Monday, 18 October 2010

A Estrela de Nariën

Estrela de Nariën
As sombras da Morte
Susana Almeida
Páginas: 430
Editor: Saída de Emergência
Colecção: Teen
Faixa etária: a partir dos 14 anos

A Estrela de Nariën foi uma prenda que comprei para a minha irmã mais nova, aquando a feira do livro do Porto (pouco tempo depois do livro ser colocado à venda). Como a leitura agradou-lhe e veio-me pedir o segundo volume, achei que deveria ler e quando li na sinopse que haveria uma divisão nova chamada "avatares" lembrei-me um pouco do "Handmaid's Tale". Para começar a Faixa etária, mesmo que seja meramente indicativa e não deverá ser tomada à letra, devo dizer que acerta mais ou menos na idade. Se um livro com 430 páginas deverá assustar o adolescente de 12 anos (visto o conteúdo não ter nada de chocante), penso que também para adultos já é esticar a corda.

A Estrela de Nariën tem tudo o que já foi dito na fantasia até agora: Elfos, cavaleiros, magia, traições e que enverga por alguns clichés. O início do livro é um pesadelo: nomes quase impossíveis de pronunciar, acontecimentos que se desenrolam demasiado depressa: Lilith ama Aheik, e perguntamo-nos porque raio ela gosta dele se nunca vimos o rapaz a fazer nada de digno e há a confissão de homossexualidade por parte do seu irmão Rhys. E se poderíamos aproveitar a questão da homossexualidade para introduzir alguma profundidade, ela simplesmente desvanece-se sozinha, sem sabermos muito bem o propósito pela qual o Rhys assume-se como homossexual à frente da irmã. As avatares também poderiam ter um papel melhorzinho, parecem restringidas a uma moral rígida, uma espécie de freiras com magia. Quando o seu papel mágico podia ser maior e podiam no fim dar bem mais luta.

A narrativa apesar de bem escrita, sem grandes falhas aparentes, carece de romantismo propriamente dito. Tudo é obra do destino e da reencarnação, não havendo voz própria dentro das personagens principais para entender o porquê deles sentirem amor. Aheik é o tradicional cavaleiro corajoso e nobre e Lakshmi ainda não é nada, devido ao seu papel apagado. Étain é a vilã tradicional e cliché: bela, sedutora, irresistível, que quer a Estrela de Nariën para conquistar o mundo. Os diálogos estão bem construídos, porém existe mesmo uma insistência por parte da autora na conjunção adversativa "porém", o que causa por vezes estranheza a sua sucessiva utilização.

O cliffhanger final é inteligente, pois obriga o leitor mais curioso a salivar pela continuação da história. A nível narrativo achei a pausa um bocado brusca, na medida em que o leitor ficar pelo menos um pouco na expectativa de pelo menos algo acontecer. (Fez-me lembrar do final do cd1 do Final Fantasy VIII quando o Squall é atingido por uma ponta de gelo e eu e a minha prima corremos a inserir o cd 2)

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