Saturday, 31 December 2011

Nanozine

Este ano fiz muitas coisas: comecei a estagiar numa escola e participei na Nanozine a partir do número 2. Aqui fica o resumo do ano:

Thursday, 29 December 2011

Os melhores livros para serem lidos em 2012 - lançados em 2011

A infância, o Alentejo, o amor, a escrita, a leitura, as viagens, as tatuagens, a vida. Através de uma imensa diversidade de temas e registos, José Luís Peixoto escreve sobre si próprio com invulgar desassombro. Esse intimismo, rente à pele, nunca se esquece do leitor, abraçando-o, levando-o por um caminho que passa pela ternura mais pungente, pelo sorriso franco e por aquela sabedoria que se alcança com o tempo e a reflexão. Este é um livro de milagre e de lucidez. Para muitos, a confirmação. Para outros, o acesso ao mundo de um dos autores portugueses mais marcantes das últimas décadas.







A guerra entre Absolutistas e Liberais está ao rubro quando Vicente Maria Sarmento retorna a Chão de Couce, após receber a notícia da morte do pai. Mas esse regresso tem um sabor duplamente amargo; em Lisboa, onde viveu os últimos anos, Vicente Maria pertenceu a um bando de salteadores e esteve preso no Limoeiro, donde só saiu por obra e graça dos malhados, que assaltaram a cadeia para libertar os partidários de D. Pedro. Antes de seguir para casa da mãe, para sossego do corpo e do espírito, Vicente Maria dirige-se para a Venda do Negro, acabando a noite nos braços da puta Tomásia, que nunca esqueceu e a quem promete casamento e vida honesta.
Contudo, o seu regresso reacende na vila antigos ódios e paixões e os seus inimigos estragam-lhe os planos. Não lhe resta, pois, senão juntar-se a um novo grupo de bandidos, esperando que as pilhagens lhe rendam o bastante para se pôr a milhas dali com a amada. Quem também se vê em apuros é D. Miguel, atacado por todos os lados, a quem as vénias dos corcundas já de nada servem.
Projectado o assalto a uma família de fidalgos ricos em viagem, é numa curva da estrada que o bando intercepta uma carruagem, sem saber que os destinos de Portugal se jogam nesse preciso instante. E é pela ousadia de Vicente Maria que, afinal, se alterará o rumo da História, embora os livros injustamente o omitam.
Com uma linguagem poderosa e um humor digno da melhor literatura picaresca, o presente romance é uma homenagem aos heróis anónimos que ajudaram a construir as respectivas nações e um fresco sublime das lutas liberais.


A novela Os Desmandos de Violante é a terceira parte de uma sequência iniciada por Vasco Graça Moura em 2008, com O Pequeno-Almoço do Sargento Beauchamp, a que se seguiu, em 2010, O Mestre de Música. Este ciclo narrativo, cuja acção decorre entre 1807 e 1814, perfaz uma trilogia a que o autor resolveu dar o título genérico de O vermelho e as sombras.
Para melhor compreensão desse título do conjunto, se dirá que o «vermelho» funciona como metáfora de tempos de guerra, sangue e violência, como o foram os das Invasões Francesas em Portugal, e presta ao mesmo tempo uma homenagem que se pretende evidente e literal ao Stendhal de Le Rouge et le Noir.
Por sua vez, as «sombras» quereriam ser a sugestão quase cinematográfica do comportamento e da movimentação de algumas personagens — figuras da aristocracia, das artes (em especial da música), do clero e do povo — , que se envolvem em estranhas situações e se vão recortando contra aquele fundo de convulsão social e política rapidamente aludido.




Na ilha de Lesbos, plantada no Mar Egeu, existiu uma poetisa que via no amor fonte inesgotável de inspiração para os poemas líricos que compunha. Esta é a história da poetisa mais famosa da antiguidade clássica: Safo de Lesbos. Encontramos Safo já viúva e com uma filha. Instigada pela fama de um certo jovem de beleza irresistível e sequiosa de viver novamente o amor, Safo enamora-se de Fáon, um velho barqueiro de Mitilene que as artes mágicas da deusa Afrodita transformaram no mais belo rapaz que alguma vez existiu. Dizem que o seu olhar é de luz mas a sua alma de gelo. O drama reside em que a alma ardente e jovem de Safo, presa no invólucro da velhice, ama o corpo jovem de Fáon, que encerra um espírito velho e desapaixonado. Mas Safo parece ignorar essa diferença e entrega-se sem reservas à paixão pelo homem de olhar fenício.que aconteceu naquele dia na rocha branca de Lêucade fez daquele lugar destino de peregrinação de muitas mulheres desesperadamente apaixonadas.



A filosofia na alcova, de Marquês de Sade, é uma referência incontornável na história da literatura, quer enquanto ensaio sobre a condição feminina, a libertinagem, a sensualidade e a sexualidade, quer como inovador e arrojado exercício de escrita.
Em O complexo de Sagitário, Nuno Júdice homenageia de forma admirável a famosa obra do escritor francês. Um cativante diálogo entre o ensaio e o poético, usando os mesmos jogos de linguagem que Sade popularizou, torna este livro leitura obrigatória para os conhecedores e amantes da obra de Marquês de Sade e de Nuno Júdice.






Quando um grupo de feiticeiros renegados decide despertar uma personagem maldita da história portuguesa para cumprir uma profecia de séculos, Baltazar Mendes (investigador policial a quem acusaram de loucura!) vê-se envolvido contra sua vontade num conflito mortal em que nem todos os oponentes são humanos. Tudo dependerá de si porque, se a profecia se cumprir e o desejado regressar, o fim chegará numa manhã de nevoeiro. Uma aventura frenética, metade thriller, metade fantasia, que apresenta uma nova e talentosa voz do fantástico nacional.





Poucos o sabem, mas a literatura de pulp fiction, que marcou toda a cultura popular dos EUA na primeira metade do século XX, também esteve presente em Portugal, e em força.

Houve um tempo em que heróis mascarados corriam as ruas de Lisboa à cata de criminosos; em que navegadores quinhentistas descobriam cidades submersas e tecnologias avançadas; em que espiões nazis conduziam experiências secretas no Alentejo; em que detectives privados esmurrados pela vida se sacrificavam em prol de uma curvilínea dama; em que bárbaros sanguinários combatiam feitiçaria na companhia de amazonas seminuas; em que era preciso salvar os colonos das estações espaciais de nome português; em que seres das profundezas da Terra e do Tempo despertavam do torpor milenário ao largo de Cascais; em que Portugal sofria constantes ataques de inimigos externos ou ameaças cósmicas que prometiam destruí-lo em poucas páginas, antes de voltar tudo à normalidade aquando do último parágrafo. (mais informações no artigo da Nanozine 4,5)




Best come-backs (os clássicos esquecidos nas prateleiras de muitos portugueses, com edições novas):

Georges Duroy, de alcunha Bel-Ami, é um homem jovem e de belo físico. Um encontro ocasional mostra-lhe o caminho da ascensão social. Apesar da sua vulgaridade e ignorância, consegue integrar a alta sociedade apoiando-se nas amantes e no jornalismo.
Cinco mulheres vão sucessivamente iniciá-lo nos mistérios da profissão, nos segredos da vida mundana e assegurar-lhe o êxito ambicionado. Nesta sociedade parisiense, em plena expansão capitalista e colonial, a Imprensa, a política e a finança estão estreitamente ligadas. E as mulheres educam, aconselham e manobram na sombra.
Mas, por trás das combinações políticas e financeiras e do erotismo interesseiro, está a angústia que até um homem como Bel-Ami transporta consigo.


Os Buddenbrook narra a ascensão e a decadência de uma família burguesa alemã através de quatro gerações. Mais do que a crónica em torno da vida e costumes dos seus personagens, este romance é a metáfora exemplar das contradições e dilemas de uma classe, cujo poder e domínio se constroem sobre a fraude, a hipocrisia e a alienação. Ao mesmo tempo, como posteriormente acontecerá nos seus principais romances, Thomas Mann propõe e desenvolve o tema da arte como a instância privilegiada em que o homem pode reflectir sobre si, a sua época e o seu meio.






A existência de F. Scott Fitzgerald coincide literariamente com os dois decénios que separam as duas guerras, repartindo-se entre a América onde nasceu, numa pacata cidade do Middle West, no Minnesota, e a França, onde viveu durante vários anos com a família. O seu nome evoca-nos uma geração que associamos à lendária idade do jazz, vertiginosa e fútil. Fitzgerald pertenceu a essa geração, foi um dos seus arautos. A sua vida tão precocemente visitada pela fama, e tão cedo destruída, é a carne e o sangue de que é feita a sua obra. O Grande Gatsby é o seu maior romance, talvez porque nele se fundem com rara felicidade essa matéria-prima, a sua própria experiência de vida, e uma linguagem de grande qualidade poética.




Jane Eyre, pobre e órfã, cresceu em casa da sua tia, onde a solidão e a crueldade imperavam, e depois numa escola de caridade com um regime severo. Esta infância fortaleceu, no entanto, o seu carácter independente, que se revela crucial ao ocupar o lugar de preceptora em Thornfield Hall. Mas, quando se apaixona por Mr. Rochester, o seu patrão, um homem de grande ironia e algum cinismo, a descoberta de um dos seus segredos força-a a uma opção. Deverá ficar com ele e viver com as consequências, ou seguir as suas convicções, mesmo que para tal tenha de abandonar o homem que ama? Publicado em 1847, "Jane Eyre" chocou inúmeros leitores da Inglaterra vitoriana com a apaixonada e intensa busca de uma mulher pela igualdade e a liberdade.

Tuesday, 27 December 2011

Um livro é uma caixa de chocolates imaginária

A mulher que amou o faraó
Maria Helena Trindade Lopes
Editora: Esfera dos Livros
PvP: 19€

Primeiro de tudo deixem-me elogiar os autores portugueses (lindos e maravilhosos) que fazem pesquisas históricas de salivar (isso incluí o David Soares - posso achar o Evangelho um desperdício de folhas, mas aquela bibliografia é no mínimo orgásmica). Os "tugas" são autores que espetam o nariz numa carrada de livros e fazem pesquisa para tentarem dar o mínimo de calinadas possíveis nos seus livros. Por isso, vos saúdo! Agora vem a parte da joelhada! A nível de escrever romance históricos - meu Deus! Que desastre. Então aqueles que têm enredos amorosos... não sei o que é pior! O Soares e o seu dicioná... perdão os seus livros ou entradas da Wikipedia amorosas. Uma pessoa pega nestes livros a pensar que vai ler um Anthony & Cleopatra de chorar as pedras da calçada, uma Katherine da Seyton e sai-nos um artigo de Wikipedia disfarçado de romance? Oh meus amigos. Não havia necessidade. Então a 19€ não há é carteira. Comecemos então pelo lado positivo:
- a pesquisa e a história em si. Para quem sabe a apenas o nome dos deuses, aprende-se imenso com este livro (mais do que a Wikipedia, true story). A pesquisa é um dos pontos fortes e nota-se que a autora domina e brinca com a História. Para quem é amante do Egipto, deve ser um livro maravilhoso. Para quem gosta de um bom romance histórico, nem por isso.

O vocabulário usado, por vezes, torna-se chato. Os interlocutores abusam dos nomes carinhosos "flor da minha manhã", "romã da minha vida" e a estrutura da narrativa é anti-clímax. A autora optou por alternar os capítulos entre passado e presente, contudo o presente dizia sempre algo referente ao passado. Por exemplo Ísis dizia "ai como eu amei Ahmès." capítulo seguinte mostra uma Ísis jovem a mostrar algum afecto para com Ahmès. Ora bem sou apologista do "Show, don't tell!" Se a personagem ama, não diga que ama - mas que construa esse afecto ao longo das páginas. Um grande amor precisa de ou muita mestria na narrativa e poucas páginas ou muitas páginas para o amor ser consolidado. Em "A mulher que amou o Faraó" acontece tudo muito apressadamente, sem espaço para o leitor respirar. Chega-se a um ponto de saturação em que, como a narrativa tem sempre o mesmo ritmo, o leitor queira saltar partes aborrecidas que não interessam nem ao menino Jesus, para chegar à parte com mais ritmo. Aprendam, meus amores. Nunca escrevam um livro onde as partes secantes ficam mesmo a seguir a partes entusiasmantes. Ninguém gosta de ver uma caixa de chocolates aberta e de não poder comer.

Ou seja, "A mulher que amou o Faraó" podia ser um livro com uma grande história de um amor arrebatador, mas em vez disso a autora concentra-se mais no rigor histórico do que na narrativa. De facto, podemos saber muito sobre o assunto, mas se não soubermos enfeitiçar o leitor com as personagens e com a história, não há História que sobreviva...

Monday, 26 December 2011

Os melhores livros lidos em 2011

Pois é chegada aquela altura do ano em que sou boazinha e reúno um post com tudo de bom e de alegria! Os 10 melhores livros que li este ano (demora a chegar, mas quando chega é em grande) e os piores! Os horrores e tragédias literárias...

1. As novas cartas portuguesas: Maria Barreno, Maria Teresa Horta e Maria Velho da Costa
Edição anotada
Editora: Dom Quixote

- As novas cartas merecem estar no topo da lista por ser um dos livros mais inovadores (senão o mais) de Portugal, com imensas traduções por todo o mundo, mas que fica sempre esquecido. Cruel e poético, desta vez não fica esquecido!

2. O revisor: Ricardo Menéndez Salmón
Editora: Porto Editora

- Um livro que prova que escrita a metro falha. Em poucas páginas Salmón deixa o leitor K.O, mexe com o nosso pensamento e com a concepção da realidade.

3. The dispossessed: Ursula Le Guin
Editora:
- er é a Le Guin... não precisa de muitas mais justificações.

4. (ebook) The claiming of the Sleepy Beauty: Anne Rice
Editora:Plume

- Cruel, peculiar, erótico, estranho... and I want so much more.

5. A paixão segundo Contança H.: Maria Teresa Horta
Editora: Bertrand

- o meu gosto de escrever cenas eróticas sem parecer uma beata veio desta senhora. Para quem não sabe escrever erótico em português, coloque os olhos nesta senhora e aprenda muita coisa!

6. Flow my tears, the Policeman said: Philip K. Dick
Editora: Gollancz

- Uma narrativa frenética sobre o tema da identidade perdida numa prosa descontraída.

7. The forgotten beasts of Eld: Patricia McKillip
Editora: Magic Carpet Books

- Lembro-me que quando o li, não me aqueceu, nem arrefeceu. Com o passar do tempo tenho imensas saudades de o reler. Talvez pelo facto de muitas vezes me achar parecida com a personagem principal e ter medo de ser uma "Ice Queen".


6. The Hitchhiker's guide to the galaxy: Douglas Adams
Editora: Del Rey

- Happy Towel's Day! O Hitchhiker é muito mais do que um livro, é um ideal com as melhores frases de sempre.

7. As atribulações de Jacques Bonhomme: Telmo Marçal
Editora: Gailivro

- É verdade que ainda sou uma novata nestas andanças de FC, mas há imagens poderosas que nunca abandonam a nossa mente. O Telmo Marçal conseguiu transmitir algumas dessas imagens para a minha cabeça.

8. (ebook) The bell jar: Sylvia Plath
Editora:Harper Perennial Modern Classics

- Ai Plath... se eu vivesse no teu tempo não me escapavas...

9. (ebook) Enchanted: Nancy Madore
Editora: Spice

- Contos de fadas eróticos, picantes, com um simbolismo surpreendente. Fica em 9º de castigo pelos seguintes não serem tão bons.

10. Os cus de Judas: António Lobo Antunes
Editora: Dom Quixote

- Porquê o 10º em ALA? Bem de facto foi dos melhores que li e sinto-me puxada a ler mais, mas sinto que a prosa de ALA precisa de ser bem mastigada e não sou tão boa a descortinar alguns simbolismos na prosas portuguesa, com sou na inglesa. Ainda assim venha mais ALA, que o sr. é um Mestre!

Os piores dos piores ou melhor: aqueles que são tão maus, que não aguentei até ao fim

A donzela sagrada I e II : Diana Tavares
Editora: Euedito Print on Demand

-"Capitulo 1", Caps Lock, erros ortográficos. Nem sei por onde começar. O pior exemplo de que mais vale estar quietinho. Como querem ser escritores se não sabem escrever? Agora vou ser prof de matemática. Não entendo nada de equações, mas não há de ser nada...

Much ado about you: Eloisa James
Editora: Avon

- Mulheres desesperadas por maridos, que falam sobre arranjar maridos e passam a vida a tentar arranjar maridos... um tiro é menos doloroso.

Star: Danielle Steel
Editora: Sphere

- Tanta desgraça faz mal ao coração. Eles amam-se, ela foge, ele casa com outra, ela anda com outro, mas o gajo é uma besta e ela espera pelo outro que está casado com a outra... a sério Steel, tens de experimentar veneno de rato no chá... ouvi dizer que sabe muito bem e faz maravilhas à pele. E vocês pensam: Oh Adeselna o que te passou pela cabeça para leres Danielle Steel? Meus queridos, estava a ler esta coisa para tentar entender se o papel da mulher na literatura romanceada dos anos 80 era diferente do papel da mulher hoje em dia nos livros. Por isso, caríssimos, é que peguei em tal coisa.

Monday, 19 December 2011

I found my soulmate trapped inside a fat werewolf

As Incríveis Aventuras de Dog Mendonça e Pizzaboy
Argumento: Filipe Melo
Arte de: Juan Cavia
Editora: Tinta-da-China

Primeiro pensamento quando acabo de ler o livro: awww já acabou? Não pode? Não há mais? Haver, há, só que tenho de voltar à loja.

Segundo pensamento quando acabo de ter o anterior: isto é parecido com uma quickie: orgasmico, mas de curta duração... é e basicamente é esse o único ponto negativo que tenho a apontar! Durou muito pouco e eu queria mais... a lot more!

"As incríveis aventuras de Dog Mendonça e Pizzaboy" é o meu primeiro livro de BD! Eu costumava ler a Vampirella, mas no supermercado, e comprei o "Sandman" do Neil Gaiman para o meu namorado. Ou seja nunca tive uma BD que comprasse para mim! Começou mal: as folhas do primeiro que comprei soltaram-se e a minha reacção foi: Poker face e depois pânico geral. Pela primeira vez vi um livro desfazer-se à minha frente... lá sobrevivi e fui trocar.
Podemos dizer que este primeiro volume das aventuras destas três personagens: Pizzaboy, Dog e Pazuul é uma mistura de vários clichés já mastigados por várias outras pessoas (o rapaz de pizzas que é explorado e que se não chega dentro de 20 minutos a pizza sai do bolso dele, teorias da conspiração e tal), e porque é que gostei tanto do livro se detesto coisas clichés? Por causa do Dog! Sim, essa personagem épica, com um feitiozinho do pior e com cara de bad-ass e pança enorme (e muito mau a matemática). Filipe Melo soube aproveitar clichés antigos e transformá-los através das duas personagens mais improváveis. O livro tem ainda bastantes detalhes, especialmente quando existem frases em alemão (e para quem sabe alemão) são completamente hilariantes, por estarem tão fora do contexto e mesmo assim parecerem algo decente (a do "Vergessen Sie nicht dieses Buch Ihren Freunde zu empfehlen" foi genial).
Um livro muito bom para descontrair e rir durante meia-hora.


Sunday, 11 December 2011

Clube BlogRing

Bem tudo isto graças à ideia que a Vera Coutinho, do blog The door to my Imaginarium teve há algum tempo:

Adoram ler e tem um blogue dedicado ao mundo da literatura? Então o BlogRing é para ti :)

Inicialmente quero realizar este projecto entre blogues portugueses de literatura.

A ideia consiste em disponibilizar um livro. Por exemplo o livro “Um dia” de David Nicholls, eu tenho uma cópia e estou acabar a sua leitura e posso depois disponibilizá-lo. Existem blogues que já leram mas poderão existir outros que estejam interessados em ler o livro. Então cada blogue interessado deve fazer a sua participação no blogring desse livro via email/comentário em blogue/… é feita a lista dos blogues interessados no livro que devem fazer o livro circular de pessoa para pessoa, por ordem de lista, até voltar ao membro que o disponibilizou (moi).
Todas as pessoas que queiram pertencer ao “clube BlogRing” podem criar um espaço no seu blogue onde contém os livros que disponibilizam e podem também fazer uma wishlist (eu vou criar uma página onde divulgo os livros que disponibilizo e wishlist).
Cada um define as suas regras de empréstimo:

Número de participantes
Tempo limite de ficar com um livro:
Cada um estabelece o limite de tempo para o livro que disponibiliza!
No meu caso penso que 15 dias a um mês é suficiente por leitor. Depende do tamanho do livro; do ritmo de leitura de cada um;….

Mensagens especiais ou não escreverem nada:
Pedir a cada um para assinarem, nome do blogue,… ou que não escrevam nada senão parto-vos a cara lol…eu gosto da parte de saber quem leu e recordar pelo que ter o vosso nome, nome do blogue e uma simples mensagem acho que ficava especial :)

CTT…
Como sabem podem existir extravios dos ctt pelo que livros raros, ou que sejam ofertas especiais e de dificil aquisição convém não os aventurar em empréstimos.”



Número de participantes: Bem eu não queria que fosse mais do que 5 (vistos os livros andarem a flutuar nesta Inverno)
Tempo limite de ficar com um livro: 15 dias parece-me bem
Mensagens especiais ou não escreverem nada: Coloquem o link do blog e nome para saber quem anda com o dito cujo na mão.

LIVROS DISPONÍVEIS:

Últimas leituras do ano

Thursday, 8 December 2011

As atribulações de Jacques Bonhomme



"Telmo Marçal é um escritor de Ficção Científica portuguesa. Mas portuguesa a sério! Tudo é original e autêntico, desde o cuidado com a língua usada aos próprios diálogos e o tom chavascal na prosa. Só faltam as sardinhas, o bacalhau e o bagaço. A maneira como as letras fluem no papel são um propulsor inigualável para ajudar o leitor a criar imagens fortes e chocantes no seu imaginário."

(sneak-peek da Nanozine 4)

Wednesday, 7 December 2011

Filhos do Twilight

Soberba Escuridão
de Andreia Ferreira
Edição: 2011
Páginas: 256
Editor: Alfarroba

Review rápida, indolor e sucinta - isso era o que vocês queriam! O mais engraçado é que hoje encontro-me extremamente bem disposta! Tive uma regência sobre direitos das mulheres afegãs, o seminário com a orientador correu bem, não fui à aula de Alemão I, devido ao cansaço, tive bateria no e-reader para ouvir música e ainda consegui chegar cedinho a casa! Estou quase a vomitar arco-íris e a pensar que a vida é bela. Bem, pensam vocês, hoje a vítima vai ser pouco cascada! Ah isso queriam vocês! Na verdade a leitura do livro meteu-me pior que estragada (começamos bem). Há uma coisa que me mete fora do sério: livros que são a porra de cópias de livros estrangeiros. No mundo de hoje, em que a criatividade é algo limitado, se não vamos meter cá para fora nada de novo, mais vale estarmos quietinhos. "Soberba Escuridão" foi-me cedido pela autora (Danke, Danke) até porque estou em retenção de custos (os livros não me aquecem o corpinho no Inverno e consegui numa troca de dois livros que estavam a empastelar a minha estante, trocá-los por dois.

O problema do livro é que é uma espécie de Hush-hush meets Twilight em Braga. A história não é nada de novo, nem nada de especial... pensando bem: não há história. Girl meets boy, boy é lindo e todo bom e tal, gaja é normal e assim meia nerd. O gajo para variar é todo bad boy e tal e o livro é todo em torno disso, ela a namorar com ele e a acontecerem coisas esquisitas. The End. Fico piurça quando vejo uma história que podia ser espectacular e bem aproveitada, tornar-se um "copy/ paste" da literatura anglo-americana. A personagem principal tem demasiado tempo de antena e o Caael é muito reduzido. Aliás, ele só está lá para ser bonito, fófinho e chamar a gaja de "Estrela" (a sério que foleirice, se um demónio me tratasse por estrela, levava-me uma chapada para ganhar tomates). Até porque supostamente o gajo é todo bad boy e cruel e tal, mas quando está com a Carla (uma toininha que parece brain dead) é todo querido e cavalheiro e misterioso. Os standards das mulheres hoje em dia estão so wrong... sou eu a única a preferir um homem seja ele gordo ou magro, com dois neurónios? Porque é que nestes livros as gajas têm de gostar sempre dos gajos só porque são lindos de morrer e misteriosos? Gente, na vida real um homem misterioso quanto muito saca-vos os rins, não vai para a cama com as meninas e tornam-se os namorados ideais super românticos...

Quanto às personagens secundárias: salva-se a Ana que é mais ou menos real, mas para variar tem de haver a porra da influência americana. Eu andei num liceu aqui em Portugal, na pública e garanto que a ideia de haver as meninas populares, todas giras, fúteis burras que nem porta não existe! Sim o high-school é uma bosta, completamente normal onde pode haver drama queens, mas a sério escritores jovens parem de imitar o americano. Lá porque eles são parvinhos lá, não quer dizer que os portugueses sejam assim. Quanto à personagem do Miguel: que inutilidade de personagem. Está lá só para ser rejeitado pela Carla e servir de vítima, de resto tanto ele como o Daniel são figurantes de 2º categoria. Aliás as personagens secundárias têm muito pouco peso, roda quase tudo à volta da Carla e do Caeel, o resto do pessoal só serve para fazer conversa e quando começam a ter um peso na narrativa, esta acaba.

O pacing da narrativa é demasiado acelerado. Embora supostamente este seja o primeiro de uma trilogia, penso que essa necessidade teria sido evitada, se o livro contasse com o dobro das páginas. Normalmente não sou apologista de livros grande, contudo estas 250 páginas são aldrabadinhas. O livro tem formato A5, com TNR tamanho 12, portanto havia mais que espaço para fazer uma edição bem maior, com mais informação, pacing mais bem desenvolvido e menos trapalhão. O livro também teria ganho com muitas críticas de especialistas. Agora não estou a gozar, nota-se erros de construção da narrativa que não aconteceriam se os livros tivessem sido lidos por alguém que entendesse de literatura. Principalmente pelo facto de este ser o primeiro livro, existe uma tendência muito grande para haver falhas parvinhas que podem ser superadas com um par de olhos especializado.

Resumindo:
  • Narrativa: história mal aproveitada, ritmo acelerado e pouco original;
  • Personagens: clichés (tirando a Ana) e mal balançadas (ao menos têm nomes portugueses!);
  • Linguagem: desequilibrada - não me convençam que os jovens não dizem asneiras. É que nem um fodasse! E ainda dizem "indaguei". O lado positivo do livro é que alguns diálogos estão muito bem conseguidos e soam mesmo a um diálogo (yey!). Outra coisa: caps lock num livro - big no-no! Parece tão infantil e desnecessário...
  • Elementos de fantasia: Podemos considerar este livro low-fantasy, mas low quase debaixo da terra! Eu nem sei porque raios é que o Caeel é um demónio e porque aparecem os vampiros no meio. Os elementos são muito mal explorados e ele só diz "Olha sou um anjinho mau" aí é que nó vemos "Ai isto é fantasia?";
  • Influências anglo-americanas: Hush, hush meets Twilight num bar de True Blood... Melhor descrição não há. Braga foi muito mal aproveitada, a cidade é tão bonita, mas tudo foi condensado nas acções das personagens, que a cidade e a sua beleza ficou para trás. Demasiado Bragashopping e eu que acho o centro da cidade um dos mais bonitos de Portugal, podia ser mais aproveitado. Estas influências notaram-se de igual modo em algumas construções sintácticas típicas inglesas e também nota-se que a autora lê traduções.

Agora por extenso, em tom de conclusão: um livro que teria provavelmente mais sucesso se tivesse esperado na gaveta mais um ano (não digo mais) e se contasse com um olhar crítico (ás vezes o que nos escapa enquanto autores é tão óbvio que nem notamos). Para quem gosta de fantasia se calhar até vai querer a minha cabeça numa bandeja (que seja de prata ao menos), mas encaro esta meia-hora como algo de positivo para o autor, que agora que levou comigo em cima, vai pensar sempre duas vezes antes de escrever algo de novo.