Sunday, 16 May 2010

As brumas de Avalon II

As brumas de Avalon II
A rainha suprema
Original: The Mists of Avalon
Marion Zimmer Bradley
Editora: Difel
Ano: 2001
Preço: 17€00
Tradutora: Maria Dulce Teles de Menezes
Revisão Literária: Maria Lúcia Garcia



Marion Zimmer Bradley apresenta um segundo volume mais focado nas personagens, sendo estas a voz dos mais variados temas feministas na prosa que tanto me deleitou no primeiro volume da saga de Avalon. Se no primeiro volume existia uma critica acérrima ao Cristianismo, em "A Rainha Suprema" a autora consegue pedir aos leitores que reflictam sobre injustiças que a Igreja comete durante séculos contra a mulher. Morgaine, apesar de longe de Avalon sente-se cada vez pior na corte de Arthur após o seu casamento com Gwenhwyfar. Gwenhwyfar apesar de ser uma mulher bonita pode ser considerada uma mulher ignorante, fanática e até mesmo interesseira, disfarçada de Rainha Suprema. Enquanto Morgaine não segue ordens e desafia a Deusa ao querer abortar do filho de Arthur por vontade própria, Gwenhwyfar fica obcecada com a ideia de ter um herdeiro para o trono, penitenciando-se e rezando a Deus para que lhe dê um filho. Não sei (visto que ainda não terminei a leitura da saga) qual fora a intenção da autora ao criar este pólo diferente de Morgaine. Duvido que possa ser visto como uma "moral" fora da moral religiosa. Penso que talvez a esposa de Arthur sirva para retratar a fraqueza das mulheres, quando subjugadas a uma religião que não as apoia, e subjugadas por homens, criaturas que não são menos que "nós", mulheres. Ao passo que Gwenhwyfar pensa que o acto sexual serve só para a procriação e dar um filho a Arthur, Morgaine consegue abstrair-se desses moralismos e como é descrito ao longo da obra têm relações sexuais com outros homens só pelo prazer. Ao contrários do Deus que os padres apregoam, a Deusa (encarada como representante da fertilidade) incentiva os seus seguidores a procriarem e encherem a terra com crianças, ao passo que o Deus que os padres defendem, simplesmente usa as mulheres como uma barriga para um valor mais importante que a simples gravidez. "To fuck or not to fuck" livre de qualquer compromisso, defendo que Morgaine, vindo de Avalon, é uma espécie de mulher-modelo para Marion Bradley. É bondosa, descontraída, inteligente, independente, mas tem também uma capacidade muito grande de amar, seja o irmão ou Lancelet. De facto o amor parece quase um plano secundário neste segundo volume, mas que no fim deste parece finalmente triunfar. O afastamento de pensamentos mais cristãos da cabeça da rainha, a traição de Arthur para com Avalon, o amor louco que Lancelet sente pela rainha e que poderá ou não triunfar são pontos importante a ter em conta no terceiro volume. Existem várias pontas soltas e embora já saibamos como a história irá acabar, uma curiosidade corroí o coração quando tentamos prever se a rainha conseguirá tornar-se uma Mulher, ou se continuará com a sua obsessão pela igreja e Deus e também se Lancelet finalmente irá casar-se com Morgaine a fim de acalmar o seu coração amargurado.

NOTA: Continuo a achar os homens normais para a época. É verdade que se o livro fosse escrito na Idade Média, Morgaine seria retratada como a bruxa má e estéril enquanto Gwenhwyfar seria a rainha que muitas alegrias trouxe ao rei Arthur. Contudo como a saga fora escrita no séculos XX parece-me mais que justo esta inversão de papeis e de lições. Marion Zimmer Bradley continua a defender as mulheres para que ganhem voz própria longe da rigidez da religião que mesmo em pleno séculos XXI continua a defender valores dos tempos medievais.

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