Wednesday, 16 June 2010

The Handmaid's Tale

The Handmaid's Tale
Margaret Atwood
Editora: Vintage
Páginas: 320
Preço: (amazon.co.uk) 5£27
ISBN: 978-0099740919



Normalmente quando se acaba de ler um livro pensamos um pouco nele e se for um livro bom fica-nos um pouco na memória, no entanto “The Handmaid’s Tale” é um livro, que tal como a grande obra de George Orwell “1984”, é impossível sair da nossa cabeça. Em conjunto com outras autoras feministas da segunda vaga tal como Marion Zimmer Bradley (aborto) e Angela Carter (pornografia), Margaret Atwood cria um sistema totalitário onde as mulheres são protegidas, não trabalham e o único propósito da sua existência é procriar para a sociedade. Abordando temas como sexo como acto de procriação e não por prazer, "My red skirt is hitched up to my waist, though no higher. Below it the Commander is fucking. What he is fucking is the lower part of my body. I do not say making love, because this is not what he's doing. Copulating too would be inaccurate, because it would imply two people and only one is involved. Nor does rape cover it: nothing is going on here that I haven't signed up for." (94) de algum modo também aborda o “anti-pornography feminism”, quando as “Aunts” mostravam filmes pornográficos dos tempos anteriores para educar as novas mulheres. Contudo como em todos os sistemas tem de haver sempre clandestinidade, as “Jezebels” prostitutas e lésbicas incapazes de se adaptarem à nova sociedade, servem de conforto aos Commanders, que requisitam os seus serviços. Apesar de a sociedade repudiar a violência contra as mulheres em especial a violação, o que é ter sexo só para procriação? A própria farda usada pelas “Handmaids” da cor vermelha, símbolo do sangue da menstruação e fertilidade, pode ser visto como símbolo do pecado, visto que as Handmaids são, segundo as Wives, consideradas “prostitutas”. Existem também várias implicações e críticas a nível religioso. Gilead por exemplo, originário do “Genesis”, significa “mount of witness”, as Marthas são o símbolo da vida doméstica “mistress”. É possível de igual modo estabelecer uma ponte entre os “Guardians of Faith”, “Angels” e o Cristianismo. Contudo não existem só referências cristãs. O nome Jezebel origina do “Primeiro Livro dos Reis” onde Jezebel é descrita como uma mulher cruel, independente e determinada que expulsou os sacerdotes israelitas para apoiar os profetas do Deus Baal (fenício). Como consequência deste acto a princesa fora atirada pela janela e devorada por cães. Muito rapidamente gostaria de referir ainda o tema da linguagem, como um tema crucial para o fim da narrativa. Quando Offred (narradora embora este não seja o seu verdadeiro nome) torna-se amante do Commander, ambos jogam “Scrabble” um jogo para formar palavras, mas que constitui um símbolo de inteligência. Ao jogar com o Commander, Offred começa a lembrar-se de palavras algumas usadas na sociedade pré-Gilead. Embora o exercício mental fora proibido, descobrimos aos poucos que o Commander é um amante do passado e uma espécie de “coleccionador” de relíquias. Impossível de exercer este jogo proibido com a mulher Serena Joy, terá de exercer com alguém de fora, com que pode conversar. A narradora entra também em contacto com um grupo de rebeldes “Mayday”, que a narradora relembra que vem do francês “m’aidez”.
“The Handmaid’s Tale” é um retrocesso em relação à realidade. Enquanto a sociedade tem tendência a caminhar para à frente, tal como em “1984” de Orwell, também Atwood parece ter pouca esperança num futuro livre. O sistema de Gilead aproxima-se drasticamente dos séculos pré-feministas, onde as mulheres não podiam votar, escrever ou ter prazer nas relações sexuais. O cigarro é um símbolo de clandestinidade, mas também de liberdade. O stress causado pela sociedade que rompe completamente com a anterior, leva a que a narradora anseie por um cigarro para reviver os tempos passados. Passado esse que a narradora muitas vezes relembra através de flashbacks para estabelecer uma ponte entre o passado e o presente. O fim é deixado em aberto, deixando uma réstia de esperança para os mais optimistas, mas também pode ser um “sad ending” para quem prefere fins mais dramáticos. O importante acho que é meter as pessoas a reflectirem e suspirarem de alívio por a nossa sociedade ainda não ter chegado a este extremo.


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