Sunday, 25 November 2012

Críticas na Nanozine (quickies)

Como estou a preparar a edição da Nanozine nº 8 dedicada à erótica, tenho recebido e lido livros eróticos e escrito críticas para o blogue, que posteriormente serão adicionadas ao número da revista.
Fica aqui, contudo, um apanhado dos dois livros que li até agora:

Ensaios sobre açoitamentos
Anónimo
Editora: Publicações Europa-América
Colecção: Grandes clássicos eróticos
Original: The Whippingam papers

Este livro esquecido nas prateleiras portuguesas surge com uma série de ensaios das mais variadas formas: ora em poesia, pequena peça de teatro, conto ou mesmo anúncio sobre, claro está, açoitamentos. De título original “The whippingham papers”, embora a maior parte das edições declarem o autor como anónimo, a sua edição original em 1887 é atribuída a Edward Avery (um editor de pornografia vitoriano) e St George Stock. As contribuições para este volume são ainda atribuídas a Algernon Charles Swinburne, ainda que no anonimato (várias vezes nomeado para o prémio Nobel).
Ao leitor a carga erótica composta nas diversas histórias não o atinge directamente. As sucessivas odes de apreço ao açoitamento podem ser de forma neutra durante o livro até à última página, onde fica o vazio e a vontade de receber umas boas palmadas. O leitor que não espere um ensinamento de como espancar, mas sim um conjunto de textos de época arrojados que representam o outro lado do (i)moralidade vitoriana.


Sob o céu de Paris
Elisabete Caldeira | Jorge Campião
Editora: Alfarroba
*este livro encontra-se escrito ao abrigo do AO*

“Sob o céu de Paris” retrata uma história monótona sobre um casal que se encontra numa relação extraconjugal em Paris. Toda a narração está desenvolvida em torno das personagens de Carlos e Raquel, deixando as outras personagens nos capítulos adicionais com um papel redutor e pouco explorado, sem sentimentos ou profundidade.
A história assume um ritmo monocórdico, sem grandes altos desrespeitando assim as estruturas tradicionais, não havendo clímax da narrativa, nem perigo para as personagens. A relação de Carlos e Raquel é perfeita, sem atritos e o leitor assume um papel passivo sem grandes envolvimentos emocionais em relação às personagens. “Sob o céu de Paris” pode não satisfazer todo o tipo de leitores, especialmente os compulsivos, mas poderá agradar a amantes com maturidade que queiram redescobrir a arte através da pintura e do sexo.

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