Saturday, 10 July 2010

O Passado Que Seremos

O passado que seremos
Inês Botelho
Editora: Porto Editora
Formato: Hardback
Data: Janeiro 2010
Páginas: 208
ISBN: 9789720040855



Sinopse oficial: Elisa e Alexandre conhecem-se num fim-de-semana no Caramulo. São ambos jovens, pertencem a círculos diferentes, vêem o mundo de perspectivas quase sempre opostas – e, no entanto, parecem incapazes de escapar à atracção que lentamente os envolve. Com avanços e recuos, iniciam então uma relação que não entendem e questionam. Mas que os marcará para sempre.
Elisa tem medo da lua e das janelas sem cortinas. Pensa de mais e quer entender o mundo nas suas múltiplas facetas. Alexandre, pelo contrário, avança sem grandes reflexões, preocupado em aproveitar cada momento do presente antes que as responsabilidades o amarrem.
Romance de iniciação à idade adulta, O Passado Que Seremos dá-nos o(s) retrato(s) de uma geração e dos caminhos onde procura encontrar a “sua” verdade.

Basicamente a sinopse encontra-se bastante boa. Resumidamente a sinopse encerra em si a história. “O passado que seremos” trata mais da história do romance entre Alexandre e Elisa, do que o romance em si. Numa entrevista Inês Botelho referiu que não era a relação afectuosa, amorosa que lhe interessava, mas sim como as personagens se moviam e reagiam. Acho que isso ficou bem presente durante o livro e também acho que foi talvez esse o problema. Segundo a sinopse este romance é um romance de iniciação à idade adulta, mais ou menos então para jovens adultos digamos entre os 18 e os 20 anos, no entanto o livro não está escrito para os jovens dessa faixa etária. Se a escrita é o ponto mais forte e mais positivo no romance, é também o principal obstáculo ao entendimento do que se está a passar.

A escrita oscila entre o coloquial e o lirismo, pessoalmente por ser um romance de iniciação à idade adulta o coloquialismo em algumas situações fez-me sorrir e pensar que Inês Botelho sabe perfeitamente o que está a fazer, porque consegue meter um “ok” ou um “tá bem” sem parecer um livro amador. A linguagem coloquial entre os jovens é assim e é assim que terá de ser retratada no papel. Contudo a autora perde-se mais para o fim do livro devido à ausência de diálogos e concentra-se demasiado nas personagens perdendo a potência inicial. Se no início da narrativa conseguimos seguir bem os propósitos de Alexandre e Elisa a partir da segunda parte chega a ser quase impossível saber sequer quem está a falar, se o Alexandre, se a Elisa devido á mudança de narrador constante. Esta alteração de corrente da consciência seria maravilhosa se este livro fosse para adultos, agora para jovens adultos acho que é um pouco exigente demais.

A ideia era excelente: construir um romance que retratasse a nossa juventude, os problemas, as duvidas, as incertezas da nossa geração. O problema do desemprego, os cursos que não dão em nada ou então muito pouco, a emigração que muitas vezes parece ser a última resposta, estes temas são abordados de uma forma por vezes demasiado breve. Se houvesse talvez mais interacção entre as personagens, talvez mais amor, mais sentimentos e menos objectividade penso que o objectivo seria mais facilmente atingido.

Still é um livro bom, pequeno que tem algumas falhas, mas que também é bom saber que temos jovens em Portugal que não envergam só pela Fantasia. É bom saber que existem jovens que estão preocupados e sentem necessidade de transpor por vezes as dificuldades e os obstáculos que sentimos no nosso futuro incerto.

1 comment:

  1. Fico feliz ao perceber que não fui a única a achar este livro menos bom. Aliás, acho que um dos pontos mais fracos é mesmo o facto de tu referiste:
    «A ideia era excelente: construir um romance que retratasse a nossa juventude, os problemas, as duvidas, as incertezas da nossa geração. O problema do desemprego, os cursos que não dão em nada ou então muito pouco, a emigração que muitas vezes parece ser a última resposta, estes temas são abordados de uma forma por vezes demasiado breve. Se houvesse talvez mais interacção entre as personagens, talvez mais amor, mais sentimentos e menos objectividade penso que o objectivo seria mais facilmente atingido.»

    Muito obrigada pelo comentário e boa crítica : )

    A equipa do Lydo e Opinado deseja-te a continuação de boas leituras *

    ReplyDelete