, um dragão enorme e extremamente perigoso. Encontros inesperados com elfos, gnomos e aranhas gigantes, um dragão que fala, e ainda a presença involuntária na Batalha dos Cinco Exércitos, são apenas algumas das experiências por que Bilbo passará.  
O Hobbit é o prelúdio de O Senhor dos Anéis e já vendeu milhões de cópias desde a sua publicação, em 1937. É claramente um dos livros mais amados e influentes do século XX. «Uma obra-prima incomparável», The Times  
Leia o livro. Veja o Filme. Estreia a 13 de Dezembro nos cinemas Zon Lusomundo!
A dias do primeiro filme da trilogia do Hobbit de Peter Jackson começar, fica aqui a crítica do livro (é a segunda, visto a primeira ter sido uma desgraça total). 

Ilustração de Alan Lee
Embora a principal influência atribuída à prequela dos Senhores dos Anéis originar do épico Beowulf e lendas nórdica, a estrutura de Hobbit tem muito mais paralelismo com os Nibelungos. Não é segredo nenhum que Tolkien tinha um fascínio por esta obra medieval germânica e chegou ao ponto de a reescrever através da poesia edda. O Hobbit é considerado um Bildungsroman, onde a personagem de Bilbo surge sempre em contraste com a personagem de Frodo. Menos negro que a trilogia, o livro assiste à evolução da personagem de Bilbo ao longo da sua viagem inesperada. Vendo a sua casa invadida por anões, o pacato e calma Hobbit vê-se arrastado para uma viagem que não sabe se quer seguir, havendo um duelo interior entre a sua vontade de sair do buraco e explorar o interior e ficar seguro em casa.
Ilustração de Alan Lee
As viagens sucessivas pela Terra Média são apenas uma forma de mergulhar no worldbuild de Tolkien. Os cenários e a construção do mundo estão ao serviço da história e influenciam o decorrer desta.
As personagens têm personalidades distintas de acordo com a moral da sua raça. Bilbo é recatado e não gosta de confusão, típico dos hobbits, os anões vão à procura de recuperar o tesouro e nota-se a sua ganância no jantar que Bilbo oferece em que a comida não para de vir, mas também no facto de recuperarem um tesouro que pertence ao pai de Thorin. Na ópera de Wagner, no primeiro acto, a personagem de Siegfried é criada por um anão Mimir, que incentiva o jovem a matar o dragão Fafnir (em alemão, Fáfnir no original) de forma a recuperar o seu tesouro. Tanto Fáfnir como Smaug são ambos ladrões de tesouros, que se vêm derrotados pelos heróis. Não são vilões tradicionais, que querem conquistar o mundo ou matar o herói. Neste aspecto, Tolkien inova ao apresentar um vilão que é quase uma vítima e um herói, à primeira vista, pouco corajoso.

A evolução de Bilbo e a ausência de Gandalf são dois pontos importantes na narrativa. A baixa altura de Bilbo aproxima-o de uma figura parecida com as crianças. No seu interior, o hobbit tem um coração bondoso que anseia pela aventura. Embora Bilbo encontre a sua “sting”perdida no chão (ele não a adquire , a arma representa uma evolução. A cena entre Bilbo e Gollum mostra não só uma batalha de inteligência, através das palavras, como a arma ajuda Bilbo a subjugar Gollum, demonstrando a importância da força física. O hobbit acaba por ser um herói acidental, que junta todas as características de um bom herói: corajoso, leal, inteligente e que apela às crianças pelo seu tamanho.

O Hobbit pode ser uma leitura que se passa de pais para filhos, de geração em geração. Tolkien é um mestre em contar histórias, de forma a apelar ao leitor para o seguir pela Terra Média. Não é por acaso que ele influenciou uma geração inteira de escritores de fantasia. Curioso ler o Hobbit depois de ler o Beowulf e os Nibelungos e notar peça a peça o que influenciou o autor na construção da história e das personagens.

Para quem quiser saber mais sobre a Terra Média poderá adquirir os livros: O Silmarillion, Os filhos de Húrin e Contos inacabados de Númeror e da Terra Média. O livro “A lenda de Sigurd e Gudrún” que reconta o mito dos Nibelungos encontra-se, de igual forma, traduzido pela Europa-América.

Sunday, 25 November 2012

Críticas na Nanozine (quickies)

Como estou a preparar a edição da Nanozine nº 8 dedicada à erótica, tenho recebido e lido livros eróticos e escrito críticas para o blogue, que posteriormente serão adicionadas ao número da revista.
Fica aqui, contudo, um apanhado dos dois livros que li até agora:

Ensaios sobre açoitamentos
Anónimo
Editora: Publicações Europa-América
Colecção: Grandes clássicos eróticos
Original: The Whippingam papers

Este livro esquecido nas prateleiras portuguesas surge com uma série de ensaios das mais variadas formas: ora em poesia, pequena peça de teatro, conto ou mesmo anúncio sobre, claro está, açoitamentos. De título original “The whippingham papers”, embora a maior parte das edições declarem o autor como anónimo, a sua edição original em 1887 é atribuída a Edward Avery (um editor de pornografia vitoriano) e St George Stock. As contribuições para este volume são ainda atribuídas a Algernon Charles Swinburne, ainda que no anonimato (várias vezes nomeado para o prémio Nobel).
Ao leitor a carga erótica composta nas diversas histórias não o atinge directamente. As sucessivas odes de apreço ao açoitamento podem ser de forma neutra durante o livro até à última página, onde fica o vazio e a vontade de receber umas boas palmadas. O leitor que não espere um ensinamento de como espancar, mas sim um conjunto de textos de época arrojados que representam o outro lado do (i)moralidade vitoriana.


Sob o céu de Paris
Elisabete Caldeira | Jorge Campião
Editora: Alfarroba
*este livro encontra-se escrito ao abrigo do AO*

“Sob o céu de Paris” retrata uma história monótona sobre um casal que se encontra numa relação extraconjugal em Paris. Toda a narração está desenvolvida em torno das personagens de Carlos e Raquel, deixando as outras personagens nos capítulos adicionais com um papel redutor e pouco explorado, sem sentimentos ou profundidade.
A história assume um ritmo monocórdico, sem grandes altos desrespeitando assim as estruturas tradicionais, não havendo clímax da narrativa, nem perigo para as personagens. A relação de Carlos e Raquel é perfeita, sem atritos e o leitor assume um papel passivo sem grandes envolvimentos emocionais em relação às personagens. “Sob o céu de Paris” pode não satisfazer todo o tipo de leitores, especialmente os compulsivos, mas poderá agradar a amantes com maturidade que queiram redescobrir a arte através da pintura e do sexo.

Saturday, 24 November 2012

Giveaway "A musa de Camões"


O Natal está a chegar e enquanto oiço Adele no banho com o secador ligado e afogo as mágoas em absinto e palavras, decidi brindar os meus queridos leitores, que ando a negligenciar. É uma espécie de prenda para dizer "I am sorry, if I am being such a bitch". 

Por isso este giveaway será, só um giveaway! Nada de perguntas, nada de esforço, viva o Natal e o consumismo! Ah esperem ainda só vamos em Novembro! *.* 

Bom não interessa, se querem ganhar este livrinho fofinho só têm de preencher os dados pessoais com nome, morada e e-mail (o nr. de telemóvel de tamanho de soutien é opcional). Escusam de fazer follow ou like no Facebook! É Natal, aproveitem a minha generosidade (se quiserem seguir, prometo que I'll behave).

Este livro NÃO é o livro de bolso, é a versão capa mole.

Wednesday, 21 November 2012

Depression

Depois de meses a ler e a escrever, sinto-me deprimida. Muito deprimida. Não sei se o factor dinheiro e ter emprego incerto ou o facto de estar a planear sair do país as soon as possible ou o facto de não saber neste momento o que fazer com a minha vida. Queria pedir um tempo e isolar-me durante 2 semanas, sem ver ninguém e ficar a morar sozinha. Os projectos estão quase acabados. A ISF vai nestas semanas, a Nanozine idem e a Fénix também estão quase pronta. Mesmo assim, mal consigo ler ou escrever. Tenho o livro suspenso porque não consigo escrever uma palavra. Abro o word, mas não consigo. Escrevo outras coisas, mas cedo perco a motivação para escrever.

Durante o estágio chorava bastantes vezes e embora estivesse sob pressão 8h por dia, agora é ao contrário. Não há pressão, não há... nada. Não acordo às 6h da manhã para ir dar uma aula, nem regresso ás 8 a casa completamente esgotada. Ando a dormir imenso uns dias, outros mal prego olho. Não como muito e outras vezes como este mundo e o outro. O Google dirá que é cancro ou gravidez (oh so wise), eu não faço a mínima do que se está a passar, mas não gosto.

Agora vou andar um pouco a escrever críticas para a Nanozine e dar alguma atenção ao número 8. Mesmo assim não queria desistir do Nanowrimo, queria escrever as 50 mil palavras da minha Adosinda... mas não sei o que fazer com ela. Nem sei o que fazer com a minha vida, quanto mais com a personagem. Especialmente quando após dizer a plot, o meu namorado achou o fim horrível. Estou a ficar bloqueada...

Ai, ai ruivas em depressão é do pior que existe.
Also, vou começar a escrever crónicas na Nanozine chamadas: Sem papas na língua... Acho que vão começar todos a pedir pelo Apocalipse em breve.

Tuesday, 13 November 2012

Novidade Europa-América

Não Deixes Que Me Levem
Catherine Ryan Hyde
Colecção: Contemporânea
Preço: 22.26€
Páginas: 312

E se abandonar a sua mãe… for a única forma de a salvar?
«Lembras-te de me dizer que conseguirias sempre encontrar-me? Bem, nunca te esqueças disso. Por favor.»


GRACE
Grace é uma menina de dez anos que sabe que é amada pela mãe. Mas a mãe também ama as drogas. Grace não conseguirá evitar por muito mais tempo as ameaças da «senhora dos Serviços Sociais», que a quer colocar numa instituição. A sua única esperança é…

BILLY 
Billy Shine é um adulto que não sai do seu apartamento há anos. Tem muito medo das pessoas. E assim, dia após dia, leva uma vida perfeitamente planificada e silenciosa dentro de sua casa. Até agora…

O PLANO 
Grace invade a vida de Billy com uma voz bem alta e um plano para libertar a mãe daquele martírio. Mas não será fácil, pois para salvar a mãe terão de arrancar-lhe a única coisa de que ela realmente precisa: Grace.

Catherine Ryan Hyde é autora de vários best-sellers, entre os quais se destaca Favores em Cadeia, livro que contou com uma adaptação cinematográfica, protagonizada por Kevin Spacey e Helen Hunt. Depois de mais um sucesso com Coração em Segunda Mão, a autora deslumbra-nos agora com uma visão terna do amor e da humanidade que nos une, neste livro comovente.

Monday, 12 November 2012

A comunhão com Deus

O Anjo das Trevas
Os cânticos de Serafim #2
Anne Rice
Editora: Publicações Europa-América

Sinopse:

«Sonhei com anjos. Vi-os e ouvi-os numa enorme e interminável noite galáctica. Vi as luzes que simbolizavam estes anjos, voando aqui e ali, em laivos de um brilho irresistível […] Senti amor em redor de mim neste vasto e contínuo domínio de som e luz […] E algo semelhante a tristeza apoderou-se de mim e confundiu toda a minha essência com as vozes que cantavam, porque as vozes cantavam sobre mim.» Assim começa o novo romance assombroso de Anne Rice, um thriller sobre anjos e assassinos, que nos conduz novamente aos mundos obscuros e perigosos de tempos passados. Anne Rice leva-nos para outros domínios, desta vez para o mundo de Roma no século XV, uma cidade de cúpulas e jardins suspensos, torres altas e cruzes por debaixo de nuvens sempre em mudança; colinas familiares e pinheiros altos… de Miguel Ângelo e Rafael, da Sagrada Inquisição e de Leão X, segundo filho de um Medici, dissertando sobre o trono papal… E nesta época, neste século, Toby O’Dare, antigo assassino por ordem do governo, é convocado pelo anjo Malquias para resolver um terrível crime de envenenamento e para procurar a verdade sobre a aparição de um espírito irrequieto — um diabólico dybbuk. O’Dare em breve se vê envolvido no seio de conspirações negras e contra-conspirações, rodeadas por uma ameaça sombria e ainda mais perigosa, porque o véu do terror eclesiástico a cobre. Enquanto embarca numa viagem de expiação, O’Dare é ligado ao seu próprio passado, com assuntos claros e obscuros, ferozes e ternos, com a promessa de salvação, e com uma visão mais profunda e rica do amor.

Neste segundo e último(?) volume dos Cânticos de Serafim, Anne Rice não perde tempo em divagações como no primeiro livro. Assistimos à continuação da história de Toby O'Dare, mas desta vez Anne Rice decide iniciar o livro logo com acção, estabelecendo uma ponte entre a conclusão em suspenso e a nova vida de Toby.

Este segundo volume apresenta a reconciliação quase final entre Deus e Toby, dando a conhecer o outro lado da face religiosa: a tentação. Toby é tentado, de maneira a provar a sua lealdade não só a Deus, mas ao seus novos princípios. Embora o mistério seja menos complexo que o anterior, aprende-se com a pesquisa feita por Rice sobre os judeus, Veneza e até mesmo os venenos da época. A tradução do livro está bem melhor, sem gralhas e a própria qualidade do design mais simples, mas também eficiente melhora a qualidade de leitura. Os Cânticos de Serafim são um verdadeiro hino ao perdão e à reconciliação com Deus, embora menos simbólico que os outros livros de Rice. Os temas são repetidos: Deus perdoa todos aqueles que se redimirem, Deus ama todos os Homens, mesmo aqueles cujo caminho é desviado. Ainda assim vale este segundo volume para entender o lado negro dos Anjos e também para deixar outras portas em aberto para uma possível continuação.

Anne Rice é uma escritora multifacetada. Tanto escreve e pesquisa sobre vampiros, Serafins ou escreve prosa erótica e a vida de Cristo. Vale a pena ler a série para compreender como Rice tem uma perfeita noção da escrita e de uma pesquisa bem feita incorporando a fantasia com o histórico. 

Tuesday, 6 November 2012

Passatempo parceria Nanozine

Bom dia meninas. Esta semana recebi uma coisa fantástica, cortesia da autora Adoa Coelho :) Ela esteve na feira de Frankfurt (sortuuuda) e foi um amor! Como sabe que sou uma tarada do pior, trouxe-me o calendário da Ellora's Cave 2013, só com meninos jeitosos!

Aqui está a prova!

Perguntam vocês, mas o que temos de fazer para ganhar? Simples! 

Os concorrentes têm apenas de enviar para o e-mail: nanozine.web@gmail.com um texto erótico com não mais de 2 páginas, TNR tamanho 12 espaçamento 1,5. 

Depois a equipa da Nanozine selecionará alguns textos para visarem a Nanozine 8! Acham que estão preparados? O passatempo durará desde hoje dia 6 de Novembro até dia 16 do mesmo mês (10 dias).

Acham que conseguem? Então toca a mexer esses dedinhos e a imaginação!

Ser como tu

Ser como tu
Miguel Almeida
Editora: Esfera do Caos
Páginas: 152

Sinopse:
Os poemas de Miguel Almeida transportam-nos por anseios e receios, por opções, feitas ou que ficam por fazer, que valem como outras tantas viagens de um Eu, numa busca constante de sentido para si próprio e para o Mundo.

Primeiro deixem-me dizer que depois de ler o Paradise Lost de John Milton, a leitura fica um pouco quebrada. Na verdade já não li poesia a alguns meses e já não estudo há algum tempo. Não vou começar a divagar de forma nostálgica o quanto eu me divertia a dissecar poesia de Pope, Wordsworth ou Florbela Espanca. Até me divertia a ler Antero (que riqueza de mocinho). 

Por isso a minha noção de poesia é esta: algo complicado, que leva tempo e pode ser esticada numa maca e dissecada até aos ossos. A visão de Miguel Almeida é diferente. Nota-se que escreve poesia não para que outros peguem nos seus poemas e o desmembrem. Não. A poesia é para ser lida e apenas saboreada sem racionalizar demasiado. De pouco adiantará ao leitor tentar entender as motivações do sujeito poético, ou até mesmo as escolhas de palavras. Na poesia de Almeida nada é complicado. O leitor deverá apenas ler os poemas e sentir as palavras invadirem a mente.

Pessoalmente, mete-me um pouco de impressão não poder ir mais longe e conseguir descortinar simbolismos. Contudo, poesia é bastante maleável e depende bastante da interpretação que cada um dá.

Outro livros de Miguel Almeida:
A cirurgia do prazer
O templo da Glória perdida
O lugar das coisas
Chireto
Contos do nosso tempo (organizador)
Palavras Nossas Vol. 1 & 2 (organizador)
Já não se fazem homens como antigamente



Sunday, 4 November 2012

Desafio literário português: update

O que foi lido até agora:


  • O fim chega numa manhã de nevoeiro - Renato Carreira;

Um livro de fantasia urbana pouco explorado, que tenta ressuscitar o saudosismo típico português ao tentarem trazer de volta D. Sebastião à vida. Eu cá acho que devem deixar o sr. em paz, até porque há reis tão mais interessantes do que maníacos com visões.


  • Amor Carnal - Pedro Pinto;

Livro erótico na linha de Henry Miller com sensibilidade poética. Uma boa leitura.


  • A vingança do lobo - Vítor Frazão;

Livro de dark-fantasy com história e personagens sólidas que só pecou pela revisão incompetente da editora. Um livro muito bom.


  • Escritos dos Ancestrais - Rodrigo McSilva;

Um livro de fantasia épica que deveria ter um editor mais atento, devido ao grande número de personagens e pouca capacidade de envolver o leitor na história.


  • O teu relâmpago na minha paz - Luís Miguel Raposo;

Escrita poética, mas com uma história pouco convincente. Ideal para quem gosta de escrita poética, mas pouco desenvolvimento da história.

  • Demência - Célia Loureiro;

Uma história que nos leva de volta ao interior de Portugal, com personagens do nosso quotidiano, embora com uma estrutura anti-climax e muito tell antes de show.

  • O teu rosto será o último - João Ricardo Pais;

Para um livro que ganhou o Prémio LEYA, desilude. Parece um amontoado de estilos de vários autores consagrados diferentes numa história confusa e sem fio.

  • A verdadeira invasão dos marcianos - João Barreiros;

Cyberpunk + steampunk português com uma prosa atraente e um final surpreendente. Um livro obrigatório em todas as estantes portuguesas.

  • Memórias de um vampiro - Rafael Loureiro;

Livro pouco sólido que deveria ser uma fanfiction de "Vampire, The Masquerade". Muito atabalhoada, com infodumps, clichés e personagens pouco credíveis.

  • Amor entre mulheres - Catherine Vasconcellos;

Ficção lésbica com pouco erotismo. Ritmo um pouco apressado mas com um final feliz, capaz de satisfazer os mais românticos.

  • Ascensão de Arcana - Rafael Loureiro;

Continuação de Memórias do vampiro, com os mesmo erros do volume anterior. Personagens a ficarem cada vez mais irritantes e o autor tentou esticar uma história de forma inútil.

  • Alex 9 a guardiã da espada - Bruno Martins Soares ;

A introdução de uma saga com mistura de Ficção Científica mais fantasia. Algumas escolhas menos infelizes na construção de algumas personagens e de história. Tem um ritmo apressado.

  • O penico do céu - Hermínio C. Fransisco;

Romance que retrata uma aldeia e a sua evolução desde a sua criação no tempo de D. Afonso Henriques até à actualidade. Algum humor por parte do autor e uma vontade de ler mais títulos deste senhor, sem esperar nada de mais.

  • Downspiral - Anton Stark;

O primeiro livro Steampunk fantasia português, com um bom domínio de vocabulário, mas alguns erros típicos de uma primeira obra.

  • Alma Rebelde;
Um livro de época português muito bem escrito, com emoção, capaz de fazer corar autoras estrangeiras como Sherryl Thomas! Um bom motivo para apoiar o que é nacional!

  • A bondade dos estranhos - João Barreiros;

Menos genial que "A verdadeira invasão dos marcianos", mas ainda melhor do que muitos livros que estão nas lojas. Peca pelo excesso de palavras inglesas no início do livro e por um twist que nunca chega a acontecer ( ao contrário da invasão dos marcianos, cujo twist final dá um gosto doce ao leitor)


  • Contos de outros tempos;

Antologia com os melhores contos portugueses do século XIX. Uma leitura boa, cujos contos nunca chegam a desiludir (exceptuando o do Eça! Damn you, Eça, You were the chosen one)




Tenho para ler:
- Os dias da febre;
- Quando Lisboa tremeu;
- Inverso;
- Afonso Henriques, o homem e muitos na wishlist!

Contos de outros tempos

Contos de outros tempos
Antologia inédita
Vários autores
Editora: Esfera do Caos
Páginas: 271

Melhores contos: Arrufos/ O espólio do senhor Cipriano/ Três cadáveres
Piores contos: Mestre assassinado/ Um dia de chuva
Autor destaque: Fialho de Almeida

Alexandre Herculano:
"A morte do Lidador" dá início a esta antologia e recupera um tom romântico do escritor Herculano e do amor dos românticos pelo medieval. Já o "Mestre assassinado" embora tenha espaço e foi desenvolvido não tem nenhuma característica na prosa que torne o conto memorável.

Eça de Queiroz:
Como disse no outro post, este é o conto mais fraco da Antologia. Normalmente Eça tem o hábito de nos envolver numa leitura mordaz com bastante simbolismo e temas. Este conto pecou pela falta de clímax e previsibilidade. Na mesma senda, manteve as descrições excessivas características dos Mais. Não é um típico conto do Eça, infelizmente.

Camilo Castelo Branco & Júlio Dinis:
Após ter lido o seu livro “Amor de Perdição”, o seu conto “A morte de um avarento” tem uma trama igual à do conto a seguir de Júlio Dinis “O espólio do senhor Cipriano”. Ambos contam histórias de senhores, que guardavam dinheiro, mas vivam de forma pobre de forma a pouparem. O “espólio do senhor Cipriano” tem um final feliz e um clímax certeiro.

Trindade Coelho:
Trindade Coelho brinda-nos com dois contos, de temáticas diferentes. O primeiro “Tragédia Rústica” retrata a história de um bebé abandonado e da busca pelos seus pais. Já o segundo conto “Arrufos” é um dos melhores contos da antologia. Contado através de uma pseudo-fábula, fala sobre amor e traição dos homens, mas através dos pombos. Um conto bem escrito, com grande profundidade e que dá gozo de ler.

Fialho de Almeida:
Recuperando a temática deixada por Júlio Dinis e Camilo Castelo Branco, “O Antiquário” relata a obsessão de um antiquário por uma peça, tudo faz para a ter, até os meios mais sujos. Ambos os contos têm um teor altamente moral e didáctico, onde os bons são compensados e os maus castigados com a morte!

O segundo conto “Conto do Almocreve e Diabo” é o único conto de fantasia nesta antologia. Um homem pede ao Diabo que lhe guarde a mulher, durante a sua viagem, que andava a dar umas berleitadas com o padre. O Diabo assim guarda a mulher, mas faz também das suas. Divertido e leve.

O último conto “Três cadáveres”, o maior da antologia, tem um tom claramente ultra-romântico com uma história característica do “Noivado do sepulcro”. Este último conto prova a versatilidade de Fialho de Almeida.

Luís de Araújo:
O "Povo no teatro" é um conto a retratar o povo português no século XIX a ir ... ao teatro. Pouco complexo, serve para retratar algo característico da época.
O segundo conto "Como hei-de ser rico" tem o mesmo tom do anterior, são dadas várias sugestões ao autor/narrador de como poderá ficar rico. Infelizmente até à data do conto, tal coisa não aconteceu.

Pedro Ivo:
O último conto da Antologia "Zé Sargento" conta a história de amor platónica entre Zé e Maria, com um final atípico, mas que vai de encontro ás expectativas do leitor. Bem escrito e com um tom mordaz, assume a posição da mulher como anjo-demónio.