Friday, 29 June 2012

Os primeiros livros de FC a serem lidos

Estes livros podem ser não ser totais desconhecidos para o público amante de FC, contudo um dos principais objectivos do blogue foi sempre dar a conhecer algumas obras não traduzidas em português. Neste caso só um livro é que se encontra traduzido (julgo, verifiquei na wook, maaaasss nunca se sabe).

Stranger in a strange land
Robert Heinlein

Fiquei chocada quando vi que esta capa estava categorizada como nas mais feias. Ok pode não ser apelativa, com manequins pálidas no Photoshop, mas acho que representa bem a dicotomia entre Homem e Mulher presente nas primeiras páginas. A escrita de Heinlein aqui é competente e a história ainda se está a desenrolar, contudo é notório que a trama principal será à volta de Smith (o Marciano) e a sua relação para com as mulheres.


The man who sold the moon
Robert Heinlein

Bem que diferença no estilo de escrita! Mais irónico e mais fluído, lê-se muito bem e os diálogos são vivos e fazem as pessoas reflectirem. Torna-se impossível ler esta história sem deixar de pensar na correria que foi há uns anos quando os ricaços compararam terrenos na lua! Se o Heinlein tivesse aguentados mais umas décadas o que ele se ria!




Flowers for Algernon
Daniel Keyes


Só para verem o quão "hardcore" este livro é, estou ainda nos inícios e já me fez reflectir sobre o sistema de educação, a ética na ciência e ainda sobre as pessoas e as suas intenções. O uso de inglês mal escrito de propósito está excelente. Este livro daria muitas dores de cabeças aos tradutores, ainda assim valia cada cêntimo!

Tuesday, 26 June 2012

O que come uma bloguer?


Descansem que não vou começar a dissertar sobre as minhas banhas, nem sobre quantas calorias teve o meu almoço, que foi rissóis de camarão com arroz primaveril, porque recusei a picanha (as minhas banhas agradecem). Estou aqui para fazer publicidade descarada  (é importante sublinhar esta parte) a um blogue sobre papinha! 
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O blogue chama-se "Mogu-mogu" que como o subtítulo indica é uma onomatopeia japoca que indica o som de mastigar, estilo nom-nom.

Escusado será dizer que se não clicarem no link um destes bolinhos de arroz morre na boca de alguém: http://mogumogumunch.wordpress.com

Monday, 25 June 2012

"Fáxabor queria um bilhete para Marte!"

Hoje trago-vos dois livros de dois escritores portugueses que escrevem ambos sobre géneros diferentes. Ainda que não tenham nada em comum salvo a língua em que escrevem, a sociedade tenderá a ser mais gentil para o segundo e o primeiro, por muito bom que seja, será o filho bastardo, um "wannabe" que nunca chegará às luzes da ribalta. O primeiro livro é do autor João Barreiros (sim o senhor que me cedeu uma lista de 30 livros, é um amor), autor de FC portuguesa e anda cá há mais tempo que eu, por isso merece muito respeito! O segundo é João Ricardo Pedro, autor do livro "O teu rosto será o ultimo" vencedor do prémio LEYA 2011. Começamos mal! Um ganha um prémio e os marcianos não ganham nenhum? Comecemos então as críticas dos dois livros para ver se arranjamos um bilhete para Marte ou para uma viagem no tempo até ao 25 de Abril?


A verdadeira invasão dos marcianos
João Barreiros
Editora Presença
Páginas: 160

Quando comprei este livro pensei que ia ler algo steampunk puro: heróis dos primeiros romances steampunk, tecnologia toda a vapor, contudo penso que o livro é mais cyberpunk que steampunk. Não que estas designações afectem a qualidade do texto que está óptima, mas comprei por dizerem que era steam e na verdade é cyberpunk, mas na verdade I could not care less qual é o género!

Ler este livro pode ser comparado a uma boa refeição, começamos pelas entradas uma boa saladinha, seguido de uma sopa de espinafres ou uma sopa de tomate (my favourite) e para prato principal um bom bacalhau e para sobremesa algo docinho. A refeição parece estar completa, mas falta algo. Provavelmente será o cafézinho, a bica para degustar de toda a refeição. Acabamos esta obra esmagados pela prosa bonita de Barreiros. Temos um pouco a tendência de adjectivar a escrita: competente, poética, chata, aborrecida, mas as palavras que Barreiros escolhe são sempre as mais indicadas para as situações, seja para retratar um ambiente claustrofóbico, seja para aliviar o ambiente ou minar uma piada mais leve.

João Barreiros consegue com algum cuidado, tal como Hänsel fez há uns séculos atrás deixar migalhas para o leitor através de um cruzamento entre personagens fictícias e os seus criadores. Entendo, contudo, o porquê deste livro não ter caído nas graças da população em geral.O leitor português é preguiçoso e a prosa de Barreiros requer conhecimentos bons de literatura (pelo menos das personagens) e quem não leu The war of the worlds, nem sabe quem foi Edgar Rice Burroughs (se bem que agora com a edição da SDE do John Carter acho difícil este nome passar despercebido) a leitura torna-se lenta e possivelmente penosa. Still, para quem entende todos os "pwns" e as referências literárias é impossível não achar o livro genial. Talvez sejam as personagens que não estabeleçam aquele "clique" que os leitores tanto gostam, ou talvez a falta de uma mulher na prosa para baixar os níveis de testosterona. Antes que nos percamos nos "talvez", é um livro que vale a pena ser adquirido e lido por todos. E nada de dizer que "ai FC não é o meu género...", pois "A verdadeira invasão dos marcianos" está acima de qualquer género, é literatura da boa.


Fica a sinopse do livro:

Estamos em 1902, cinco anos depois da Invasão Marciana, que quase destruiu por completo o nosso planeta. Para responder ao assalto, a Europa, Rússia e Estados Unidos esqueceram as divergências ideológicas, étnicas e económicas, e formaram o mais gigantesco complexo militar-industrial da história da humanidade. Missão: ocuparem Marte e mostrarem aos marcianos sobreviventes quanto custa atacar traiçoeiramente a espécie humana. Num dos assaltos, os jornalistas Jules Verne e H. G. Wells, pacifistas por natureza, sonhadores de uma utopia não sabem o que fazer. Ainda por cima naufragaram no hemisfério sul do planeta a milhares de quilómetros do local de poiso do exército terrestre. As perguntas parecem não ter resposta: Que criaturas são essas, os Priiiiik, espécie de avestruzes inteligentes que parecem ter sido escravizadas pelos polvos?


Passamos agora para o segundo livro, um romance de estreia do autor João Ricardo Pedro vencedor do Prémio LEYA.
O teu rosto será o último
João Ricardo Pedro
Editora: Dom Quixote
Páginas: 208


Por norma a Dom Quixote é das poucas editoras portuguesas, cujas obras são das melhores de sempre. Este livro prometia muito, desde o título poético até ao prémio que recebeu e a sinopse. Mas é este o mal dos políticos e do marketing, promete-se muito, recebe-se pouco. Eu gostava de "dar" numa de intelectual, sacar dos óculos e dissertar sobre o quão maravilhoso este livro foi e quão enriquecedora fora a experiência de pegar neste livro e beber das suas palavras significados que me fariam descobrir o sentido da vida e o significa desta... Não aconteceu, mas podia ter acontecido! Em vez disso acho que comprava mais rapidamente um bilhete para Marte!

O problema do livro em si está no autor que tenta passar para o papel algo que não é, tenta assumir uma personalidade que não consegue controlar e o resultado é um emaranhar de situações desconexas, cujo estilo de escrita é uma salada de frutas que não se entende. O início começa bem, fresco, leve com algum excesso, confesso, de calão (e eu adoro calão nos livros, mas de facto aqui durante 10 páginas seguidas era um por página e sem contexto), no entanto a partir de uma certa parte o autor parece mudar de personalidade de adopta um estilo de escrita à José Luís Peixoto com repetições desnecessárias. Mais à frente o autor parece ainda querer sugar a personalidade da escrita de Saramago e arrisca a escrever uma frase com mais de 10 linhas, que resulta em algo sem sentido. Confesso que estava a ler e pensei "Estilo de escrita o tanas! Podia muito bem ter partido esta frase em três e ficava algo muito mais apelativo"... mas nãããõ! Vamos arriscar a escrever numa primeira obra algo que Saramago levou anos a conseguir... Bem, enfim, em frente!

A história em si podia ter sido melhor estruturada, o autor podia ter pegado em cada família e geração e ter seguido um pouco a corrente de consciência, sem andar de um lado para o outro a saltar e nem sabemos a idade das personagens (em alguns episódios isto importa), nem porque raios aquela situação está a acontecer. O livro precisava de uma revisão, pelo menos para ser menos abstracto e esperar que o leitor entenda tudo sabe-se lá como. Depois supostamente este livro deveria retratar o 25 de Abril, ainda assim é complicado entender de facto o período e os traumas do período da Guerra do Ultramar com uma prosa seca e sem conteúdo. O pai de Duarte regressa da guerra um homem diferente, mas não se sabe o porquê., um flashback ou analepse para arrepiar o leitor com os episódios de guerra. Ou seja, em vez de dizer "O teu pai não é o mesmo desde que veio da guerra", mostrar o motivo pelo qual ele mudou. Nisso ALA é mestre. Outra coisa que o livro peca é o excesso de informação que é dita em vez de mostrada. Acho fantástico que em Portugal um prémio destes seja atribuído a algo que seja só "tell", "tell,"tell". O cúmulo aconteceu quando o médico se apaixona pela sua governanta em apenas duas linhas. Saiu da aldeia três semanas, voltou olhou para ela e a partir daí começou a chamá-la "minha Laura": "Minha Laura vamos casar. Minha Laura é um menino. Minha Laura chama-se António. Minha Laura a nossa nora parece ser boa pessoa (ou moça não me lembro)." e é assim que sabemos os acontecimentos.

[Esta parte contém SPOILERS evite-a]
As personagens são algo de esquisito. Não são "likable", não temos tempo de sequer nos importarmos, nascem, morrem... we don't care, porque não há tempo suficiente para sequer gostarmos ou odiarmos.

Duarte é o pior de eles todos, um suposto génio do piano, ignora este seu dom e torna-se numa personagem supostamente trágica, mas que não passa de um alienado no mundo. A personagem de Duarte consegue ter um episódio onde, após ter convidado um amigo (que é um prodígio no desenho) para lhe fazer um retrato enquanto toca piano, encontra-o a (perdoem-me a expressão) bater uma no sofá em vez de desenhar o retrato... nesta altura pensei "Calma! Saca de todos os teus conhecimentos de leitura hermenêutica e arranja já de imediato uma explicação para este acontecimento!" Como era uma da manhã não consegui, agora com algum distanciamento pensei que Duarte fosse um homossexual algo reprimido (?) e aquele episódio o tivesse traumatizado, visto ser algo que ele, provavelmente, não entendesse na altura (não faço ideia que idade o rapaz tinha), ou então soubesse o que era e, sabia que era algo mal visto e proibido. Mesmo assim foi a cena "wtf" do livro.

Em suma: O teu rosto será o último vem envolto de uma capa bonita, de uma máquina de marketing muito boa e que consegue convencer os mais ingénuos que isto é boa literatura. No entanto, deixem-me que vos diga, se vocês não entendem um livro (excepto os clássicos) a culpa não é vossa, é do autor que não soube explorar bem os elementos que tinha à sua disposição. Claro, que há muitas pessoas que pegam em palavras bonitas e pré-feitas, escrevem uma opinião tal e qual o livro, com uma embalagem bonita, mas que na realidade não passa de um adjectivado oco. Sendo assim, este livro aparenta ser algo que não é, com muita pena minha, pois acho que tinha potencial para ser algo muito bom (a roçar no genial).

Fica a sinopse do livro:

Tudo começa com um homem saindo de casa, armado, numa madrugada fria. Mas do que o move só saberemos quase no fim, por uma carta escrita de outro continente. Ou talvez nem aí. Parece, afinal, mais importante a história do doutor Augusto Mendes, o médico que o tratou quarenta anos antes, quando lho levaram ao consultório muito ferido. Ou do seu filho António, que fez duas comissões em África e conheceu a madrinha de guerra numa livraria. Ou mesmo do neto, Duarte, que um dia andou de bicicleta todo nu. Através de episódios aparentemente autónomos - e tendo como ponto de partida a Revolução de 1974 -, este romance constrói a história de uma família marcada pelos longos anos de ditadura, pela repressão política, pela guerra colonial. Duarte, cuja infância se desenrola já sob os auspícios de Abril, cresce envolto nessas memórias alheias - muitas vezes traumáticas, muitas vezes obscuras - que formam uma espécie de trama onde um qualquer segredo se esconde. Dotado de enorme talento, pianista precoce e prodigioso, afigura-se como o elemento capaz de suscitar todas as esperanças. Mas terá a sua arte essa capacidade redentora, ou revelar-se-á, ela própria, lugar propício a novos e inesperados conflitos?

Friday, 22 June 2012

Tema do trimestre

O novo tema do trimestre era para ser sobre romance (light), contudo trocaram-me as voltas e notei que tinha um número abismal de livros para ler sobre... pasmem-se Ficção Científica! Pois é, na verdade tenho uma lista enorme que ainda está a recuperar do Steampunk e podemos dar numa de geeks e nerds e falar de Ficção Científica (algo que nunca entendi muito bem até este ano) nestes três meses, com a excepção de alguns livros em português para o desafio do blogue da Andreia Ferreira!



Os livro serão (lista em construção):


  • Stranger in a strange land 
  • Fahrenheit 451
  • Leviathan Wakes 
  • Infernal devices
  • The different engine (ainda Steampunk)
  • The female man
  • The Mamoth book of Steampunk (ainda Steampunk)
  • Iron Council 
  • Dune
  • Behold the man
  • The Lathe of Heaven
  • Perdido Street Station (ainda Steampunk)
  • Metro 2033 
  • The Affinity Bridge (ainda Steampunk)
  • The bookman (ainda Steampunk)
  • The court of air (ainda Steampunk)
  • The kingdom beyound waves
  • The horns of ruin (ainda Steampunk)
  • Flowers for Algernon 
  • Do Androids dream of electric sheep?
Já leram algum? Querem sugerir mais alguns? Feel free to do it!

Saturday, 16 June 2012

Despojos da Terceira Guerra Mundial

Não foi a Terceira Guerra Mundial, mas podia ser! Este ano, como prometido a mim, mesma só comprei livros de autores portugueses e qual foi o meu espanto quando vi que só tinha comprado livros de autores masculinos! A verdade é que leio mais autores masculinos portugueses e mais autoras femininas inglesas/alemãs. Vá-se lá saber porquê!

A Feira do livro este ano estava uma bosta autêntica, aliás não me admirava nada que para o ano não houvesse feira! Livros muito caros (tirando os Alfarrabistas, mas esses é preciso escarafunchar até encontrar o que queremos), e as promoções eram um pouco lamechas mesmo na Hora H, ainda assim consegui sacar o livro do João Barreiros e logo na primeira visita consegui "Os dias da febre" por 8€, visto ser Livro do dia. Estava indecisa, mas o facto de se passar no século XIX com o surto de febre amarela não resisti! O autor parece ser um senhor extremamente fofo, simpático e culto. Acima de tudo valeu a pena abrir o livro e ver lá um mapa de Lisboa pós-terramoto.



O que me leva ao último livro na imagem: O dia em que Lisboa tremeu. Estou desiludida com a LEYA. Muito! Eu adoro a colecção de bolso deles, acho-a das poucas colecções que valem a pena: bons nomes, bons livros, mas venderem livros de bolso a 10€ (igual à FNAC/ Bertrand/ Wook) numa feira do livro, quando a edição normal está mais cara 1,70€... erm é gozar com a minha cara, não é? Infelizmente queria mesmo ler este livro, para ter noção de Lisboa durante o Terramoto. Após ter lido alguns documento sobre o terramoto em si, gostaria de ler algo ficcional sobre o acontecimento. Aproveitei a promoção de livro do dia e foi a prendinha do meu "homem".

"O teu rosto será o último" é o livro para o mês de Julho no Clube de leitura da Bertrand em Braga, por isso aproveitei a generosidade do meu homem para me oferecer, visto estar a 10€ e ser uma "novidade".

Na Quinta-Feira decidi passear um pouco pela feira, visto que não ia a tempo de apanhar o comboio das 18.10, passei pelo stand de Relógio de Água e vi o livro do meu antigo professor Pedro Eiras à venda por 3€... claro que não resisti e trouxe-o para casa toda contente! 

Enfim só hoje o meu homem gastou 21€ em dois livros quando no resto dos dias eu gastei em três 17€, no final as contas foram (mais ou menos):

Os dias da febre: 8€
A verdadeira invasão dos marcianos: 6€
Os três desejos de Octávio C.: 3€
O teu rosto será o último: 10,60€
O dia em que Lisboa tremeu: 11,70€ 

Wednesday, 13 June 2012

Vale a pena ler

Roubei a imagem do 9gag, mas aqui vai! Algumas das sugestões são mesmo muito boas e outras de leitura obrigatória.


Monday, 11 June 2012

Kill me now!

Beguiling the Beauty
Fitzhugh Trilogy #1
Sherry Thomas
Páginas: 304
Editora: Berkley Sensation

Para justificar a escolha deste livro tenho a dizer que a culpa é desta capa! Antes de comprar a edição portuguesa, decidi verificar se a leitura valia a pena. Já me aconteceu ter lido o primeiro livro de uma autora, gostar e os seguintes serem uma bosta, este foi ao contrário. O primeiro livro foi tão mau... que deixei-o a meio!

A história supostamente pertence a um romance "histórico" light/erótico (estas categorias andam a ficar um pouco difíceis de entender).
O duque de Lexington apaixona-se perdidamente pela baronesa von Seidlitz-Hardenberg que supostamente já foi casada duas vezes. Sempre que o duque se tenta aproximar da senhora, pelos vistos esta encontra-se casada (é preciso ter azar). O duque, pelos vistos, é um arqueólogo e quando vai dar uma palestra, cospe veneno e humilha a baronesa (sem saber que esta está presente) ao dizer que conheceu uma senhora que parecia muito bonita, mas na verdade não passava de uma interesseira que casava com o mais rico... Envergonhada, a baronesa jura vingança. E (pergunta sem rasteira) qual a maneira mais eficaz de se vingar de um homem? Ora pois claro, vamos fazer com que ele se apaixone por mim e depois pumba, abandono-o. Óbvio que as coisas não correm assim tão bem e ambos acabam por se apaixonar e parei por aqui a leitura porque já me estava a enervar.

A baronesa é uma mulher retratada pela sociedade como alguém interesseira, mas na verdade não passa de uma santinha que, coitadinha não pode ter filhos e foi maltratada por um marido. Confesso que, ter colocado a condessa como alguém que gostava de arqueologia era um ponto a favor, SE  a autora não sofresse de burrice e tivesse despejado esse factor pela janela fora. Parece que a baronesa só gosta de arqueologia para colocá-la no sítio certo e surgir daí uma atracção para com o duque.

O duque é uma alface que só quer ter "le sexy time" com a rapariga estrangeira de sotaque estranho, porque já que ela abre as pernas para ele, há que aproveitar! Devo ser eu que sou esquisita, mas sou a única que se visse estes "heróis" masculinos na realidade, fugia deles a sete pés?

O que mais me enervou, confesso, foi a personagem feminina, que é burra que nem um calhau! Quando se quer vingar de uma pessoa, faz-se uma esperinha, coloca-se cianeto no chá, pega-se numa caçadeira e dá-se um tiro... agora não se vai para a cama com o dito cujo! Mas a personagem é TÃO inteligente e oh tadinha tão sofrida por não poder ter filhos que em vez de fazer algo da vida, anda atrás do duque.

Até entendia se me dissessem que isto seria uma reflexão sobre o papel da mulher na sociedade, a mulher que era pressionada a ter filhos e uma vida doméstica, mas erm... não me parece (pelo decorrer da história, que btw é histórico, mas não sei em que período, provavelmente victoriano?) que seja esse o objectivo. Acho que era mesmo contar uma história lamechas onde tudo está bem quando acaba bem. Até porque de histórico só mesmo os vestidos e alguns costumes, de resto não encontrei nenhuma marca que me levasse a crer que fosse ou Victoriano ou era Edwardiana. Se escrevam romances históricos ainda que light, tenham a decência de pesquisar a sério a época, porque senão parece algo fora do contexto.

Se ler o livro publicado pela Quinta Essência será emprestado.

Thursday, 7 June 2012

R.I.P. Ray Bradbury

Morreu aos 91 anos o escritor de ficção científica Ray Bradbury, autor de "Farenheit 451".



Lobisomens bons... bons e maus! Just my style!

A Vingança do Lobo 
1º livro das Crónicas Obscuras
Vitor Frazão
Páginas: 448
Editor: Chiado Editora

Sinopse:
Obliteradores obcecados e inflexíveis; lobisomens belicosos e tribalistas; vampiros inteligentes e intriguistas; feiticeiros poderosos e vulgares humanos que vivem as suas vidas, ignorando que em plena Nova York do século XXI o sobrenatural continua tão forte como em qualquer supersticioso e atrasado canto do mundo medieval.

Já há muito convivia com o autor e confesso que ao início disse-lhe que não leria o livro, pois após ter lido críticas que referiam gralhas e erros ortográficos  julguei que seria impiedosa na crítica. Sendo assim, prometi que a crítica seria feita sem ter em conta os erros. Já outros blogues apontaram essas falhas, por isso acho que nada contribui eu repetir "ad nauseum" essa parte.

Já há muito convivia com o autor e confesso que ao início disse-lhe que não leria o livro, pois após ter lido críticas que referiam gralhas e erros ortográficos julguei que seria impiedosa na crítica. Sendo assim, prometi que a crítica seria feita sem ter em conta os erros. Já outros blogues apontaram essas falhas, por isso acho que nada contribui eu repetir "ad nauseum" essa parte. Na verdade estou surpreendida e acho que é a primeira vez que vou dizer isto (insultem-me and see the number of fucks I give!), mas o autor está de parabéns. Não só por ter aguentado uma edição basicamente sem revisão profissional, mas também por ter aguentado uma história com lógica, algo que falha nas primeiras obras. Vamos por partes! 

História: Existem vários pontos de perspectivas que guiam a história. Temos a história de Isabel e da sua luta como investigadora e humana num mundo mudado, temos a história de Lance, o nosso lobisomem e da sua vingança e ainda a história de Eleanora. Estas três situações cruzam-se de uma forma muito suave e a história nunca aborrece.

O autor salta de história em história amarrando tudo de forma a fazer sentido. A história não é nova, nem inovadora, contudo e vivendo numa era difícil para inovar, não é por aí que choramos

O ritmo/pacing está muito bom! Nota-se que não há preocupação em despejar a história e alimentar o leitor  constantemente.

Como "editora" faria apenas uma alteração: em vez de saltar do narrador heterodiegético para homodiegético em alguns capítulos, mantinha ou como no Game of Thrones, cada capítulo dedicado a uma personagem e a história construir-se-ia a partir das diferentes perspectivas ou mantinha a 3º pessoa do singular sempre.

Personagens: Existem tantas! Ainda assim é impossível não adorar todas, por cada uma ter um propósito! A Isabel é burra e faz más decisões que influenciam o seu futuro e a história, o Lance está cego pela vingança e a Eleanora e o Vik sonham com um futuro melhor. A falha maior julgo serem os Obliteradores, que ficou no geral uma sensação de vago e incompleto. Claro que são-lhes dedicados capítulos, contudo esperava algo mais. 

Senti, de igual forma, alguma falta do background por parte da história entre a Eleanora e Vik. Se há pessoas que se queixam que o livro tem falta de beijinhos e apalpanços, acho que este casal seria perfeito para isso.

Descrições: Existe alguma falta de descrições, embora estas não afectem a leitura, seria bom haver mais descrições do espaço de Nova York. 

Escrita: Sem contar com os erros, nota-se alguns vícios por parte do autor, especialmente no uso abusivo de conjunções. Se, em alguns casos era compreensível, noutros a frase precisava de ser reescrita de forma a não ser tão directa.

Os diálogos apresentam-se bem construídos, sem que a linguagem seja mal aplicada.

O balanço final é positivo, bastante positivo. O livro beneficiaria bastante com outro trabalho por parte de uma editora a sério e com um trabalho de marketing diferente. O trabalho do autor tem vindo a evoluir e alguns dos vícios de escrita já não se notam muito. Por isso, the sky is the limit!

Mais uma vez obrigada à Ana Nunes por me ter emprestado o livro!

Sunday, 3 June 2012

Look mom, no guys!

Amor entre mulheres
Catherine de Vasconcelos
Chiado Editora
Páginas: 92

Deixem-me vos dizer uma coisa: esta capa é medonha! Nem sei se é a imagem mesmo ou o facto de alguém ter pegado no Microsoft Office Picture Management e ter ligado o turbo vermelho, mas ainda assim uma coisa destas não se faz. Se o livro tivesse se facto muitas cenas de erotismo, a capa ainda explicava qualquer coisa. Assim, só faz com que queira pegar numa faca e espetá-la num olho!

Passando para a crítica propriamente o livro, que presumo seja o primeiro da autora, tem um grande potencial. A personagem vê-se em maus lençóis (pwnd intended) e esta história poderia ser uma história verdadeira. Uma rapariga que sonha em ser grande, rica e que devido aos ensinamentos mais tradicionais não consegue "think outside the box". Um aspecto bom do livro é que não dá para ser considerado porno de má qualidade visto nem ter passagens indecentes (acho que o mais indecente é mesmo a capa), tem algumas partes para demonstrar afectos, mas pouco. O que leva a um problema. Se a autora decidiu não arriscar em algo mais complicado, o pacing tornou-se rápido de mais, se houvesse castigo para a regra do "Show don't tell", acho que este livro levava pena capital! Contudo após ler livro atrás de livro onde isto sucede, I just don't give a fuck anymore. Estou a ver que muitas primeiras obras em português têm este erro. Já o apontei e agora vou dar a solução (oh para mim que linda):

  • Mostrar mais clientes e peripécias da Maria. A sua rotina no café, a sua rotina com o Miguel;
  • Arriscar nas cenas mais quentes;
  • Mostrar como a relação de Maria e Beatriz evoluiu ao longo dos tempos. O que fez com que de facto se apaixonassem?
  • Dar uma maior carga psicológica ao romance.

Isto dava para mais umas 90 páginas e aí sim tínhamos algo digno de umas 3 estrelas sólidas. O problema é que de facto não resisto a happy endings com lésbicas. Se fosse com heteros provavelmente até encolhia os ombros. Agora depois do que a Maria passou aquele fim foi digno. Julgo que a autora só quis contar uma história simples e nisso conseguiu suceder bem.

Se não gostam de romance lésbico, nem se aproximem deste livro, se gostam preparem-se para falhas a nível de uma primeira obra que não teve muitos beta-readers. Mas sendo publicada onde foi, não posso esperar mais. Lamento aos que queriam sangue, mas sendo a Chiado quase uma POD e não uma editora, já temos sorte de o livro não vir com imensas gralhas e erros.

Excerto:

"Numa noite quente de Verão Beatriz dormiu em casa de Maria. Depois de um longo serão repleto de televisão e pipocas deitaram-se. Lado a lado os seus corpos envolvidos em suor imploravam uma brisa fresca, no entanto, não se distanciavam. Beatriz vestia uma singela camisa de algodão, de alças finas, que deixava transparecer a zona do peito devido às sucessivas lavagens. Por seu lado, Maria vestia apenas uma t-shirt comprida. Desconheciam o motivo de tal proximidade. Após uns breves minutos de conversa emudeceram, entreolharam-se e Maria suspirou. Subiu-lhes ao rosto a vermelhidão do pudor. Era possível escutar o bater acelerado de dois corações, unidos por um desejo de aproximação não compreendido. O amanhecer despertou a vergonha. Não pronunciaram uma palavra sobre o acontecido. A tentativa desesperada de retroceder no tempo distanciou-as, distância que se manteve até ao aniversário de Maria."

Saturday, 2 June 2012

Must buy @ espaço LEYA

O Amor nos Tempos de Cólera
Gabriel Garcia Marquez
Páginas: 416
Editora: LEYA
Preço: 9,95€

Este livro é dos poucos que encontramos associados a uma história de amor intemporal. O problema é que este amor não é óbvio. Ao início pensei que fosse impressão minha e que, de facto, o romance estivesse algo escondido, contudo passado algum tempo desde a sua leitura, entendo que a história em o amor em tempos de cólera é espelhada na realidade. Quanto mais tempo passa, mais a história se torna clara e entranha-se, contudo este sentimento nostálgico só aparecerá passado uns meses ou até anos. O que só torna o livro, em certa medida, especial.

Sinopse:
Ao longo de quatrocentas páginas vertiginosas, compostas numa espécie de pauta estilística e musical, onde se fundem o fulgor imagístico, o difícil triunfo do amor, as aventuras e desventuras da própria felicidade humana, O Amor nos Tempos de Cólera é um romance que leva o leitor numa aventura encantatória, de uma escrita que não tem imitadores à altura. IMPERDÍVEL!


O som e a fúria
William Faulkner
Páginas: 288
Editora: Dom Quixote
Preço: 16,90€

Um repetente nestas escolhas, é obra. Ainda que este livro seja mais difícil de ler que o "Na minha morte" e irá certamente desesperar muita gente durante a sua leitura, vale a pena para quem quer aprender a técnica do "stream of consciousness".

Sinopse:

O Som e a Fúria é a tragédia da família Compson, apresentando algumas das personagens mais memoráveis da literatura: a bela e rebelde Caddy, Benjy, o filho varão, o assombrado e neurótico Quentin; Jason, o cínico brutal, e Dilsey, o criado negro. Com as suas vidas fragmentadas e atormentadas pela história e pela herança, as suas vozes e ações enredam-se para criar o que é, sem dúvida, a obra-prima de Faulkner e um dos maiores romances do século XX.


O ano da morte de Ricardo Reis
José Saramago
Páginas: 584
Editora: Caminho
Preço: 16,90€ (tente adquiri-lo na hora H)

Quem se questiona o porquê de Saramago ter ganho o nobel, leia este livro. Se não entendeu metade dos "pwns" do senhor, então não se considere merecedora de ter lido tal obra. A complexidade de Saramago é deliciosa. A sua prosa tanto encanta os menos treinados na leitura, como os estudiosos (que passam a vida e analisar tudo).

Sinopse:

«Um tempo múltiplo. Labiríntico. As histórias das sociedades humanas. Ricardo Reis chega a Lisboa em finais de Dezembro de 1935. Fica até Setembro de 1936. Uma personagem vinda de uma outra ficção, a da heteronímia de Fernando Pessoa. E um movimento inverso, logo a começar: «Aqui onde o mar se acaba e a terra principia»; o virar ao contrário o verso de Camões: «Onde a terra acaba e o mar começa». Em Camões, o movimento é da terra para o mar; no livro de Saramago temos Ricardo Reis a regressar a Portugal por mar. É substituído o movimento épico da partida.»

As palavras do Corpo
Maria Teresa Horta (my love, my muse)
Páginas: 296
Editora: Dom Quixote
Preço: 14,90€ (na feira do livro está a 11,90€)

Nunca pensei em Maria Teresa Horta como uma influência, mas "looking back" penso que foi das únicas pessoas que me levou a escrever erótico de uma forma bela e directa! Gostava que tivesse mais projecção até porque poucas pessoas se podem gabar de escrever bem partes eróticas em português sem parecer "awkward" ou amador. Um must-buy!

Sinopse:


Neste livro, As Palavras do Corpo, Maria Teresa Horta reúne toda a sua poesia erótica. Uma obra ousada e corajosa que nos dá a ver a libertação do corpo das mulheres: o seu gosto, o seu prazer, o seu modo de amar. Uma ode aos sentidos.