Tuesday, 31 January 2012

Fuck this shit, I'm gonna retire!

Comecei a ler o "Eterna Saudade" - zombies + hormones + love& shit = crap... or so I thought! Só há duas situações em que eu falo inglês: quando estou bêbada ou pissed. Como sinto-me bastante sóbria, estou chateada. Comecei a ler o livro para destilar veneno, bastante veneno... mas ... I can't! O livro não é nenhuma obra-prima, mas porra a escrita é gira, a acção está muito boa, o mundo espectacular e a Habel até fez distinção entre zombies e punks (muita gente pensa de onde vem a palavra punk de steampunk e foi um movimento muito fixe aproveitar essa designação que muitas vezes é deixada de lado). Estou pissed comigo própria. Ou os meus standards estão a baixar (o que não me acredito, porque quando li o livro anterior notei mais falhas que este) ou então o livro não é assim tão mau quando deixamos de lado o facto do Bram ser um punk! Vou para a reforma...

Sunday, 29 January 2012

Não são só os ruivos que não têm alma

Soulless (Parasol Protectorate 1#)
Gail Carriger
Editora: Orbit
Páginas:384


É oficial - descobri o meu guilty pleasure! Este primeiro livro da trilogia "Parasol protectrate" tem tudo o que eu amo: lobisomens jeitosos, protagonista sem alma (como eu), vampiros gays, Inglaterra victoriana e steampunk!

Soulless é o primeiro livro da autora Gail Carriger ainda não traduzido para português e muito sinceramente, nem sei do que estão à espera! Primeiro deixem-me explicar que este livro está longe de ser perfeito, falha um bocado na parte final onde esperamos um vilão verdadeiramente maquiavélico e de vez em quando também pensamos que a acção está a engonhar e depois lá aparece algo que faz a história avançar, mas no geral está muito bom. A protagonista é algo de se babar, longe de ser bonita, mas com um feitio mesmo como eu gosto: filho da puta e sem papas na língua. Uma mulher assim, de facto não dá para resistir. O lobisomem Lord Macoon é um perfeito gentleman com um feitio a condizer ao da Alexia e por ser lobisomem não pude de o imaginar sem ser um "gajo sexy" e o Lord Akeldama dava mesmo bem para ser o meu bff! Não pude evitar de sorrir pelas suas maneiras extremamente elegantes e cómicas para um vampiro.

Outra coisa que dá uns pontos largos à autora é a maneira como escreve. Escrever um livro não é só ter uma história decente, é envolver o leitor naquele mundo. Carriger faz muito bem em introduzir uma linguagem típica da época victoriana. Nota-se que a autora entende do assunto e mal acabei o livro bem que me apetecia tomar cházinho em chávena de porcelana (o sotaque britânica já eu tenho que chegue).

Em suma, vou devorar todos os livros da série! Este primeiro está mais que aprovado!

Sinopse:

Alexia Tarabotti is laboring under a great many social tribulations. First, she has no soul. Second, she's a spinster whose father is both Italian and dead. Third, she was rudely attacked by a vampire, breaking all standards of social etiquette. Where to go from there? From bad to worse apparently, for Alexia accidentally kills the vampire - and then the appalling Lord Maccon (loud, messy, gorgeous, and werewolf) is sent by Queen Victoria to investigate. With unexpected vampires appearing and expected vampires disappearing, everyone seems to believe Alexia responsible. Can she figure out what is actually happening to London's high society? Or will her soulless ability to negate supernatural powers prove useful or just plain embarrassing? Finally, who is the real enemy, and do they have treacle tart? SOULLESS is a comedy of manners set in Victorian London: full of werewolves, vampires, dirigibles, and tea-drinking.

Thursday, 26 January 2012

o polícia, os vampiros e o taxi

O fim chega numa manhã de nevoeiro
Renato Carreira
Editora: Saída de Emergência
Páginas: 240

Com este título quase que podíamos fazer uma sinopse do livro "O fim chega numa manhã de nevoeiro". O Renato Carreira é muito bom a escrever títulos, já livros de fantasia urbana... eh I've had better, I've read worse... O que se sente depois de concluir a leitura é um vazio. Um vazio enorme e uma vontade de saber mais sobre um livro mal aproveitado.



Sinopse:

Quando um grupo de feiticeiros renegados decide despertar uma personagem maldita da história portuguesa para cumprir uma profecia de séculos, Baltazar Mendes (investigador policial a quem acusaram de loucura!) vê-se envolvido contra sua vontade num conflito mortal em que nem todos os oponentes são humanos. Tudo dependerá de si porque, se a profecia se cumprir e o desejado regressar, o fim chegará numa manhã de nevoeiro. Uma aventura frenética, metade thriller, metade fantasia, que apresenta uma nova e talentosa voz do fantástico nacional.

A falta de descrições é uma das maiores falhas, especialmente para aqueles que não moram em Lisboa. Não sabemos como é o ambiente numa era onde existem vampiros e mágicos. Podia ao menos descrever as ruas, a política, em vez disso somos empurrados para casas, ruas, escritórios. A história também é o tradicional cliché: alguém mau que quer governar o mundo, causar destruição bla bla e para isso precisam de ressuscitar o D. Sebastião. Ora bem a história podia ter enredos mais profundos, já que a maior parte das vezes deixa o leitor dependurado para causa "suspense", que nem sempre é bem sucedido. A acção decorre a um ritmo vertiginoso, embora se note que o autor teve preocupação em criar uma história coerente com bastantes momentos vivos. O humor que supostamente deveria ser o ponto forte do livro de facto não levou a melhor de mim. Eu sou das pessoas que se for necessário rebola a rir, mesmo que esteja no comboio. O autor conseguiu arrancar-me dois sorrisos e uma situação de espanto, de resto senti-me mais como uma Floribella confusa.

Ou seja é um livro de acção que parece ter tropeçado na fantasia por acaso, pessoalmente ficou-me na ideia que o autor fez pouca pesquisa sobre fantasia urbana. Quis escrever um livro com alguns elementos "novos", mas podia ir mais longe e tornar-se uma leitura agradável, mas nope... é só mais um livro.

Ah só mais uma coisa - desafio a todos que lerem o livro a beberem um shot de bagaço cada vez que o Baltasar leva uma pancada na cabeça e cai desmaiado!

Sunday, 22 January 2012

Ainda há esperança!

Kitty and the Midnight Hour
Kitty Norville #1
Carrie Vaughn
Editora: Warner Books
Páginas: 256



Os romances paranormais/ fantasia urbana estão cada vez mais nada moda. Com tanta capa feita de raparigas jeitosas, nem sabemos o que escolher. Vampiros, lobisomens e agora até os zombies têm direito a um bocadinho de "sugar". Como sou tola por lobisomens decidi ler o "Moon called" da Briggs durante as aulas mais aborrecidas para me manter acordada... o problema foi que adormecia mais facilmente quando estava a ler o livro. Deixei a miúda em paz. Decidi pegar no "Shiver" da Maggie Stiefvater a coisa melhorou bastante. Um livro jovem e engraçado. Depois emprestaram-me este volume de "Kitty and the midnight hour". A senhora nem é conhecida aqui, mas mesmo assim decidi apostar, qual seria o mal em ler este livrinho tão querido? Nenhum!
Fiquei logo apaixonada pela personagem e pela plot construída. Finalmente um romance paranormal onde as personagens não andam a medir os membros inferiores! Kitty é tudo o que uma personagem deve ser: decidida, teimosa, corajosa, mas com fraquezas. A luta interior de Kitty contra o seu pack aumenta o ritmo de leitura e apercebemo-nos que o maior objectivo de Kitty não é acabar na cama com um gajo todo bom, mas sim ser livre e ter " a mind and a place of her own". Durante a história as personagens secundárias têm imenso protagonismo, o que evita o leitor de enjoar da personagem principal. De igual forma a plot não é linear, o leitor desconfia sempre de todas as personagens e nem todos são o que parecem.
Claro que poderão dizer que não é nenhuma obra-prima. Não... mas vale a pena ler este primeiro volume para conseguir provar que nem todos os romance paranormais/ fantasia urbana são sobre mulheres fracas que só querem casar com um homem todo bom! Prova que ainda há escritoras que não têm o "pito" aos saltos e conseguem contar uma boa história com uma personagem sólida. Se o resto dos volumes mantêm a qualidade... a ver vamos!

Friday, 20 January 2012

O fim chega numa manhã de nevoeiro

Encontro-me neste momento a meio do livro e uma coisa que salta à vista é: mas calma isto é mesmo fantasia urbana? Bem eu já li alguns livros de fantasia urbana, nomeadamente Kitty and the midnight hour e a primeira duvida foi o autor sabe o que é fantasia urbana? Ou isto nem sequer é fantasia urbana e as pessoas começaram a catalogar o livro só porque sim? Se for, o worldbuild é inexistente. De facto é maravilhoso conseguir escrever um livro onde nem uma rua é descrita e nem sabemos nada de Lisboa (ano? a Lisboa onde se passa a acção é diferente da Lisboa actual?) e por fim D. Sebastião... srsly? Again? O gajo foi good for nothing e insistimos em reviver a criatura? Se isto for de facto fantasia urbana it kinda sucks.

Sunday, 15 January 2012

Enquanto espero pelo carteiro

Acho que o meu carteiro depois de um ano a entregar-me livros, decidiu ele começar a ler livros e decidiu ficar com os meus :< Enquanto a poesia e o livro do sr. Renato Carreira não chega, não sei o que começar a ler. Tenho centenas de livros no e-book e a escolha está complicada. Por isso nada melhor que fazer poll ^^ Se gostarem de ver algum livro criticado podem também escolher esse, eu ofereço-me para 1º cobaia.




























See? Easy stuff!

Monday, 9 January 2012

Divagações de uma noite de Inverno

Nem sei muito bem como surgiu a ideia para este post, o facto de não ter muito tempo disponível para parar por um bocado irá tornar esta reflexão um pouco confusa. Agradeço aos que ficarão para o fim e não me insultem primeiro. Tudo isto porque estou cansada (mentalmente) de chegar a casa e ver as pessoas lamentarem-se do mundo editorial em Portugal. Pessoalmente costumo queixar-me bastante dos preços dos livros, talvez devido ao facto de achar que todos merecem ter acesso à literatura. Se todos temos uma televisão em casa onde vemos porcaria todo o dia, porque não ter acesso a um livro bom com direito a preço económico? Contudo, a minha indignação não será com o mundo editorial em si, mas para com as pessoas que querem fazer parte dele. Comparemos o nosso mercado editorial com a máfia: é difícil de lá entrar, de ser admitido. Após a primeira vitória temos de nos manter sempre atentos e nunca adormecer. O problema está, julgo, na velocidade estonteante com que as pessoas hoje em dia julgam-se escritoras e julgam-se dignas de ter um livro publicado só porque sim.

Apetece-me. Acordo todos os dias a dizer: vou escrever um livro! Que ideia tão nobre! Porquê? Ora essa, que pergunta mais parva! Quero escrever e depois publicar porque sim! Porquê?Porque gosto de escrever. Ah minha cara, mas uma não implica a outra. Pode escrever para a sua linda gaveta. Que estupidez! Depois não via o meu livro que tanto custou a escrever nas livrarias. Certo, mas porque é que acha que o seu livro deverá ser publicado e não outros? Porque conto uma história que acho que irá agradar a muitas pessoas. Essa história é nova? Não. Traz algo de novo para o mercado? Julgo que não. Então vejamos: escreveu um livro, para publicar, que não traz nada de novo, num género saturado... e está a reclamar que foi recusada porque carga de água?

Atenção: isto é só para algumas pessoas, como sabem isto de ser publicado é, de igual forma, uma roleta russa.

No entanto não consigo deixar de mostrar publicamente a minha frustração quando leio coisas escritas por algumas pessoas cheias de erros, com um estilo de escrita horripilante, de pessoas que nem sabem conjugar verbos e porra! Vêm-se queixar que a editora lhes recusou a sinopse. Bicth, please. Escrever não é só contar uma história bonita. Escrever não é só usar um estilo floreado cheio de palavreado caro. Temos de piscar o olho ao editor. Convence-lo que "este livro é algo de novo em portugal e por isso poderá ser um sucesso de vendas". Os escritores escusam de pensar que vão ganhar fortunas, mas o livro tem de se vender e tem de ser algo fresco. Algo que não foi ainda apostado. Sejam audazes. Não se deixem ficar debaixo das saias da literatura anglo-saxónica. Custa ver muitos dos autores que escrevem fantasia a falar de Tolkien. Eu adoro o homem, mas porra o homem é mais mencionado que o tremoço. Até há falta de originalidade nas influências.

Ah outra coisa: autores favoritos não é a mesma coisa que influências. O Henry Miller não é o meu autor favorito, mas influenciou-me imenso para escrever cenas eróticas. A Juliet Marillier é uma das minhas autoras favoritas, mas nunca na vida diria que a mulher me influencia. A Annemarie Schwarzenbach é das poucas autoras que é ambos - tanto me influenciou a escrever histórias lésbicas, como é das autoras que leio com mais gosto e prazer.

Voltando ao inicio, fica mal, MUITO mal mesmo (perdão pelo Caps Lock) chorarem por não serem publicados e depois agradecerem e beijarem os pés às vanities que chupam o dinheiro por uma edição de porcaria, que nem revisão tem. Não agradeçam. Não transmitam a ideia de que pagar para publicar é normal, porque não o é. Não transmitam a ideia de que se pagarem, vão ter um livro à venda como se fosse uma editora regular porque não é. Quem entende desta coisa de editoras, lê estas coisas e bate com a cabeça nas paredes, porque dá mesmo ideia das pessoas não saberem o que estão a fazer. "Ai eu fui recusada por muitas editoras e depois mandei para esta que nunca tinha ouvido, mandei o manuscrito e em uma semana estava tudo tratado. Foram muito simpáticos e num instante o livro estava pronto." Claro, não houve revisão, não propuseram alterações na história, nem nada. Custa ver as pessoas transmitirem esta alegria por terem um livro publicado, nem que seja numa edição rasca que provavelmente não vale o dinheiro.

O que fazer para evitar isto:
1. Se enviar um livro para uma vanity, sabendo que se trata de uma vanity: tudo bem. Desde que não vá enganado a pensar que "ah eu paguei, mas também se tivesse enviado para outras editoras também tinha pago!" - Some people need a high-five, with a table... on their heads.

2. Espere mais um tempo. Pesquise mais sobre os mundo do blogues e seleccione algumas pessoas neutras que nunca a viram mais gorda, a fim de lerem o seu livro ou só a sinopse (a de 2 páginas que se envia à editora). Espere pelo feedback. Se a pessoa em questão lhe propuser alterações, não desanime, isso é um óptimo sinal. Todos podemos melhorar. Lembre-se de uma coisa: a partir do momento em que um livro sai cá para fora está desprotegido. É um livro. Os críticos não querem saber se a autora é um doce de pessoa, se o livro for mau há que o dizer.

3. Não se lamente em entrevistas por ser difícil a publicação. Todos nós sabemos que publicar um livro é uma batalha, mas a sério, dizer que é difícil e depois ler uma sinopse e um excerto pavoroso não ajuda.

4. O facto de o ser livro publicado na vanity com uma edição pavorosa e estar a receber boas críticas (de 5 pessoas que não são suas amigas), não implica que o livro seja bom. Implica que muito pouca gente tem acesso a ele. (Há que ter sempre em conta o dark side of the moon) Peça sempre críticas negativas. Pergunte sempre onde melhorar e porquê! Nunca aceite um porque sim. As melhores críticas antes de publicar o seu livro são aquelas que o fazem pensar. Um bom crítico questiona-se enquanto lê o livro para apreciação, mas depois de este ser publicado há outras questões a serem formadas. Nunca espere palmadas nas costas, algumas acabam por se tornar em facadas.

5. Tente publicar contos. Nem todos escrevemos contos, mas se tentarmos andar pelo meio do fandom ou até qualquer coisa na Internet já é muito bom. Existem alguns fóruns de literatura (e até mesmo das editoras), por isso registe-se, publique um conto e espere por apreciação. Por vezes queremos atirar logo cá para fora um livro e a coisa não corre bem devido à falta de prática ou maturidade estilística.

Lembre-se, o mundo não acabou em 2012, por isso o seu livro terá muito tempo para ser avaliado e publicado. Sorria e continue a escrever.