Tuesday, 25 September 2012

Bradbury é... well he's Bradbury!

Não comecei pelo Fahrenheit 451, porque não me apeteceu! Ponto. Queria ler algo diferente do autor que não fosse ficção científica e disseram que este livro é muito bom. Ora bem, sim é, confirmo. Não é o melhor dele, não é obra-prima, mas um Bradbury será sempre um Bradbury.
O estilo próprio de escrita e o ambiente são entraves à leitura no início, mas cedo somos sugados pela estranheza da narrativa. Mas primeiro a sinopse em inglês que dá para entender mais ou menos a premissa:

Ray Bradbury, the undisputed Dean of American storytelling, dips his accomplished pen into the cryptic inkwell of "noir" and creates a stylish and slightly fantastical tale of mayhem and murder set among the shadows and the murky canals of Venice, California, in the early 1950s.Toiling away amid the looming palm trees and decaying bungalows, a struggling young writer (who bears a resemblance to the author) spins fantastic stories from his fertile imagination upon his clacking typewriter. Trying not to miss his girlfriend (away studying in Mexico), the nameless writer steadily crafts his literary effort--until strange things begin happening around him. Starting with a series of peculiar phone calls, the writer then finds clumps of seaweed on his doorstep. But as the incidents escalate, his friends fall victim to a series of mysterious "accidents"--some of them fatal. Aided by Elmo Crumley, a savvy, street-smart detective, and a reclusive actress of yesteryear with an intense hunger for life, the wordsmith sets out to find the connection between the bizarre events, and in doing so, uncovers the truth about his own creative abilities.

Bradbury é um escritor, que mesmo com uma tradução que tem momentos menos bem conseguidos, consegue criar na mente do leito um cenário típico "noir", com personagens estranhas e marcantes. "A morte é um acto solitário" pode ser apelidado de policial, embora fuja do mainstream (e ainda bem) e consiga guiar o leitor, ajudando-o por vezes e, noutras, larga, deixando o leitor à deriva, duvidando de tudo e de todos.
Nota-se que Bradbury tem duas fixações: o circo e personagens femininas obesas. 
As personagens deste livro são bizarras, mas algo de fresco num mundo literário povoado de personagens de cartão. O barbeiro que mal sabe cortar cabelos, a cantora de ópera obesa, cuja dispensa está cheia de frascos de maionese, a ex-actriz de filmes mudos Constance Rattigan, que nos relembra Norma Desmond do filme "O crepúsculo dos deuses" e Crumley, o detective que investiga as mortes com a ajuda do narrador. O narrador é uma personagem complexa, talvez uma projecção do próprio Brabury, ou seja, um escritor que começa a ter sucesso com os seus escritos (A morte é um acto solitário foi a sua segunda obra depois do livro "Algo maligno vem aí, traduzido pela Saída de Emergência).
"A morte é um acto solitário" não é um livro fácil, mas rapidamente somos sugados para a prosa característica do autor, que nos marca para sempre. 

Um Bradbury, será sempre um Bradbury. Nunca irão ler outro livro igual a este.

Sunday, 23 September 2012

Valquírias raptadas e androids homossexuais... it's time for QUICKIES!

Eu ando ocupada com a tese, e a vontade de escrever coisas destas é nula! Mas meus senhores ou isto é uma crise de idade jovem ou eu sou uma perversa que adora tudo que tenha sexo bem escrito! Homossexuais (nas quais incluo lésbicas), casais heterossexuais, vampiro e humana, lobisomem com "fodinhas", isto está pior que a Teresa Guilherme na casa dos degredos! Por isso, meus amores, esta é só a primeira de muitas quickies e ninguém se cansa de sexo, quando este está bem escrito!

The Warlord wants forever
Kresley Cole
Série imortals after dark

Depois de ter lido e relido o "Abstract", rever os apêndices e reler alguns capítulos da tese, os meus lindos olhos estavam mal e o meu cérebro ainda pior. Pensei que precisava de algo para me distrair. Desligar o cérebro. Em vez de dormir, peguei neste e-book e comecei a ler. Está-se a adivinhar que por séries estas autoras acham que uma série ou saga, whatever, tem de ter sempre a mesma estrutura! E porque é que começaste por este: Valquírias, meus amores! Depois do muy querido Seixas me ter tentado insultar, apelidando-me de valquíria, mal esse desgraçado sabia que eu de facto AMO valquírias (não fosse o meu nick do WoW, Prünhilt, em honra da grande Valquíria dos Nibelungos). Pensei "Ui sexo entre um vampiro e uma valquíria? Bring it on, bitchies". Gosto muito das personagens femininas da Cole e abomino as personagens masculinas. Primeiro porque as personagens femininas são independentes, dão luta, dão murros, têm poderes, não são nenhumas coitadas e sim, são pessoas importantes. Ao passo que os homens... Bem não há muita diferença entre um gorila e as personagens masculinas da Cole. Os homens são controladores, manipuladores e têm a mania que só ao "aprisionarem" as meninas é que elas vão gostar deles. Tipo homens das cavernas. Tudo bem, tenham os fetiches que quiserem, mas não gosto NADA quando a autora dá ar de "Se ele não a tivesse aprisionado, nunca ficariam juntos no fim". Soa-me a resolução fácil, sabem? Por outro lado vale a pena ler pelas personagens femininas e por alguns detalhes nas cenas mais escaldantes.

Por isso aprovamos personagens femininas fortes (yey) e queremos deitar os homens das cavernas por um cano abaixo! Uma série a seguir para quando o cérebro estiver a deitar fumo.

Artifice
escrito por Alex Woolfson
arte de Winona Nelson
Yaoi gay

Este yaoi é um misto de Ficção Científica com acção/moral e alguma nudez (pouca). O bom deste tipo de yaoi é que não são muito gráficos, o que dá para agradar a mentes abertas e outras nem tanto ou ainda em duvida. A arte tem traços mais americanos/Marvel e a história de amor (embora ainda tenha um final em aberto para as românticas como eu, chorem por um final feliz entre gays) tem muito por pegar, mais na parte de inteligência artificial e na exploração de sentimentos. Embora a personagem principal seja um android, este robot pode muito bem ser qualquer homem inseguro dos seus sentimentos para com outro homem. Em pouco mais de 80 vinhetas conseguimos sentir o desespero do android que nunca pode experimentar outras sensações, senão as de matar. 


Inferno
Vivi Anna
Editora: Aphrodisia

Guilty-pleasure, guilty! Guilty! A Hell Kat é erm perfeita? Diz um montão de asneiras, é inteligente, leva porrada e dá troco, haverá melhor heroína? É de louvar a maneira (mesmo num livro light underground) como a autora Vivi Anna ainda se atreve a criar uma personagem feminina que segue os modelos do feminismo, onde nem é superior ao homem, mas seu "equal". O Hades por outro lado comporta-se não como macho alfa, nem homem das cavernas, mas como um homem que faz de tudo para caminhar ao lado de Hell Kat. O vilão é fraquinho e algumas cenas de sexo perderam a força, mas vale a pena ler para ter noção de uma boa heroína e as cenas de pancadaria. E o fim... oh Deus, o fim! Um cliffhanger perfeito, que significa um 3º livro (ok, ok este foi publicado em 2006 e desde então ainda não houve desenvolvimentos), mas haverá um 3º! Peço desculpa mas a minha capacidade de escrever uma crítica com pés e cabeça num Domingo às 2 da manhã não é das melhores. Mas senhores, eu adoro esta senhora! É das poucas que se preocupa que as suas personagens masculinas não sejam abéculas. Só por isso, merece ser o meu guilty-pleasure público!


Thursday, 20 September 2012

Entrevista a Célia Loureiro

ENTREVISTA A CÉLIA LOUREIRO
Autora de “Demência” e o “O Funeral da Nossa Mãe”



A autora Célia Loureiro prepara-se para publicar o seu segundo romance “O funeral da nossa mãe” pela Alfarroba. Após uma viagem a terras celtas, não haveria melhor timing para entrevistar uma autora com as baterias carregadas.

Célia se pudesse escolher um local com casa paga, onde pudesse dedicar somente à escrita, qual seria?
Antes de mais, obrigada por me porem a reflectir sobre este género de coisa. Na realidade já tinha pensado bastante nisso. Se pudesse… se tivesse meios de me isolar só para escrever, para onde iria? Durante anos julguei que poderia refugiar-me numa das bonitas aldeias do nosso país a criar qualquer coisa de muito zen e introspectivo. Mas então compreendi que é precisamente o viver e o mover-me que me traz inspiração. É o ter rotinas, o quebrá-las, o ter hábitos e contrapô-los a coisas novas que me faz querer criar algo a esse respeito. Por muito romântica ou poética que seja essa ideia, não estou a ver-me isolada para escrever… Mas há aqui um apartamentozinho pequeno em Almada velha, a pedir lírios brancos nas janelas e mobiliário antigo, quem sabe um gira-discos também, aonde talvez pudesse ir descarregando, com tranquilidade, aquilo que vou apreendendo da vida e que me faz querer escrever.

O seu primeiro livro “Demência” trata temas delicados como o Alzheimer e a violência doméstica. Que tipo de pesquisa foi realizada de modo a ser fiel a esta realidade de muitas mulheres em Portugal e não só?
Infelizmente não tive grande necessidade de pesquisa quanto à violência doméstica – os casos sucedem-se na televisão, jornais, rádios, etc. Fala-se bastante nisso, as mulheres dão a cara e contam as suas histórias em qualquer programa da manhã da televisão nacional. Bastou-me estar atenta, conhecer a opinião em redor e as sentenças aplicadas. Quanto ao Alzheimer, tive uma bisavó que tinha Alzheimer. Não me era especialmente chegada, porque quando eu comecei a ter discernimento já o dela estava gravemente comprometido pela doença, daí que só tenha conhecido o lado menos “saudável” dela, o lado que a doença espelhava. Já na altura tinha lido bastante e agora também li bastantes artigos a esse respeito. Às vezes surgiam numa sala de espera, eu rasgava a folha – coisa tão bonita – e metia-a na mala para depois digitalizar para o computador e ir lendo quando tivesse tempo. De resto, quando se volta atrás no tempo, por vezes também se é necessário confirmar alguns pormenores. Mas no fundo é isso que me dá prazer na escrita, descrever uma realidade genuína, embora não contemporânea por vezes, ou não ao alcance do meu total discernimento, e aprender também eu a seu respeito.
Como é que as personagens surgem nas suas histórias?
Às vezes a personagem é mais importante do que a própria história. Não no caso do “Demência” em específico, mas há personagens que, por si mesmas, só poderiam ter aquela história e a carregam em si com credibilidade. Não gosto de estereótipos, tento afastar-me um pouco disso, mas também um pouco dos meus gostos. A Letícia, por exemplo, é loira; não em busca do ideal de beleza, mas porque assim já se destaca de toda a gente, já fica à margem de todos, que espero que imaginem morenos e grisalhos, ou simplesmente morenos. Ela está à parte e até o cabelo marca isso. É meio desajeitada no trato, não se esforça por que gostem dela, já não quer gostar nem confiar em ninguém para que não voltem a deixá-la mal. Podia pegar na descrição atrás e metê-la num romance qualquer – a pobrezinha foi magoada e não quer voltar a sofrer – mas eu gosto de trabalhar realidades mais complexas. Isso todas sofremos constantemente; desilusões e recomeços. Dói muito na altura mas ultrapassa-se com facilidade. A Olímpia estava extremamente vulnerabilizada pela doença: logo quis que o outro lado da moeda fosse um passado de luta intensa e uma vitória triunfante. Assim entende-se que a vulnerabilidade é algo que lhe é imposto, ela lutaria sempre enquanto pudesse. A personagem costuma surgir-me antes da história, é assim que tem sido geralmente. Custa-me mais criar as estruturas do romance e depois povoá-las de gente. Prefiro partir da história pessoal de alguém, da sua personalidade, e encaixá-la num ambiente que convenha.
Tem programado segundo o Goodreads três livros de romance histórico referentes à Trilogia do Vinho. Qual o principal desafio quando se escreve romances históricos?
Terei de refazer bem esse conceito de “Trilogia do Vinho”. O vinho tem um papel terciário – nem digo secundário – em dois desses romances e secundário, vá, no terceiro e último. Mas é algo em comum aos três. Aconteceu ser uma trilogia. Tinha escrito o terceiro, dei por mim extasiada em relação ao terramoto de Lisboa de 1755 e elaborei assim o enredo do primeiro. E depois tive a ideia do segundo, que estou quase a terminar. Os desafios têm sido mais do que muitos… Adiei a escrita do primeiro (“1755”) porque achava que não tinha informação suficiente sobre a época, quis reunir mais. Reuni trinta páginas de pesquisa de qualidade e rendeu-me apenas seis páginas introdutórias ao romance. Então julguei que precisaria de dez anos para escrever um romance histórico… E lancei-me ao “1809” só para ver no que dava, porque não tinha tanta fé nele como no “1755”. É assim que os apelido, temporariamente, para me situar. Em menos de seis meses cheguei às quatrocentas páginas. Para elas contribuíram centenas de páginas da Gazeta de Lisboa – 1805, 1806, 1808, 1810 – e ainda o diário de Clarissa Trant, digitalizado directamente de um Campus Universitário na Austrália, e não termina por aí … Adquiri bibliografia, vali-me da que já dispunha, visitei as bibliotecas do meu concelho, pesquisei em sites especializados na época de fontes fidedignas, li obras de época, estudei a arte da altura para poder visualizar estas personagens todas – algumas conhecidas – que acabo por mencionar. Não é fácil e, a cada dez páginas, há um soluço. Tenho de parar e pesquisar acerca de algo novo, mas considero que estou a pouco mais de cem páginas do fim e tenho um grande carinho por este romance. Terei também um trabalho exaustivo posterior para compor tudo. Este precisa mesmo de ser muito bem alinhavado, não basta “talentos” para a escrita. Vamos ver aonde vai, porque penso que possa ir longe. A mim entretém-me sobremaneira e estou constantemente a ir atrás relê-lo por prazer.

Afirmou que não era adepta de romances de fantasia. Se a incitassem a escrever um romance paranormal, por onde começaria?
Paranormal incluí o quê? Criaturas que se infiltram neste mundo por onde caminhamos? Se assim é não faria ideia. Não sei lidar com vampiros nem fantasmas nem lobisomens… Mas gosto bastante de lendas, bruxas, princesas, fadas, etc… Talvez algo tipo Game of Thrones com uma heroína forte como personagem principal – claro que nunca chegaria à sua qualidade, mas depois de visitar a Irlanda, não posso deixar de querer escrever algo místico relacionado com esse país de duendes e fadas. O que é que a irrita mais quando está no processo criativo da escrita? A pertinência da narrativa. Pergunto-me por vezes se aquilo que me entretém a mim entretém também o leitor. Mas irrita-me, sobretudo, a falta de tempo para poder limar as arestas das obras como bem entendo, para poder pesquisar, registar e trabalhar tudo o que preciso para continuar a aprender e transmitir algo de importante naquilo que escreva. Irrita-me que seja incapaz de escrever ao ritmo dos meus pensamentos, o que me faz perder bastante tempo. Acima de tudo, odeio o meu teclado. Basicamente é isto.

Que temas gostaria de trabalhar nos próximos livros?
Na continuação de “O Funeral da Nossa Mãe”, vai surgir uma personagem com uma deficiência. Gostaria de tratar esse assunto mais a fundo, talvez venha a dedicar um livro à dor de ser mãe de uma criança diferente. À dor mas também ao sabor do triunfo dessas mães, que acabam por ser umas heroínas ainda mais do que as das crianças normais, e que por vezes abdicam muito mais das suas vidas em prol do bem-estar dessas crianças. Quero escrever sobre perder-se um filho. Já tenho um romance nesses termos mas precisa de ser melhorado. Quero escrever um romance dito romance – explorar o amor de uma faceta saudável. Mas também quero escrever um romance dito romance – mas explorar o amor de uma faceta doentia, que me parece mais interessante. Quero falar do amor de irmãos, da pobreza e de vingança. Quero muito escrever algo plausível sobre vingança. Não como no Conde de Monte Cristo, mas daquela que acaba por fazer mal à própria pessoa que se vinga (ainda não terminei o Conde, não sei bem como acaba o Dantès), quero que essa vingança seja quase inconsciente, simplesmente aconteça. É isto que tenho em mente de momento.

Divulgações para todos os gostos em portugal

Infelizmente a saga chamada "tese" ainda não acabou e a paciência para escrever as quatro críticas é pouca.

A NOIVA DESPIDA
Nikki Gemmell
ASA
Uma mulher desaparece. Ela era a esposa perfeita, a mãe exemplar, uma mulher irrepreensível. O que dizer então do explosivo diário que deixa para trás? Nas suas páginas, ela revela pormenores surpreendentes da sua jornada de descoberta e libertação sexual. A Noiva Despida é uma aventura nos meandros do sexo e do amor. Uma partilha de confidências que apenas as melhores amigas ousam fazer. No final, é impossível evitar a pergunta: até que ponto conhecemos verdadeiramente outra pessoa?



ESCRAVAS
Zana Muhsen e Miriam Ali
ASA
Filhas de pai iemenita e mãe britânica, Zana e Nadia nasceram em Inglaterra, onde viveram até ao dia em que o pai lhes propôs uma visita ao Iémen. As irmãs acreditaram estar perante umas férias de sonho: iam conhecer a família paterna e o país sobre o qual ouviam histórias desde meninas. Zana e a mãe, Miriam, fizeram então uma promessa: trazer Nadia e os filhos de ambas para Inglaterra. Acreditavam que os homens da sua família e os governos dos dois países tomariam uma atitude. Estavam enganadas. Para ambas, começava mais um longo calvário. Perante a indiferença da comunidade internacional, Nadia continua cativa no Iémen. Zana e Miriam não desistem da sua luta. Escravas é um pedido de ajuda. Um grito de revolta. Um documento fundamental sobre uma das práticas mais aberrantes do mundo contemporâneo.

ALGO MALIGNO VEM AÍ
Ray Bradbury
SAÍDA DE EMERGÊNCIA
O espetáculo está prestes a começar. O circo chega pouco depois da meia-noite, nas vésperas do Halloween. O que fariam se os vossos desejos secretos fossem concedidos pelo misterioso líder do circo, o Sr. Dark? O circo a todos chama com promessas sedutoras de juventude eterna e sonhos por cumprir… Dois amigos adolescentes, Jim Nightshade e Will Halloway, são incapazes de resistir às atrações. A sua curiosidade de rapazes fá-los descobrir o segredo oculto nos labirintos, fumos e espelhos do tenebroso circo. Inconscientes do perigo em que se veem envolvidos, uma terrível perseguição é posta em marcha e Jim e Will tudo terão que fazer para salvar as suas vidas. Mas, acima de tudo, as próprias almas...

 Novidades em imagens:


Monday, 17 September 2012

Versatile Blogger


Obrigado à p7 do blogue Bookeater/Booklover pelo selinho :)

Regras:
1 - Postar o selo e dizer quem me presenteou;
2 - Dizer 7 coisas sobre mim;
3 - Presentear 15 blogs com o mesmo;

Ora bem sete coisinhas sobre mim:
1 - Bebo desde 3 - 5 cafés por dia;
2 - Costumo levar o multi-tasking muito a sério: inclusive estar a fazer 3-4 coisas ao mesmo tempo;
3 - Quando escrevo uma cena importante ou complexa, desligo a música;
4 - O meu Windows Media player é bipolar: tanto toca música clássica, como atira-me Slpiknot;
5 - O primeiro livro em inglês que li foi o Harry Potter and the prisoner of Azkaban;
6 - Ganhei pavor às traduções depois de ter traduzido os primeiros parágrafos do Moby Dick no primeiro ano de faculdade. A professora disse que aquilo estava uma desgraça.
7 - No autocarro sento-me sempre nos bancos de trás, porque penso sempre que alguma velhinha vai entrar e pedir os bancos da frente.

Agora toca a retribuir! São 15... será que conheço 15 blogues?
1 -Vera do My Imaginarium
2 - Joana Cardoso do The Paper and the ink
3 -Ana Neves do Mundo Encantado dos livros
4 -Cris do O tempo entre os meus livros
5 - Raquel de crónicas de uma leitora
6 -  Carla Ribeiro de As leituras do corvo
7 - Blogue Melodia das letras
8 - A equipa do Os livros nossos
9 - Dark Tales
10 - Ni Rodrigues do Tertúlias à lareira
11 - Inês Montenegro de Tales of Godwana
12 - Mariana Teixeira de Silk and magic
13 - Elphaba J. de As histórias de Elphaba

e só faltam mais dois!

14 - Vitor Frazão do Crónicas Obscuras
15 - Moggo do Cantinho da Moggo

Alex9: 1st round


Sinopse

A caminho da frente de batalha contra os invasores, o Príncipe Dael de Brodom descansava com a sua guarda junto às margens de um lago quando um estranho fenómeno aconteceu: uma estrela despenha se no lago, e das águas emerge uma mulher quase nua que cai inconsciente nos seus braços. Será este o sinal de que uma antiga profecia se está a realizar? Sem saber porquê, a Tenente Coronel Alex 9, da 3ª Unidade de Comandos de Elite, é projectada para um planeta muito parecido com a Terra, onde uma guerra entre impérios medievais se está a travar. Aparentemente, a chegada de Alex à Segunda Terra despoletou uma miríade de consequências políticas que estão ainda longe de fazer sentido. Ao longo deste volume, repleto de batalhas com espadas e armas magnéticas, as linhas de trama começam a cruzar se e descobrimos um conflito que se prepara há séculos. Mas onde levará?

Ora bem esta crítica vai ser feita de forma diferente. Em vez de marcar pontos negativos, menos bem conseguidos, bons etc, irei dividir a crítica em dois pontos: O que eu quero ver mudado no 2º volume e o que eu quero que se mantenha. Visto a saga já estar concluída, não há muito para alterar, por isso será mais uma crítica, cujos pontos se podem verificar nos próximos volumes ou não.

Pontos que quero ver no 2º volume:
  • Descrições de batalhas com aqueles mapas que ilustram bem as batalhas;
  • Maior exploração do ambiente e da história onde:
  • as personagens apresentem profundidade psicológica;
  • as personagens sejam inteligentes;
  • Intriga política;
  • Maior envolvimento do leitor na história. 

Pontos que não quero voltar a ver no 2º volume:
  • A Alex 9 a ser descrita como bela e formosa;
  • A Alex 9 a salvar tudo e todos;
  • A Alex 9 a dar uma coça a toda a gente e a ser considerada a maior;
  • A Alex 9 a ter premonições de que "algo não vai bem";
  • As guerras a sucederem-se quase sem explicação nenhuma;
  • Mudanças de espaço de um momento para o outro, que são confusos para o leitor acompanhar.

Em suma, o volume que abre a história de Alex9 é um pouco confuso, raramente são-nos dadas explicações do que é que está a acontecer e porque é que estamos a seguir este caminho. Alex 9 acorda num mundo novo, com uma linguagem nova (e para variar aprende logo tudo rápido) e não se sente confusa, nem irritada e aparece aceitar tudo muito bem. Gostava de ver mais emoções na personagem no 2º volume e a ocorrer evolução. Este primeiro volume pareceu-me demasiado introdutório e a acontecer tudo ao mesmo tempo. Deixa sem dúvida um sabor amargo no leitor por deixar demasiadas perguntas em aberto e com poucas respostas. Vou ler o 2º volume para ver se há um desenvolvimento da história e das personagens. Como ponto positivo deixo o constante conflito, mas que mesmo os conflitos precisam de alguma justificação. A ver vamos.

PS: Não metam spoilers e digam: Ah no 2º volume ela faz X... EU SEI! Eu vou ler! Não me chaguem com spoilers do 2º.

Vencedor do passatempo "O teu rosto será o último"

Bem participaram 143 pessoas, o que foi bastante bom! Daqui a duas semanas contem com novo passatempo!

Parabéns à:

Ana Margarida Rosa Rodrigues (3)



Sunday, 16 September 2012

Yaoi em manga

Para verem o quão lindo este yaoi é... li-o em quê? Meia hora? Provavelmente! Para quem não sabe yaoi, também conhecido por Boy's love (now you're getting into it), é manga com personagens e plot homossexuais, onde as personagens principais estabelecem contacto físico (relações sexuais e essas coisas).
Este yaoi chama-se The teahouse e pode ser lido online for free! A arte é espectacular, a história nunca fica murcha e há sempre desenvolvimentos ou plot twists! As personagens são alguma efeminadas, outras aparentam o sexo que têm, mas há sempre essa vantagem de nunca sabermos de que sexo são as personagens. Vou esperar ansiosamente por segunda que é quando sai a nova tira! Até lá fiquem com o link  para o webcomic e link ainda para o Goodreads!

AVISO: Este yaoi é 18+, fica aqui o aviso caso sejam tolos o suficiente para quererem mostrar cenas homo-eróticas a pessoas mais jovens e inocentes!

Link para o webcomic:  http://www.teahousecomic.com/comic/?id=1
Link para o Goodreads: http://www.goodreads.com/book/show/10387381-teahouse

Friday, 14 September 2012

Assim se faz um grande escritor (quickie)

Este livro é um murro no estômago, uma bofetada na cara e que por vezes esgana a nossa alma até perdermos a respiração. O livro conta a história de Francisco Lázaro (um atleta português) e da sua família: do seu pai que morreu, da mãe, das irmãs Marta e Maria, do seu irmão Simão e das(o) sobrinhas(o), todos unidos pelo cemitério de pianos da oficina do pai. A mudança do narrador e até do estilo narrativa apesar de por vezes ser um pouco confuso acaba por adicionar um quê de maravilhoso no livro. O estilo poético esbarra com os acontecimentos trágicos e pesados da narrativa. As personagens são extremamente humanas e há sempre uma condição trágica em cada uma delas. Os homens contrastam entre a personalidade violenta e a personalidade dócil, as mulheres submetem-se ao silêncio muitas vezes tentando lutar com o pouco que têm. As crianças, inocentes, são as únicas que ainda conseguem trazer harmonia e paz à destruição. Um livro vertiginoso para ler com muita calma e atenção.

Thursday, 13 September 2012

O Acidente

O acidente
(Die Panne)
Friedrich Dürrenmatt
Edição: Europa-América
Páginas: 123

Alfred é um homem com uma vida desafogada que trabalha numa empresa de texteis e que durante uma viagem o seu carro topo de gama avaria. Deambula então por uma aldeia onde encontra uma casa constituída por senhores velhos, reformados da vida politica, cujo hobby é fazer julgamentos fictícios. Trapps janta com eles e aceita tomar parte desta brincadeira, começando por se afirmar inocente, pois até à data não cometera crime nenhum. Os senhores, riem-se e duvidam da sua palavra, escavando até ao mínimo detalhe da sua vida. Aprendem que Trapps fora filho de um operário marxista e que só recentemente conseguiu subir de posição. Lutou por isso toda a vida para ter uma posição favorável. Trapps é casado, tem quatro filhos e a recente morte do patrão fora o principal motivo da sua ascensão. A morte do patrão leva o juiz a entender que Trapps matara-o. No entanto este alega que o senhor morreu de um ataque de coração. A necessidade de um crime e a necessidade de um culpado, leva a que Trapps seja julgado pelas suas acções menos nobres. Trapps é sentenciado à morte ficticiamente pela morte indirecta do patrão.

O labirinto mental, a veracidade das acusações e dos factos, as metáforas bem conseguidas, fazem com que este conto, ainda que pequeno, valha bem a pena ler. Com algumas referencias ao estilo de Kafka e influenciado pelo existencialismo, Friedrich Dürrenmatt foi uma surpresa bastante agradável, proporcionando uma experiência estranha e ao mesmo tempo deliciosa, abandonando o leitor no fim, psicologicamente perturbado.

Wednesday, 12 September 2012

[Poema] Amor aquático de Pedro Pinto

Amor Aquático
Pedro Pinto


Vens-te em mim:
Eu permito!

Vens-te novamente,
De novo,
Mais e mais:
Eu permito!

Vens-te nos meus grãos,
Nas minhas enseadas,
Fazes nascer o desejo de ti,
Queres ser desejado:
Queres?

Vem-te em mim:
Refresca-me!
Inunda cada grão,
Brinca com cada milímetro
Cada pedaço de um “nós”.

Tuesday, 11 September 2012

O quarto dos horrores

The Bloody Chamber 
O quarto dos horrores (versão portuguesa)
Angela Carter

Apesar de o livro conter mais do que o conto que serve de título à obra, irei somente analisar o conto “The Bloody Chamber” numa exposição talvez um pouco confusa para aqueles que ainda não leram. Adianto que a pesquisa e a meditação em torno deste conto foi bastante aprofundada, por isso algumas teorias e opiniões que irei apresentar não deverão ser recebidas como rebuscadas ou fruto de uma imaginação muito fértil.

Angela Carter escreveu ou melhor reescreveu vários contos de fadas entre eles “Puss in boots”, “Little Red riding hood” e “Bluebeard”. Angela Carter focou nos seus contos o grotesco, o papel da mãe e da mulher e sobretudo a vertente pornográfica/ erótica. O conto “The Bloody Chamber” sendo uma reescrita do conto do escritor frânces Charles Pierrault “ engloba estes temas e outros. Para quem já conhece o conto original existem algumas alterações fundamentais: primeiro existe uma terceira personagem, um moço de recados cego, que vem a ser uma das personagens com mais influência no final, segundo não são os irmãos que salvam a personagem principal, mas a mãe e por último o próprio fim acaba por divergir um pouco do original.

Sentimos logo de inicio que a personagem feminina é uma pessoa algo “corrupta”, visto que se casou com o marquês pelo seu estatuto social, embora proclame que o ama. Chegadas ao castelo onde vão passar a lua-de-mel e tomando conhecimento que o seu marido teve outras mulheres, que usavam um anel, abre-se uma nova porta na vida do marquês “every bride that came to the castle wore it, time out of mind. And did he give it to his other wives and have it back from them? asked the old woman rudely; yet she was a snob.” O marquês for a casado três vezes, sendo a protagonista a sua quarta mulher. O anel e o colar de rubis representam não só a paixão e o poder que o Marquês exerce sobre a protagonista, como também é o símbolo do seu destino e o das outras mulheres.

Existe sempre uma fronteira entre o pavor que a narradora sente, mas também o fascínio pela riqueza e luxúria que o marido lhe poderia oferecer. “He made me put on my choker, the family heirloom of one woman who had escaped the blade. With trembling fingers, I fastened the thing about my neck. It was cold as ice and chilled me.” A protagonista consegue quando está com o colar sentir a morte cada vez a aproximar-se dela, sem se aperceber que o destino de todas as mulheres que usarem o colar será o da dona original: a morte. A personalidade sádica e perversa do marquês evidencia-se através do voyerismo “Our bed. And surrounded by so many mirrors! Mirrors on all the walls” e de uma possível colecção de pornografia “Have the nasty pictures scared Baby? Baby mustn't play with grownups' toys until she's learned how to handle them, must she?” Através dos espelhos o marquês consegue intimidar a mulher, contemplando-a como um objecto, mas sem esta poder retribuir. “Yet I had been infinitely dishevelled by the loss of my virginity. I gathered myself together (…)”

A protagonista é aniquilada como mulher, renascendo na mesma cama que o seu marido nasceu para ser sua mulher inteiramente. Porém esta não é inteiramente livre de culpa, ela própria admite a sua culpa de se ter deixado seduzir pela luxúria. O objectivo, digamos assim, de Carter seria mostrar uma certa supremacia do homem face à mulher a nível económico.

Quando o marido é forçado a deixar a lua-de-mel em negócios e seguindo fielmente a linha original a protagonista fica em casa sozinha com um molhe de chaves, cuja mais pequena não deve nunca ser usada. Uma das advertências principais do conto de Perraults era dirigida aos maridos, para que não fizessem pedidos impossíveis de realizar às suas mulheres. Embora a chave represente uma armadilha para a jovem esposa ” I did not believe one word of it. I knew I had behaved exactly according to his desires; had he not bought me so that I should do so?”, o marquês sabe que ela irá fraquejar e descobrir a câmara secreta para depois se juntar às outras mulheres. O rio de sangue no qual as chaves caem, é o espelho do seu futuro, mas também indica que todas as mulheres perderam a virgindade com o marquês, dando pelo menos às três acesso directo à morte.

Essas duas marcas (a perda da virgindade e o sangue na chave) nunca irão desaparecer, servindo como provas para a sua sentença dada pelo marquês no dia em que regressa “'My virgin of the arpeggios, prepare yourself for martyrdom.' 'What form shall it take?' I said. 'Decapitation,' he whispered, almost voluptuously.” Facto curioso este ritual de morte que evidencia não só o sadismo do marido, como também este parece ter traços de vampiro: “'My little love, you'll never know how much I hate daylight!”, “And he kissed those blazing rubies.”, a própria cara do marquês é extremamente branca. Sendo os vampiros seres sexuais e com bastante encanto a narradora não é mais que uma presa. Será a mãe quem a libertará das garras do marido, restituindo uma vida normal à filha. A imagem da mãe em “The Bloody Chamber” e em vários outros contos é uma mistura de homem e mulher.

A mãe mata o marquês, quando entra, no seu cavalo, pelo pátio do castelo evitando a morte da filha. Ao contrário da filha a mãe não consegue ser corrompida e é na verdade uma personagem independente. Cabe à mãe o papel de não só salvar a filha, como restituir uma vida calma com uma terceira personagem masculina: Jean-Yves, um pobre afinador de pianos cego, que também sofre de alguns estereótipos machistas. No fim do conto temos uma importante marca de intertextualidade com a obra de Charlotte Brontë “Jane Eyre”. O contraste entre as duas personagens masculinas será mais evidenciado através da cegueira.

Ambos precisam do apoio das mulheres para estas se sentirem úteis e não submissas, e no caso de “The Bloody Chamber” a cegueira pode significar impotência sexual, levando a crer que esta impotência nada mais será do que um amadurecimento da personagem principal, que não precisa mais do masoquismo.

Monday, 10 September 2012

O vampiro contemporâneo

Anne Rice simplesmente usa as personagens de Louis, Lestat e Claudia como mensageiros de algo muito superior a um conto gótico. Começando aos poucos com o início da entrevista ao vampiro Louis guiada por um rapaz sem nome, recuamos até ao século XVII quando o vampiro Louis, atormentado pelo recente suicídio do seu irmão é transformado pelo vampiro Lestat, um homem entediante e pouco culto.

Ambas as personagens são os opostos: Lestat gosta de brincar com as suas vítimas e não questiona a sua condição de vampiro, enquanto Louis tal como Claudia, fica obcecado com a sua identidade e tentativas sucessivas de descobrir o que significa ser um vampiro. Lestat pouco importado com estas questões pouco pragmáticas ocupa-se em viver uma vida despreocupada às custas de Louis. A humanidade em Louis desaparece aos poucos, tal como algumas das suas memórias. Poucas são as vezes em que ele relembra a sua família ou a figura de Babette, o seu primeiro amor, e a primeira pessoa viva que soube que ele era um vampiro. Filho de Deus ou de Satanás esta será a dúvida que Louis nunca conseguirá esclarecer, pelo menos enquanto permanecer na companhia de Lestat. O rompimento só acontece quando Claudia, uma miúda de seis anos, é transformada por Louis e Lestat após uma crise de consciência. Claudia permanecerá para sempre como uma rapariga pequena, uma boneca demoníaca, pronto a explodir de ódio, quando descobre que nunca crescer e amar livremente Louis. Embora Louis seja pai, amigo e amante de Claudia, as implicações pedófilas da personagem conseguem aumentar substancialmente a densidade do livro.

Claudia pode não crescer fisicamente, mas evolui psicologicamente tornando-se numa “mulher” fria, manipuladora, ciumenta e desinteressada com tudo. As bonecas com que se divertia deixam de lhe interessar e só os encontros com outros vampiros e adopta as próprias perguntas de Louis em relação ao sentido da vida/morte. Através da personagem de Claudia Anne Rice sobe mais um patamar em direcção à homossexualidade. A menina é apresentada como filha tanto de Louis como de Lestat, quando estes moram na mesma casa como uma família normal. Os anos passam sem que o leitor se aperceba e só pequenos símbolos como peças de roupa ou até no fim a sirene, contribuem para situar o leitor no tempo. Outro tema bastante recorrente na literatura e especialmente (se verificarem na literatura de vampiros, tirando a saga “True Blood”) existe a necessidade constante de viajar. De Nova Orleães para a Europa de Leste, Paris, Egipto, Ásia, embora nem todos os locais possam ser agraciados com descrições ricas, Nova Orleães e Paris são os dois focos principais na narrativa de Louis. Principalmente devido à existência de outros vampiros. Se em Nova Orleães Louis não encontrara quaisquer vampiros, em Paris no “Theatre des Vampires” existe um nicho deles, onde Louis encontrará Armand e perderá a sua filha/ amante. Mas quando a era de Claudia acaba, começa uma fase repentina com o acordar da homossexualidade entre Louis e Armand. Louis que sempre se apresentou um vampiro sério e filosófico, não resiste aos encantos de Armand e acredita que encontrou a pessoa ideal para viver a morte sem questões, apreciando a arte e longe de Lestat e de Claudia.

Mais do que a história, o ponto forte da narrativa são as personagens e o que cada acorda dentro de nós: desde ódio até ao amor doentio, a perseguições filosóficas da vida, cujas respostas são impossíveis de obter, a passagem do tempo completamente efémera, mas também entediante, as pessoas que de alguma forma evoluem, mas que no fundo todos procuramos o mesmo: tal como Louis todos nós procuramos uma verdade absoluta, na qual nunca vamos ter resposta. Quando o livro acaba ser vampiro é muito mais do que ser um monstro ou filho de Satanás. É um modo de vida, uma constante busca de sentido para a morte.

Do catálogo da Europa-América constam ainda (por ordem)


Sunday, 9 September 2012

Escrever um livro só porque sim!

Começo por dizer que a Presença tem um catálogo fantástico, onde publica os meus autores favoritos: Henry Miller, Kafka, Toni Morrison, Charlotte Brontë, Emily Brontë, Ursula Le Guin, F. Scott Fitzgerald, entre outros. Se algum dia conseguir finalizar dois projectos dos meus, tentarei sem dúvida enviar algo para lá. No entanto, depois caem-me no colo livros como este! Não sei como um autor consegue construir um livro pior que o primeiro, mas a verdade é que conseguiu. Se o anterior era uma cópia do Vampire, The Masquerade com laivos de Anne Rice; este não tem ponta por onde se lhe pegue. Vamos outra vez por partes.
Eu sabia que:
1 - o livro ia começar onde o 1º terminou, num pseudo-cliffhanger só para haver 2º livro, quando não havia necessidade nenhuma;
2 - já não iria haver aquela evolução da linguagem que achei positivo no 1º volume;
3 - achei que iria haver outro tipo de evolução (mais acção).


Posto isto, tenho a dizer que não entendo a necessidade deste livro, não traz nada de novo tanto à história como às personagens e só serve para o ódio face ao Daimon aumentar.
A história é igual à primeira, há alguém que quer governar Arcana e por isso metem uma bomba durante uma reunião para assinar tratado de paz... e basicamente é isto. Sinceramente não sei o que é que o trono de Arcana tem assim de tão especial. Talvez faça com que os homens fiquem mais bonitos, ou musculados! Ou talvez seja o look! Se o trono for como o Iron throne, aqui a miss também quer um! Entendo que a vingança e a busca pelo poder seja algo recorrente na literatura e até é um tema bastante interessante, quando pensado com calma. Aqui houve apenas reciclagem de história e de vilão, o que mostra falta de originalidade. Outro aspecto menos positivo foi as cenas de acção e a espécie de "policial". Ora bem antes que comece a debitar li alguns livros de vampirologia e sei de cor (I am not ashamed of my geekness!) os poderes dos vampiros. Os vampiros de Arcana... bem são uma bosta! Têm de andar com cuidadinhos para não serem apanhados e pelos vistos o único poder que têm é adormecer pessoas (e leitores ba dum tss!) Podiam transformarem-se em morcegos, em nevoeiro, sacar de uma hipnose ou sei lá são vampiros, estão mortos, têm poderes! Senão qual é o objectivo de ser vampiro? Ficar emo para toda a eternidade? Se estão mortos e bebem sangue... ao menos uns poderes para brincar de vez em quando! O problema é que têm de ter tanto cuidado e são tão inúteis que em vez de fazerem eles a pesquisa, não! Andam atrás dos jornalistas que cobriram a explosão e antes de eliminar as provas ficam com elas para tentarem arranjar o culpado! Ora se os jornalistas mortais são melhores que os vampiros... estamos mal!

As personagens.... bem ainda são pior que o primeiro! Daimon continua a ser maravilhoso e a prever tudo na perfeição! Tem sempre planos fantásticos que resultam e está sempre com premonições certas. Continua a queixar-se de tudo e a ser o melhor.
A Lilía deixa de ter peso e passa apenas a ser a sidekick e o Janus é um fantoche nas mãos do Daimon. Aliás o próprio admite que quem devia governar Arcana devia de ser Daimon e não eles, visto que Janus está sempre fora de cena e nunca faz nada de importante.
As personagens secundárias estão lá só mesmo porque é conveniente, mas a maioria não tem peso, tirando o Terium! A única coisa que achei bem construída foi o Terium, um vampiro louco com um pinguim imaginário que introduziu algo de humorístico.

Basicamente o primeiro livro podia ter sido dividido em três partes onde cada século poderia corresponder a um volume e assim teríamos aproveitado mais do universo. Assim temos apenas dois volumes chatos e repetitivos. Muito sinceramente fiquei surpreendida pela Presença ter publicado estes dois volumes e ainda um terceiro (que irei ler, duas desgraças nunca vêm só). Não entendo como num catálogo recheado de livros excelentes fica manchado com obras de fantasia com baixa qualidade marcadas pelo plágio (falo do primeiro livro de Sandra Carvalho e este). Custa-me enquanto crítica ter que dizer isto, mas não sei como é que alguém dá mais que 1 valor a um livro tão mau. Acho que as pessoas chegam a um ponto em que pensam que apoiar o que é português é incentivar. Eu prefiro incentivar autores que têm qualidade, que sabem escrever e que não plagiam. Depois tenho de aturar os autores que não foram publicados a chorarem-me ao ombro a dizer "Mas o livro é uma bosta e foi publicado, porque é que eu não fui?" E o que é que eu respondo a isto? Expliquem-me! O que é que eu lhes digo?

Saturday, 8 September 2012

Nunca misturar religião com guerra e romance

Nas asas do amor
Wings of glory 1
Sarah Sundin
Editora: Quinta Essência
Páginas: 456


Um bom livro tem de ter uma história interessante, que cative o leitor; personagens que ajudem a acção do livro e estabeleçam uma conexão com o leitor e uma estrutura que não quebre o ritmo de leitura. São estes três ingredientes simples que constituem o básico dos básicos para um livro ser aceitável.

“Nas asas do amor” começa com uma premissa boa. A autora consegue iniciar o livro com as personagens e duas situações que logo despoletam a acção principal da história. Até mais ou menos 20% do livro a história segue um rumo bom. Conhecemos Allie, uma mulher que está noiva de Baxter há quatro anos, mas que só se irá casar com ele por causa dos pais e da sua empresa. Desde cedo é possível caracterizar um pouco Allie como uma espécie de Cinderella: ela é linda, mas os pais dizem que é banal; ela é inteligente e até tirou um curso de gestão, mas os pais preferem que seja um desconhecido a dirigir a empresa. Quando Allie conhece Walter Novak, tudo muda. Walter pelos vistos também é uma pessoa supostamente atraente, mas que por algum motivo também teve poucas aventuras amorosas. Assim estabelece-se uma premissa para o final: Allie tem de ficar com Novak. Afinal Novak é perfeito para ela e a química é, desde cedo, evidente.

Contudo, a partir do momento em que Allie e Novak se sentem atraídos um pelo outro, a autora decide que separá-los será a melhor solução. Cá no burgo também achamos que sim! Afinal se ficassem logo juntos passadas 50 páginas seria uma maçada. No entanto numa estrutura narrativa que tinha tudo para funcionar, acaba por ruir a história. Quando Allie se separa de Novak torna-se submissa, hipócrita e até mesmo chata. Em vez de seguirmos uma linha de narrativa com acção (como quando seguimos a de Novak a lutar contra os alemães), seguimos Allie constantemente a criticar os outros e a ela própria. Allie desdenha a igreja que frequenta porque diz que as pessoas lá não são crentes a sério, Allie diz que deve seguir o que os pais dizem fervorosamente, mas logo a seguir pede a Deus (numa atitude de beata virgem) que lhe mostre o caminho e, se for a vontade de Deus (wtf?) ela casa-se com o Baxter... Não temos nada contra a religião, certo? Nem que tenhamos! Trata-se de um livro, mas quando uma personagem pede a Deus que decida a vida por ela, depois de criticar os pais por não serem VERDADEIRAMENTE religiosos (whatever this means), a personagem principal torna-se um autêntico bocejo. Na verdade, segundo o narrador é Deus quem vai indicar o caminho a Allie, enquanto ela espera a rezar todos os dias, que Este lhe resolva a vida. Aprendam, meus amigos, que nós aqui não duramos para sempre! A autora a partir daqui perde o leitor e a história. Em vez de termos acção, temos constantes queixas e apelos de Allie para que Deus lhe “indique o caminho”.

Uma alcunha mais potente para Allie seria mesmo Mary Sue! Ela é bonita, ajuda os mais desfavorecidos, todos gostam dela menos os pais (provavelmente porque são umas bestas, e eu acho que a Allie é adoptada). Só na cabeça da Allie é que ela é feia e péssima em tudo que faz. Na verdade não há nada pior que uma heroína com baixa auto-estima.

O irónico nas personagens é que todas elas são beatas extremamente fervorosas, mas no entanto cometem pecados (mentem, são falsas) sempre, claro, com uma tentativa de justificação válida. O Novak mente, porque quer o melhor para Allie (nem que isto signifique que ela case um traste de homem), a Allie mente ao Novak porque ... I have no idea why! A autora cai no erro de esticar a corda de certa forma, que no fim o leitor já nem quer saber com quem é que a Allie casa, só queremos que ela se cale de uma vez por todas!

A nível de descrições de batalhas tem algumas partes bem conseguidas, alguns momentos engraçados, no entanto quando é suposto haver momentos de dramatismo é tudo levado com ligeireza, porque o foco é Novak e Allie, não o resto das personagens, cujo destino é-nos dito através... de Allie e Novak!

Em suma, “Nas asas do amor” é um livro que vai deixar provavelmente muitas mulheres com a lágrima no canto do olho, mas ainda assim somos esmagados com más decisões por parte das personagens e onde estas têm a profundidade de uma folha de papel. O leitor tem de seguir os queixumes de uma personagem mimada que só muda mesmo na última página. Sendo este o primeiro livro da autora, as falhas poderão ser colmatadas num segundo livro.

Por muito que gostasse de ler o segundo livro para ver a evolução da autora, se a autora mantiver uma visão de religião exacerbada, duvido que consiga chegar até ao fim.

Wednesday, 5 September 2012

O Ritual da Sombra

O Ritual da Sombra
Eric Giacometti & Jacques Ravenne
Contemporânea
20.90€
Pp.: 384


Um thriller cheio de suspense que introduz os leitores nos meandros da maçonaria e estabelece um paralelo histórico com as mais modernas investigações.

Roma. Um arquivista do Grande Oriente é assassinado na altura de uma festa na embaixada francesa, cumprindo um ritual que evoca a morte de Hiram, o lendário fundador da Maçonaria. Em Jerusalém, um arqueólogo que tem na sua posse uma enigmática pedra gravada tem uma morte semelhante. O comissário Antoine Marcas, mestre mação, e a sua parceira, Jade Zewinski, são confrontados com assassinos de uma irmandade nazi, a Sociedade Thule, oponente ancestral da Maçonaria. Sessenta anos após a queda do Terceiro Reich, os arquivos dos mações, que haviam sido roubados pelos alemães em 1940, continuam a fazer o sangue correr… Mas que segredo intemporal estará escondido entre aquelas folhas amarelecidas?


«[…] uma eficácia incontestável e um perfume de autenticidade […]» Hubert Prolongeau — Première
Livro já publicado em França, Inglaterra, Bulgária, República Checa, Dinamarca, Alemanha, Hungria, Itália, Holanda, Noruega, Portugal, Espanha, Rússia, Polónia, Turquia, Brasil e Japão.

Sunday, 2 September 2012

Passatempo início de Setembro

Bem-vindos a Setembro! De 2 a 16 de Setembro irá ser sorteado um exemplar do vencedor do prémio LEYA 2011: O Teu Rosto será o último de João Ricardo Pedro. Para isso terão de responder às perguntas no formulário, podem consultar as respostas aqui.Cada pessoa poderá participar uma vez e só serão aceites duas moradas iguais (no caso de haver irmãos ou maridos envolvidos).
Boa sorte :)