Thursday, 24 June 2010

As brumas de Avalon IV

As brumas de Avalon IV
O Prisioneiro da Árvore
Original: The Mists of Avalon
Marion Zimmer Bradley
Editora: Difel
Ano: 2001
Preço: 17€00
Tradutora: Gabriela Alves Neves
Revisão literária: Maria João Favila Vieira



O livro mais medieval da saga escrita pela Marion Zimmer Bradley. Embora tenha uma estrela a menos, este facto não se deve à perda de qualidade, mas sim à brusca mudança de leitura. Se nos primeiros livros notava-se um tom leve e descontraído em que tudo flui com calma, cheguei a pensar que estava a ler de novo “A Canção dos Nibelungos” devido às mortes que ocorreram em tão pouco espaço de tempo. As personagens que vimos nascer e crescer passando pelos casamentos e infortúnios amorosos, entram agora em declínio. Arthur está velho e com paz no seu reino; Avalon ameaça fechar-se para sempre entre as brumas e as gerações futuras parecem querer recuperar o nome da corte de Arthur como uma corte de homens guerreiros, em vez de ser uma corte mesquinha onde só se ouvem mexericos por entre as aias mais novas. Nota-se um certo declínio nas aias mais jovens, que só se interessam pelos cavaleiros mais belos e fortes e que vivem da vida alheia sempre ociosas, ao passo que no tempo de Gwenhwyfar e Morgaine, as aias, apesar de também cochicharem, pareciam mais comedidas.

Contudo acho que esta aproximação à literatura medieval não se deve só ao banho de sangue. A separação da vida privada com a pública muito bem caracterizada, o ambiente de festas e cerimónias como entretenimento da época, a questão da honra (bastante importante na Idade Média) e ainda o papel de Gwydion como guardião da Memória. Comecei a ler “As Brumas de Avalon” como se fosse um exemplar de literatura feminista e não como um livro de fantasia, o que pelas minhas reviews tem-se notado certas observações. Não acho que as brumas sejam o exemplo mais radical que tenha lido dentro da área feminista. Existe uma certa dicotomia entre ódio - poder: ódio em relação às mulheres para com os homens e poder visto que os homens eram mais forte fisicamente do que as mulheres. Porém esta força física é claramente diminuta nos homens a nível psicológico. As mulheres conseguem manipular a vontade dos homens, que tudo fazem para satisfazer os caprichos das donzelas, levando ao declínio de Avalon. Neste último capítulo das Brumas, Morgause diz explicitamente que odeia os homens, sendo a primeira vez que uma personagem feminina verbaliza o seu descontentamento pelos homens, contudo Gwenhwyfar solta-se dando mais uma oportunidade agora em velha para ser feliz com Lancelet. Mas se Avalon está a morrer aos poucos, também não resta muito tempo para as personagens que tanto batalharam por Camelot. Finalmente conseguimos ver que as personagens livram-se dos seus tabus e medos através do aborto, adulteração e introduz temas como a menopausa. Tudo acaba com as personagens nos seus sítios preferidos, com o destino a parecer uma coisa tão cruel, mas que nos deixa a salivar por mais.

Apesar de ainda ter escrito mais coisas sobre Avalon, desde a sua morte (1999) que a sua sucessora Diana L. Paxon tem vindo a escrever novas séries, contudo não sei se se calhar esta "nova" autora conseguiu se calhar criar um mundo melhor do que Marion Zimmer Bradley ou se estragou se calhar um pouco a mística de Avalon.

Para todas as mulheres este é um livro obrigatório.

No comments:

Post a Comment