Friday, 25 March 2011

A independente e a submissa

You belong to me
Captive Bride
Johanna Lindsey
Editora: Avon
Páginas: 422/ 384

You belong to me

"In all the world, no man exists who can tame Alexandra Rubilov. A fiery and beautiful free-thinker, Alex′s steadfast refusal to marry has frustrated her hapless father. And so he creates a "long-forgotten" agreement and sends his rebellious daughter away, ly maintaining that Alexandra has been promised since childhood to the handsome, insufferable libertine whom she must now accompany to his homeland to wed."

Captive Bride

Under the desert stars of an Egyptian night, beautiful Christina Wakefield is overcome not with romance, but with terror--as she is kidnapped by an unknown abductor and held prisoner in his secret encampment! Enslaved by a man she thinks she hates, Christina is eventually awakened--in body and soul--by the passion of a man who wants her desperately.

"You belong to me" foi parar às minhas mãos para ser lido antes de ir para a cama. A leitura mostrou-se satisfatória face às minhas expectativas. Como gostei da personagem principal: Alexandra, decidi continuar a ler os livros de Johanna Lindsey e para isso escolhi "Captive Bride" o resultado foi desastroso. Um romance pequeno, enfadonho e vergonhoso. Se o primeiro é uma ode à independência das mulheres, o segundo envergonha qualquer mulher devido às atitudes e pensamentos da personagem Christina. As primeiras cem páginas ainda conseguem aguentar o leitor, contudo a partir do momento que Christina apaixona-se por Philip, torna-se burra e passiva. A cena que decidiu a crítica foi uma cena peculiar onde Christina encontra-se a fazer ciumes a Philip com o seu irmão. Furioso depois do jantar Philip espanca Christina como forma de a castigar por ter feito ciumes (wtf?), ao início a mulher fica furiosa mas logo a segui desculpa Philip argumentando que mereceu a tareia porque não devia de ter feito aquilo. O Philip rapta-a, viola-a, espanca-a e no fim vivem os dois felizes com dois filhos... Pensamento do dia: A Christina não é uma mulher, é um fantoche. Não sei se Johanna Lindsey escreveu este livro para agradar a alguém em especial com fetiches muito esquisitos, mas o resultado foi um livro a evitar a todo o custo. Saldo de Johanna Lindsey: um livro engraçado e outro para esquecer.

Sunday, 20 March 2011

Factos históricos em prosa

Crónica do Rei-Poeta Al-Mu'Tamid
Ana Cristina Silva
Editora: Presença
Páginas: 184


Existem poucos contras quando se fala de livros muito bons/excelentes/ obras-primas, o problema reside na próxima leitura que sofre se não tiver tanta qualidade quanto a obra anterior. Penso que foi isso que sucedeu com esta obra de Ana Cristina Silva. Curiosa de saber mais sobre esta personagem acabei por não hesitar em requisitar o livro e assim que o folheei veio-me à cabeça a primeira obra de Maria Helena Ventura que li: A musa de Camões, cujos diálogos eram escassos. Neste livro não há diálogos, uma falta de dinamismo apenas disfarçado através do narrador autodiegético. Como são escassas as informações sobre esta figura ibérica, penso que para interessados sempre é mais interessante do que ler uma enciclopédia. Ainda assim por vezes esta sensação de “entrada” de Enciclopédia mantêm-se, a prosa emitida pelo protagonista é seca de emoções e torna uma história interessante apenas num relato de memórias encadeadas cronologicamente. Talvez devido à formação em Psicologia pensei que a trama seria mais densa com influências da sua formação. O problema de ter lido “O revisor” antes de ler a Crónica resultou numa comparação inconsciente, enquanto lia este livro mastigava sobre a qualidade maravilhosa do livro anterior. Por isso seria injusto classificar o livro de mau ou mediano. Para quem gosta de saber mais sobre a História da Península Ibérica é um bom livro, mas sem esperar uma trama densa ou até mesmo uma história empolgante e compulsiva.

Même literário



1) Is there a book you can read all the time without getting tired? Which one?

Wildwood dancing by Juliet Marillier. I could read the book so many times and still discovering something new in Marillier's prose.

2) If you could choose a book to read for the rest of your life, which one would it be?

"The mists of Avalon" by Marion Zimmer Bradley.

3) Choose a book to be read by other people.

"The Sun also rises" by Ernest Hemingway. Short, beautiful and deep.

I think I am one of the few who are left to write this même, so there is no point in telling others to answer it. Thank you "Estante de livros" and "Floresta de livros" for indicating this même to everyone.

Sunday, 13 March 2011

O peso da reflexão

O Revisor
Ricardo Menéndez Salmón
Editora: Porto Editora
Páginas: 128

O facto de conseguir conciliar muitas vezes a linguagem usada nas críticas e a linguagem usada na escrita criativa não se aplica a este livro. Se um crítico literário terá de forçosamente escrever a crítica para um livro com o intuito de a publicar, penso que existem livros que só ficam a perder com as palavras escolhidas, que não fazem jus à edição. “O revisor” é um desses livros, tal como “The left hand of darkness” de Ursula le Guin que me deixou sem palavras. Qualquer tentativa de dizer o quão maravilhos o livro é não iria passar de uma tentativa frustrada de aliciar o comprador mais desconfiado a adquirir esta preciosidade escondida por entre tantos livros nas estantes das livrarias.

Ao lado de “A Paixão Segundo Constança H.” de Maria Teresa Horta e “As novas Cartas Portuguesas”, “O revisor” de Ricardo Menéndez Salmón está perto do que chamamos tão raramente de perfeição.

“Antes de a escrita existir, os nossos antepassados escreviam nas paredes das cavernas. Aquele primeiro ecrã do mundo recebe hoje o qualificativo de arte, o que não deixa de ser uma ironia. Essa capacidade humana para mudar o sentido dos factos, para interpretar, provoca-me um enorme desassossego. Por definição, usurpamos tudo, traduzimos tudo, de tudo fazemos hermenêutica. Porque se transformaram as bibliotecas em espirais perpétuas? Porque insistimos em jurar que «sobre gostos não há nada escrito», se acontece precisamente o contrário?”

“Uma inversão tão magnífica do statu quo, uma derrota tão impressionante de qualquer lógica intelectual, não auspiciava, evidentemente, nada de bom.
Mas nessa altura estávamos demasiado confusos para reflectir: só os mortos pesavam.
E a morte pesa muito.
Tanto que impressiona.
Àquela hora já todo o país estava preso à notícia.” (48)

Tuesday, 8 March 2011

A princesa e o pénis

The Princess & The Penis
RJ Silver
Smashwords Edition
Publicado a 6 de Dezembro de 2010

Não há muito a dizer, já que o título é bastante elucidativo. The Princess & the Penis é uma noveleta, que se lê muito rápido, que basicamente conta a história twisted da princesa e do sapo. Amalia é uma princesa pura como a neve, ignorante sobre amor e coisas que os homens e as mulheres costumam fazer graças à vontade de seu pai. Quando faz dezoito anos o rei quer que ela case com o príncepe Rupert, mas Amalia anda a dormir mal graças a um alto que lhe aparece todas as noies na cama e aos poucos vai descobrindo que o alto não é uma maldição, nem um demónio, mas um homem que precisa de ser amado... para isso só terá de beijar... o pénis.

É uma noveleta engraçada, que provoca bastante gargalhadas. Aconselhável a todos que gostam de contos de fadas com um twist original.

A noveleta encontra-se disponível para download gratuito: http://www.smashwords.com/books/view/32400

Friday, 4 March 2011

Excessos de uma romântica

A Paixão Segundo Constança H.
Maria Teresa Horta
Editora: Bertrand
Páginas: 304

A Paixão segundo Constança H. é um hino às mulheres de ontem e de hoje, é dirigido às mulheres do antigamente - donas de casa, escravas e submissas e às mulheres modernas donas de casa, escravas e submissas que não se conseguem libertar do estereótipo criado durante anos. Constança H. tem uma paixão, que se chama Henrique, que também a ama, mas que a trai. Confusa entre o seu amor cego por Henrique e a sua dignidade a loucura irá tomando conta de si, acabando por ser internada e acusada de homicídio.
Não há muito mais que possa dizer sobre este livro, ou melhor há, mas ia ser daqueles posts gigantescos com direito a referências e tudo. Maria Teresa Horta escreveu uma obra-prima, onde a mulher é testada até aos limites da decência humana. Internada, sujeita a choques-eléctricos Constança H. é um grito de revolta às mulheres que foram durante anos sujeitas a internamentos, violência física, descriminação. Um livro chocante e poderoso.

"Marguerite Gautier morrendo, gritando o nome do seu amante, camélias da cor da menstruação postas à cabeceira..."


"Ainda se falou em lobotomia ... «Estou bem, já não me sinto revoltada», escreveu Sylphia Plath, repetindo as palavras de uma mulher internada como ela, depois de lhe terem tirado parte do cérebro."

Wednesday, 2 March 2011

Eternamente jovem

Ghostgirl: Homecoming
Tonya Hurley
Editora: Little, Brown Books for Young Readers
285 páginas

Depois do sucesso do baile, Charlotte continuou a sua morte agarrada a uma secretária à espera que o telefone tocasse para atender um pedido de um adolescente qualquer desesperado à procura de conselhos. Charlotte mal consegue segurar-se desde que morreu, era suposto ela ajudar estes jovens? O seu telefone nunca toca, enquanto as suas amigas não têm mãos a medir. Deve haver algo de errado com a linha. Do lado dos vivos Scarlet e Damon estão separados pela distância: ele na faculdade, ela a terminar o secundário e quando Petula arranja uma infecção durante uma manicure e encontra-se entre a vida e a morte, Scarlet coloca de lado a sua rivalidade com a irmã e tenta suicidar-se apenas para salvar Petulia.

O livro evoluiu bastante desde o anterior, não sei se foi o facto de ler em inglês mas achei este mais engraçado, ou então entrei na onda do jovem e passei a admirar o livro como se fosse uma adolescente. Penso que o livro só ganha com alguma maturidade e colocam-se questões pertinentes e profundas embora com um tom muito leve. Charlotte está morta e só tem 17 anos, mas esses dezassete anos irão durar para sempre. Nunca se irá casar, ter filhos etc e confesso que essa perspectiva mexe com o leitor. Uma miúda roubada da sua vida que tenta no fundo viver durante a sua morte acidental. Quanto mais tempo estiver morta, Charlotte Usher poderá reflectir sobre a sua vida e sobre o futuro. É um bom livro para dar aos jovens que não gostam sobretudo de ler devido á sua ligeireza e referências tipicamente “teen” e com todos os problemas que isso acarreta. Existem algumas citações que achei engraçadas e o design do livro continua muito bom e original, sendo a minha favorita:

“The best way to change who you are is Photoshop.”

A versão inglesa traz ainda um pouco do terceiro livro e como já li um pouco adianto que vou comprar o terceiro quando sair o paperback.

Direitos de uma mulher moderna

A máscara do desejo
Sheri Whitefeather
Editora: Quinta Essência
232 páginas

Na sinopse lê-se: “os perigos do desejo e da sedução... Uma história de dois amores que têm de fazer uma escolha desesperada. Um amor infame que termina num duelo e num escândalo.” Muito sinceramente achei um bocado incompleta, mas sinceramente basta ler na capa onde diz “Romance sensual” e no verso “Aviso: este livro pode conter descrições explícitas de cariz sexual”... Primeira coisa que pensei quando li “This better has it, ‘cause I didn’t buy it for anything else.”

Só de pensar que em Abril do ano passado estava a ler Fanny Hill e no inicio achei estas coisas de livros eróticos bastante esquisita, hoje estou rendida a alguns livros, este é um deles. A constante mudança de tempo entre o nosso século com a história de Amber e os seus parceiros de menáge Luke e Jay, contrasta com o tom mais formal da história de Lady Ellen e o seu amante Curtis Well. Em ambos os tempos o amor é vivenciado de uma maneira diferente: se Lady Ellen sente uma paixão enorme por Curtis que com o tempo se tornará em desejo, Amber começa por ser uma mulher “moderna”, cosmopolita que não pensa em casar e por isso para não se entregar a um só homem decide durante um mês passar o tempo todo em casa de Jay e Luke entregue ao prazer sexual.

Claro que se virmos pela sinopse pensamos que o livro não tem muita história, não tem muita profundidade (não iremos comparar nunca a profundidade de um Henry Miller com a Sheri Whitefeather) mas existem pequenos bocados na história de Lady Ellen que fazem com que o leitor reflicta a importância do amor na nossa sociedade. Que tipo de mulheres são estas que fogem do casamento como se fosse uma coisa horrível? Uma mulher moderna terá de ser propriamente uma mulher que não quer compromissos e salta de homem para homem? Penso que Whitefeather foi bastante inteligente ao contrastar os tempos, pois se tudo está bem quando acaba bem ao longo das páginas senti que havia um tom de crítica face a algumas mulheres que descrentes do amor já não se entregam à paixão, mas sim só ao prazer mais “carnal”.

Um livro muito bom, com uma edição invejável, embora não aconselhe ás pessoas mais sensíveis ou pudicas, pois contém bastantes cenas de sexo e algumas asneiras que pode chocar as mentes mais frágeis.