Sunday, 18 March 2012

Portuguese writers y u no show don't tell?

Como estou a ler para aí 5 livros em simultâneo e ainda não acabei nenhum (damn you estágio, you were the chosen one, why give me such a hard time?), decidi pelo menos postar a evolução de cada, para fazer uma espécie de ponto da situação!

Vaporpunk
vários autores
Editora Draco


Até agora só li três contos. A minha opinião pessoal para já é meh. Bastante meh. Ok, ok eu estava à espera de algo muito bom, feita "toininha" como aconteceu com o George Martin e a Anne Bishop. Pensamos que vamos ler algo maravilhoso e depois notamos falhas, mas a verdade é que de steampunk mesmo ainda só li um conto e a nível de escrita era bastante confuso. O outro é uma mistela que nem é carne, nem peixe e o último que li é mais solarpunk que vapor. Ainda por cima isto nem se pode considerar contos, alguns são mesmo noveletas, pelo que não há desculpa em dizer "ah são contos, por isso é pequeno..." Alguns autores têm 30 páginas para si. Em 30 páginas conseguem contar uma história decente com pormenores fantásticos, mas para já julgo que ficam aquém da expectativa. Pode ser que o resto melhore um bocadinho e depois na minha crítica consiga explorar mais a fundo cada história.

Escritos dos Ancestrais
Rodrigo McSilva
Editora: Presença


Antes de mais um muito obrigada à Inês Santos do blogue "Portugal Creative" por me ter emprestado o "Justine" do Marquês de Sade e este livro (estás aqui *aponta para o coração*). Comecei a ler ontem no comboio quando ia-me encontrar com a malta do Nanowrimo do Nuorte e a primeira impressão nas primeiras páginas foi "Fixe ele está a dar background mitológico para as pessoas que não sabem muito poderem acompanhar"... pasadas 80 páginas... continua o background até que eu me apercebo de uma coisa: pelo menos até à página 83, isto não é fantasia, mas sim "Myths told as fiction!" Para já não há nada de novo, é simplesmente a mitologia nórdica com diálogos... e a minha reacção mudou logo. O livro é muito exaustivo, expositivo e cansa. Chegamos a um ponto em que lemos na diagonal porque o cérebro não aguenta mais! O que me levou a perguntar "Presença, what the hell is wrong with that cover?" Admiro muito o Tiago da Silva *hands down baby*, mas a sério? Não tem nada a ver com o livro! O que me levou a escrever o título deste post! Porque é que os portugueses fazem sempre "tell" e nunca "show"? É que nem há emoção na escrita, nem na leitura...

Steaming
Vaneesa Barger
Editora: Decadent Publishing Company


O mesmo sentimento que apliquei à noveleta "Lady of devices" aplica-se aqui. Embora este seja efectivamente steampunk, a acção é rápida, sem grandes explicações e com muito por explorar. O vilão está mal construído e a personagens principais são ainda muito superficiais. Pode ser que melhore lá para o fim, mas é pena as pessoas não escreverem mais que 113 páginas com uma história que dá para mais.

O retrato da Biblioteca
Carina de Portugal
*Beta-reading*


Como o livro ainda se encontra em testes, vou aos poucos anotando algumas conclusões. O retrato da biblioteca é uma mistura de low com high fantasy, onde a autora arrisca bastante ao empregar um vocabulário complexo e lírico, que pode não ser acessível ao público geral. Com algumas arestas a limar a nível de personagens (principalmente na principal, uma jovem que lê Divina Comédia aos 16 anos - eu levava a miúda para um hospital para ser tratada). Contudo como ainda pode ser mudado e repensado, nem tudo está perdido e é esta a vantagem principal de não publicar logo o livro. Há mais tempo para reflectir sobre detalhes.

Downspiral - Prelúdio
Anton Stark
*Beta-reading*

Outro livro de steampunk desta vez com a peculiaridade de ser uma mistura entre high fantasy + steampunk (sim porque supostamente o punk seria apenas para o nosso mundo no século XIX). Graças a Deus que este livro não peca pelo "tell not show", para já tem muita acção que prende o leitor e confere um bom ritmo de leitura sem quebras. Como ainda vou a meio a única coisa que poderá melhorar será o espaço temporal, devido ao ritmo alucinante da acção. Para já está a ir muito bem.

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